Homem também chora
Rua Espírito Santo 500. Até a essa rua o taxista me havia levado, agora estava parado, desamparado. O vasto espaço da entrada do prédio apresentava-me muitas portas dos elevadores que nunca havia enfrentado. Qual deveria escolher? Mas seja o que Deus quiser, vou entrar no primeiro que vier, na porta que abrir, entro, fingindo saber onde vou .Entrei e com um, não sei se gemido ou exclamação indiquei a qual andar iria, mas na verdade nem eu sabia, era a primeira vez que entrava em um elevador, aquele troço subiu veloz uma enormidade,onze andares. Por minha sorte, ao abrir da porta, no fundo do corredor, um grito forte, como grito da consorte vendo o marido ressuscitar da morte, gritou: É ele, é ele! Olhei em volta. Só eu estava á porta Todo este espanto, por esse evento?
Dulcinéia, secretária assistente da diretoria, dispensou-me toda a atenção e me conduziu à moradia, onde ela era filha da patroa, dona da pensão. Agora a sós no quarto, pensava: estou andando há mais de vinte e cinco dias, e agora? Onde estava com a cabeça para cair nessa, longe de tudo e de todos que eram meus e amava? Experimentava agora a ansiedade do mudo que não pode se expressar, porque não sabe o idioma, do cego, porque não sabe se orientar. Logo, a lembrança dos abraços e de todos os laços de parentesco e amizades veio à mente e um aperto na garganta me sufocava. Não era homem? Era, mas também deveria ter chorado. Agora essa lágrima guardada evapora pouco a pouco com o passar dos anos e no lugar persiste a saudade.
Fran.