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domingo, 31 de janeiro de 2010
sábado, 30 de janeiro de 2010
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
O coroinha 1940
Rodado, comprido, sem manga, funebremente preto, o manto cobria ombro e tronco. Cinco horas, é matina. Começa a nevar? Ou a nevasca já aconteceu? Ainda escuro. O coroinha convidado não faltava, honrado por uma tarefa a cumprir. No percurso a seguir continuava a dormir, cabisbaixo. Na branca maravilha perdia a trilha e tudo acontecia. Passava a igreja e ia....
Centro de todos os acontecimentos da paróquia, a igreja, orgulho, respeito e temor de todos, era para algum ateu comunista, ferrenha inimiga.Por ser coroinha e usar batina, eu era alvo da gozação, mas não importava, sempre distraido, não estranhava os apelidos. Pontual, chegava cedo para o ritual. Igreja fria de nave única, abóbada, bancos em fileiras uma de cada lado, a separar o masculino do feminino.O altar mór em plano elevado, ao fundo um manto de cor a variar, sustentado no alto por grande coroa dourada ao centro e mantido nas laterais por dois anjos presos ás paredes. Na parte posterior, o coro onde rezavam em comum, cônegos e seminaristas.Rezavam? Sei lá. Ora parecia louvor, às vezes, um horror, grito de pavor. Havia um prelado muito requisitado por paroquianos .Quando dos oficios dos defuntos, o canto do prelado era um ronco de motor, tudo vibrava ao redor. Naquelas matinas frias só havia a participar da celebração, tres irmãs de caridade, duas mulheres de avançada idade e o sacristão, e para encher a imensidão, vagava eu a toque da imaginação, apesar de muito ter exercitado.O celebrante às vezes orientava, outras beliscava. A consagração. Era tocar o sinal a indicar o momento especial. Correr ao campanario e fazer o que mais gostava, tocar os sinos. Mas para mim era pepino, pois eu era pequenino, aí surgia a sabedoria.Do alto da escada onde subia, pulava à revelia, agarrava a corda que podia, e com ela ia até ao chão, da repetição saia o som.Quando voltava ao altar, não havia força para aguentar, tropeçava ao andar, e a missa, um Santo Sacrificio, se tornava também complicado oficio. Digo quando voltava do campanário, porque do complicado ir e voltar das cordas, do subir e pular do sujeito, a coordenação dava defeito....era um otário no chão do campanário.
Fran.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
domingo, 17 de janeiro de 2010
sábado, 16 de janeiro de 2010
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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
domingo, 10 de janeiro de 2010
Setembro, época em que as primeiras castanhas sorriam, a chuva miúda começava a molhar inteiramente o corpo. Na encosta do monte, árvores carregadas, as primeiras castanhas, precoces, despontavam da concha.Lá estavam espalhadas no terreno entre a grama. Com paciencia, procurando no intento de a pouco a pouco reunir um tanto. Persiste a chuva. Escorre agora gelada em todo o corpo, goteja das orelhas e do nariz. Uma parada breve na igreja, a parede de espessura avantajada. Oferece no vão da janela, amparo e proteção. As castanhas não são muitas a fome, sim. Com os dentes a casca é tirada. Não lembro o sabor, não importa. Hoje sou feliz, o pensamento voltou ao passado, muito tempo passado, com os meus amigos, os montes, os vales. Os meus amigos seguem pela vida eterna.As castanheiras ? Continuam lá ?
sábado, 9 de janeiro de 2010
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
repleto de verde, frutos, flores, rios e o maior e mais profundo lago da Europa.
Lá aprendi a dobrar a pobreza, a fome, as guerras e em um doce fazer de conta que agulha não
tem ponta. No bairro que morava, na paróquia chamada Olate ouvia dizer que moravam mil almas, se isso era gente, eram todas transparentes, as ruas sempre desertas.
Em cada esquina havia una fonte que jorrava água sem parar. Saciava o transeunte e cavalos sedentos. Dizem que tudo mudou no mundo. Quando lá vivia os anos eram longos a passar, acredito 563 dias, e no trocar,a modernidade fez maldade com a humanidade e passou para 365.