Ao deitar, pensei.
O dia avançou rumo à noite sem a gente perceber e a noite veio com um andar tão devagar,parecendo procurar mas sem ver onde pôr os pés,influenciando o pensamento a devanear e o sono evaporar,recusando a chegar.
Acumulam-se as horas e não demora para a luz do dia vazar pelas frestas da persiana,passar filtrando-se pela cortina adentro.
Anunciando o novo dia, quem diria, depois de uma noite atribulada enfrentar uma longa jornada?
Abro a janela para o dia, um novo sol,um céu azul, um ventinho frio.
Um perfume das flores do campo,das verdejantes pradarias,onde eu corria,onde haviam águas correndo rio abaixo, rumo ao lago.
Vem dos meus sonhos de quando criança! Fantasiando? Estou !
Agora não cabe fantasia, é outro lugar, outro dia,aqui também o céu é azul e tem brisa,mas não à guisa daquele tempo.
Aqui passa e passa-se o tempo, de outro jeito
Da vista ampla da janela não há pradaria, mas um mundo de moradias e prédios entrelaçando becos,ruas e avenidas,que parecem amparar-se para manter o equilíbrio, escorando-se nos montes que moldam e fazem de fundo
No céu bem azul, um leve vento empurra devagar umas nuvens que mais adiante evaporam,
Um avião sulca o céu lá no alto,muito alto, parece voar devagar para observar a cidade.
Aqui bem em frente,um revoar de pombos circunda um prédio, ora em baixa altura,ora lá, mais no alto.
Nos vôos os bandos parecem alternar entre eles a tarefa de voar.
No intento de admirar e apreciar esses momentos, passou-me despercebida a ave de rapina pousada no reservatório de água do prédio em frente.
Um gavião impávido de olhos no papagaio que com visível temor encolhe-se no poleiro da gaiola.
Da rua abaixo da janela uma música alegre de flauta peruana difunde-se no ar.
Aqui habito há muitos anos, nunca me dei conta do que me cerca.
Corriqueiro,simples pode ser,mas observando, tudo é agradável.
Corria afobado por alcançar metas talvez impossíveis
Deus podou as minhas asas,não mais vou voar.
O tempo amansa. Deus deu-me em troca a temperança e
confiança Nele
fran.