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domingo, 31 de janeiro de 2010

Lembranças.
Deitado no escuro, a mente não pára, flutua, uma sensação de levitar nas nuvens.
Ao longe: gritos de crianças, ruidos de carroça.
Abriram as nuvens. Há calma profunda ao redor.
Lembro agora. Claro na mente.
Mamãe me arrasta pela mão, eu choramingando, passando a mão da parede da ruela estreita que nos leva ao jardim da infância.
Uma imensa porta de madeira, cravada de pontiagudos rebites, delimitava para mim o sagrado
e o profano. Começava a vida pública .
O átrio, com o teto em fatias de arcos, me atraía sobremaneira e instigava a imaginação, e propiciava ecoar qualquer canto divino ou nitrido equino.
A seguir, uma passagem clara convida a uma ampla sala com lateral direita toda envidraçada,
predominando nas cabeceiras, de um lado, a imagem de Maria Imaculada e do outro, uma fonte semicircular, e a saída para o pátio.
Contígua, uma sala com amplas janelas de ambos os lados, uma cátedra ao centro sobre um plano elevado, em frente quatro filas de mesas.
Eu encolhido, as mãos sobravam sem saber onde enfiá-las, a calça curta sem bolsos não permitia
disfarçar, o feitio especial tinha um particular a lembrar, dois botões na parte traseira davam
eventual rápida vazão. Como biombo a separar, estava eu lá sentado no meio de uma fileira, divisor das contendas dos baixinhos falantes e provocadores da frente e as girafas, magras, de pernas tortas e desengonçadas da última fila.
A professora, irmã de caridade.A caridade era tanta a sustentar e sobrar para mais de uns quarenta retalhos de gente.
A freira Prescilla toda de hábito e touca pretos, alegre, falante, redonda e risonha, de vez em quando a via enfiar o dedo indicador na touca e coçar, não sei se pela paciência pouca ou pela vontade louca de resfriar a cuca. Se mexe com papel, se corta se cola, se fabrica chapéu.
Chegou o final, tocou o sinal, se lava as mãos, se toma refeição após uma simples oração.
No pátio, a nogueira robusta,de tronco avantajado, estende pelos lados sombras e paz.
Quem queria paz? Queriam confusão,correrias, gritos em profusão.
Bateram palmas ! Ora essa! A abadessa sempre tem pressa, tem sua razão, a hora é de oração.
Juntos, de pé,de mãos postas, eis Senhor! A prece, por este dia, nós agradecemos, e para esta infância invocamos proteção.
Estômago lotado, membros cansados, olhos não mais arregalados, calmos, sem mais estrilos,
prontos para o cochilo.
De braços cruzados, na mesa inclinada a cabecinha a sonhar, a boca a babar.
Para a freira Prescilla, essa hora certamente era o alívio da mente e nessa calma aparente podia rezar calmamente. Que sono restaurador, mas quanto suor, havia mosquitos safados sempre a perturbar, lá fora galinhas apressadas, para a chegada dos ovos anunciar. Ao acordar,
se visitava a capela, ela à frente da fila, Prescilla, a entoar a cantoria: Ô Madre Pia ô Regina Tu del ciel, stendi il manto tutto santo sul tuo popolo fiel. A procissão acabava no portão.
A lição assim era dada, doses poucas mas concentradas. Se o tempo consegue desgastar....
A marca vai ficar.
Fran.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Espera.
Este amor renovado, diz do desejo incontrolável de estar com você.
Abandono a devaneio, mergulho a afogar a realidade.
Acalento o sonho que brilhe o teu rosto risonho, como brilha a geada a cada nova madrugada.
Terno calor que o aconchego do teu corpo proporciona no meu demorado abraço.
O teu corpo desnudo atrai ao âmago das tuas pomas polposas e convidam a saciar o fogoso
desejo que a espera alimenta.
Longo o caminho a percorrer nos dias da tua ausencia.
Ansia e temor invadem a espera da tua volta.
Na demora mil vezes teria morrido de saudade.
Frn.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010





O coroinha 1940


Rodado, comprido, sem manga, funebremente preto, o manto cobria ombro e tronco. Cinco horas, é matina. Começa a nevar? Ou a nevasca já aconteceu? Ainda escuro. O coroinha convidado não faltava, honrado por uma tarefa a cumprir. No percurso a seguir continuava a dormir, cabisbaixo. Na branca maravilha perdia a trilha e tudo acontecia. Passava a igreja e ia....
Centro de todos os acontecimentos da paróquia, a igreja, orgulho, respeito e temor de todos, era para algum ateu comunista, ferrenha inimiga.Por ser coroinha e usar batina, eu era alvo da gozação, mas não importava, sempre distraido, não estranhava os apelidos. Pontual, chegava cedo para o ritual. Igreja fria de nave única, abóbada, bancos em fileiras uma de cada lado, a separar o masculino do feminino.O altar mór em plano elevado, ao fundo um manto de cor a variar, sustentado no alto por grande coroa dourada ao centro e mantido nas laterais por dois anjos presos ás paredes. Na parte posterior, o coro onde rezavam em comum, cônegos e seminaristas.Rezavam? Sei lá. Ora parecia louvor, às vezes, um horror, grito de pavor. Havia um prelado muito requisitado por paroquianos .Quando dos oficios dos defuntos, o canto do prelado era um ronco de motor, tudo vibrava ao redor. Naquelas matinas frias só havia a participar da celebração, tres irmãs de caridade, duas mulheres de avançada idade e o sacristão, e para encher a imensidão, vagava eu a toque da imaginação, apesar de muito ter exercitado.O celebrante às vezes orientava, outras beliscava. A consagração. Era tocar o sinal a indicar o momento especial. Correr ao campanario e fazer o que mais gostava, tocar os sinos. Mas para mim era pepino, pois eu era pequenino, aí surgia a sabedoria.Do alto da escada onde subia, pulava à revelia, agarrava a corda que podia, e com ela ia até ao chão, da repetição saia o som.Quando voltava ao altar, não havia força para aguentar, tropeçava ao andar, e a missa, um Santo Sacrificio, se tornava também complicado oficio. Digo quando voltava do campanário, porque do complicado ir e voltar das cordas, do subir e pular do sujeito, a coordenação dava defeito....era um otário no chão do campanário.


Fran.




quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Buraco grande 30-11-92
Minha gente, grande evento !
Não é conversa á toa, ou palavra ao vento. Deu na televisão, faz aniversário o buracão, um buraco grande, que a chuva, de tanto cavar, acabou de aumentar.
Acabou nada, parece piada, mas vai dilatar para o trantorno dos moradores prolongar.
Gente, o povo tem poder, no buraco não vive só tatu ,vivemos nós , vós
e tú, como tá tú ? Tá bem ?
To na minha casa inundada, numa dificuldade danada. Esquece da chuvarada !
O bolo está pronto, sopra as velas, pega um pedaço e vai curtir o cansaço.
Fran.
Saudade.

O tempo passou.
Mas deixou o tempo o momento de lembrar.
Coisas á toa, pequenas coisas boas.
Grandes eventos que empolgaram multidões, o tempo varreu como folha ao vento
O tempo sacana, deixa a humana dor da saudade
a quem tem passado a lembrar.

Fran.
Carta

Para a amiga Vanderlita
Tá tudo bem.
Viver é agir, dedicar-se a um trabalho proveitoso para si e para a comunidade.
O aprendizado e aperfeiçoamento torna-se realidade quando não se age sozinho; os amigos são ferramentas, o tempo o tempêro, o resultado desses ingredientes a felicidade de viver.
Obrigado.
As suas palavras são recompensa
Com carinho.

Fran.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Confesso

Confesso, pequei contra vocês, não os deixei ser meninos, brincar, pular. Compenetrados, calados, ficaram fechados: observaram, admiraram, absorveram, e daí geraram sua maneira de ser. Da gramática e matemática criaram a sua temática.
Para mim, de biombo e atalho serviu o trabalho , na dificil arte de viver. Biombo a preservar a privacidade do ser inseguro, que dava duro, além do preciso, trazendo para o trabalho uma experiência do passado, com métodos renovados.
Duro, frágil, pontiagudo, ás vezes cortante, resisti; poderia ter fragmentado.
Confesso que não lhes dei prêmios ou troféus, tiveram muito do que pude dar, mas não o identificaram.Não ensinei o valor da recompensa, só o dever e o fazer.
A água limpa vocês não viram, não compartilharam com ela o pular entre as pedras.
O sol surgia e se punha para nós todos .Eu não via, atrás do muro daquela fabrica.
Mas o amor nasceu, viveu, vive e cresce ao seu redor.
É dificil ver! Mas sabem dessa presença !
Ó Deus que tudo podes!
Confesso que fechei a porta, que a tranquei por dentro, que apaguei a luz, me impus silêncio, estou lá triste.
Tu sabes! Arromba a porta.!


Fran.




segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Lareira.
Estou aqui.
Queria este lugar, a conciliar além
do meu viver agitado,o teu ficar parado a
contemplar e rezar.
Um lugar de aconchegar na chegada a pessoa
amada
Um lugar que, quando do virar a esquina, a
vida se faz sovina, é preludio e sina de acalentar
o sonho de não mais nos deixar.
Fran. (para Regina)
Caminhos da vida
Por sincera amizade, pela diferença de idade e por vivência, digo, da experiência galgando o fazer sem o amparo do saber.Saber como fazer, pode indicar quando, com que e porque. Mas o quando, era ontem e o porque não se sabia como, ninguém dizia. Tornava-se difícil
Mesmo para um obstinado, era duro o fazer naquele passado, que no andar da vida fez dela uma novela; chorou, riu, trabalhou, divertiu-se, bateu, engoliu, sobreviveu.
Fala-se o português, é quente, altitude novecentos mais ou menos, mais ou menos consigo me comunicar também e não é de poucas alturas que tenho medo de cair, por que não posso eu
tambem vir em Belo Horizonte? Imposição por autoridade? Superior capacidade ou natural habilidade?...
Em sociedade de primatas funciona a hierarquia na base da gritaria.
Mas fora do seu ninho,vira onça até gatinho, por isto nesta terra de Santa Cruz, patricios são urubus.E por esta constatação, vi, comparei e no berço esplendido deitei.
Com precaução, apalpando com as mãos primeiro, para não furar o traseiro.
Eram jovens e fortes e não temiam a morte, a morte da separação que impunham ao coração que amava, mais tarde a saudade se vingava pelo caminho, ao desenrolar do destino.
O ímpeto da juventude, se não direcionado à boa atitude, faz do entusiasmo atual, um futuro pantanal, onde o homem não anda nem navega.
Fran.


domingo, 17 de janeiro de 2010

-BH-1992
Carta
para Anelise Amore Prates
Analisando
Brasil
Me trouxe
o trabalho.
Por um tempo,
me segurou o amor.
Permaneço.
Por ter responsabilidade.
Brasil,jogo para vencer, dividir a recompensa
e transformar a vida em feliz convivência.
Fran.

sábado, 16 de janeiro de 2010

A viagem.
Não lembro ter contado a vocês.Cheguei apressado ao porto de Genova, embarquei num navio que me trouxe entre balanços e por pirraça,numa constante ameaça. Carcaça de velho torpedeiro transformado em navio de passageiro. Embarcado sem despedida pra um novo mundo, feito vagabundo.Um desencontro na partida privou-me de saber o fim da minha ida, a agonia prolongou-se balançando e chacoalhando por 23 dias, mas afinal uma ideia brilhante teve o navegante,um radiograma me tirou do drama. No porto estava a me esperar o cunhado do amigo meu, para mim o Cireneu. Agora, no Rio de Janeiro, tomamos uma providência, rodamos de agência em agência a procurar o destino do baú enviado dias antes. Com a localização da carga efetivada, deu a minha ida outra virada. Belo Horizonte era a chegada. Na fila do embarque do avião, outra confusão:a aeromoça oferecia bala, cura preventiva (supunha eu ) aos solavancos que o avião daria.Mas para que servia aquele saco que também queria me presentear? O que poderia guardar no saco tão fino e comprido, de plástico transparente apreciado por tanta gente? No decorrer da viagem, descobri o enigma; por efeito da depressão, o que estava no interior da caneta veio a manchar a minha jaqueta, e o disfarçar era todo em vão.A tragédia do momento não abalou a teimosia que naquele dia era tanto do azar, quanto minha.Ao desembarcar, ou sair do ar, resolvi me reanimar.Com ar de descobridor sacudi na poeira o suor, procurei se havia um carregador ao redor, mas nada havia, por sorte minha apareceu um chofer de praça. Olhou, examinou, carregou e transportou-me e os meus pertences onde deveriamos ir, rua Espirito Santo. E tudo acabou em santa paz.
Fran.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Dizer.
O jeito de dizer na minha escrita, é falta do saber o idioma português, com o passar dos anos,uma confusão do dialeto com italiano torna as coisas contadas uma piada.
Dizer simplesmente dizer, sem mais nada, falar, falar, sem sentido alcançar, é hoje um malicioso modo de viver Atributo herdado do obrigado legado de ficar calado, quando na presença de adulto, (menino falar era insulto) a longa espera sentado, boca aberta, olhos arregalados, propiciava imaginação, variada conclusão, e se a sorte dava brecha a opinião era flecha.
.
Fran.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A vocês todos de Olate.Natal 1996
Vocês de Olate, quero que ouçam o que vou dizer, precisamente dizer, não, porque a voz não sai, mas nestas palavras escritas, vocês possam entender quanto a distáncia de vocês todos e do nosso pequeno pais marca de melancolia tambem os momentos mais significativos da nossa religiosidade e vida. Vocês de Olate, no Santo Natal dêem-nos o prazer de sentirmo-nos com vocês na ceia, ou melhor, cedam-nos uma cadeira no fundo a igreja, na Santa Missa de Natal e rezem comigo, por mim e por vocês, pela paz e para que o avançar da idade não limite nossa visão de Jesus.
Fran.
Esta carta repleta de saudade foi publicada no bairro onde morei nos primeiros vinte anos da minha vida. Não tive resposta. a vida é assim os problemas, um após outro se sobrepõem só a compreensão supera.
Encontro
Convite leve a um toque breve de mestria mão, vibração sonora, toque de mão, na corda de um violão. Vibra inteiro, da terra ao céu, este arranha-céu; tamanha intensidade e emoção para um só coração.Divida comigo este amor amante , este amor titubeante. Abraça-me só por um instante.
Fran.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Ela

Uma esquina, uma janela, duas coisas que lembram ela; em uma morava ela, na outra, me pendurava nela e ficava a observar o ir e voltar. Eu novato, morador do pensionato, ela nova, baixinha, moradora vizinha, do quarteirão. Recatada, disfarçava, mas olhava, não dormia no ponto, afinal estrangeiro era mais um ponto. Na vida pronto para para lutar e morrer.Ela pronta para lutar e viver, simples diferença de opinião? não, filosofia de um povo que apesar vive. Feliz intuição a minha, que a oportunidade não fugia. Alegre, baixinha fiz dela a minha eterna vizinha e de vizinha à cozinha foi um pulo e com calma e malicia de uma preguiça dominou e desbravou situações, entre elas......que nos cercou de cidadãos. No prosseguir da vida ao decorrer da morte, tolera-se a consorte, mas ela continua bela, Driblou eu e tu, diz com ajuda de Jesus. Digo para mim: safado, que pensa ter escolhido errado, olha ao teu lado, veja que desta ou daquela, quem te salvou foi ela, que com santa paciência, mais que com ciência ou invento te salvou a contento.
Eu. B.H. 27-11-92
Quando? Não sei quando. Dei pela coisa já tinha acontecido, acredito que na chegada a maioria estava a me esperar, o ultimo fui eu a aparecer naquele dia.Meu pai dizia: nascer é caso, morrer é dever. Naquela hora não tinha para escolher,nascer era o que fazer. Não chorou, lamentou, disse o avo.Corpo? uma tora.Cabeça? loura. Carrancudo, era tudo. Tudo o que sobrou, a familia aceitou.Parecia figura conformada a fazer da vida uma piada. As pessoas que o conheceram na primeira idade, diziam: filósofo ou frade.Parado, observador,escondia mágua e dor. Distraído, parecia pensar; na verdade queria voar. Nas respostas dadas havia sempre uma piada. Nesse esquema desenvolveu-se este problema. Eu.
Fran.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Hoje
Hoje estás longe.
Não quero que fiques.
Mas também quando voltas.
Não quero o teu coração longe.
Quero-te por inteiro.
Se o pensamento longe te leva.
Fica por lá
Fran. para Regina

domingo, 10 de janeiro de 2010

As castanhas

O ceu é cinza, hoje tudo parece triste, pesado e úmido, o sol que aquece os ossos, como dizem os anciaõs, hoje me deixou só, a vagar no tempo e no espaço sem limites. Sem pensar, em grupo de moleques esfarrapados, descalços, devagar, devagar, chegava-se acima da Bonacina, (bairro) onde havia uma polvoraria; lá também havia uma ponte, um riacho, um casebre, uma igreja pequenina.
Setembro, época em que as primeiras castanhas sorriam, a chuva miúda começava a molhar inteiramente o corpo. Na encosta do monte, árvores carregadas, as primeiras castanhas, precoces, despontavam da concha.Lá estavam espalhadas no terreno entre a grama. Com paciencia, procurando no intento de a pouco a pouco reunir um tanto. Persiste a chuva. Escorre agora gelada em todo o corpo, goteja das orelhas e do nariz. Uma parada breve na igreja, a parede de espessura avantajada. Oferece no vão da janela, amparo e proteção. As castanhas não são muitas a fome, sim. Com os dentes a casca é tirada. Não lembro o sabor, não importa. Hoje sou feliz, o pensamento voltou ao passado, muito tempo passado, com os meus amigos, os montes, os vales. Os meus amigos seguem pela vida eterna.As castanheiras ? Continuam lá ?

sábado, 9 de janeiro de 2010

Você
Insolitos pensamentos vagam na mente por você.
Cinza o céu, me entristeço sem você.
Grande por demais este mundo, sem você.
Longo o passar do tempo sem você
Insensato ao seu estar, insisto em lhe provocar.
Fran.paraRegina

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Morava em paz
Em paz com Deus e os homens, passei de1934 a 1954 nesta cidade cercada de montes, em vale
repleto de verde, frutos, flores, rios e o maior e mais profundo lago da Europa.
Lá aprendi a dobrar a pobreza, a fome, as guerras e em um doce fazer de conta que agulha não
tem ponta. No bairro que morava, na paróquia chamada Olate ouvia dizer que moravam mil almas, se isso era gente, eram todas transparentes, as ruas sempre desertas.
Em cada esquina havia una fonte que jorrava água sem parar. Saciava o transeunte e cavalos sedentos. Dizem que tudo mudou no mundo. Quando lá vivia os anos eram longos a passar, acredito 563 dias, e no trocar,a modernidade fez maldade com a humanidade e passou para 365.
Fran
Anoitece
Poderia ter dado mais,
Acalentei sonhos, talvez maiores.
Tive grandes ilusões.
Faltou fé? Esperança? Talvez.
Calo fundo agora que nada tenho.
Houve amigo?
Queria uma nova alvorada, mas não tenho querer,
só me resta dobrar, aceitar o lento
anoitecer, acreditar no amor, pedir ao Senhor.
Fran.