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sábado, 30 de maio de 2015

Hoje


É diamante, pelo tempo e pressão
depois de lapidado é um brilhante, 
 Está aqui guardado no meu coração
a palpitar ao alcance da minha mão
Este amor    
  às vezes resvala e cai no chão e
 na escuridão,procuro em vão.
O amor é assim.
 É espera,
depois do inverno, há primavera 
e tudo torna como era,
é o ciclo da paixão, onde há perdão.
Ontem passou,o amanhã vai chegar.
 Hoje é dia para amar.
fran.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Tempo de infância



Vovó gente miúda, mãe de meu pai e mais quatro filhos:três homens e uma mulher.
Viúva,o marido havia morrido pelo tétano, doença infecciosa.
Morava em zona rural uma vila de nome Bulciago
Papai saiu de lá quando eu ainda era bebê,morávamos em Olate bairro do entorno de Lecco, cidade com indústrias de miudezas várias, derivados de arame e chapas.Isso por volta de mil e novecentos e trinta e quatro.
Tudo bem. Agora, vocês sabem mais ou menos.
 Façam a imaginação trabalhar.
Uma vida pobre, simples, mas eu diria feliz.
No entorno havia um pouco de tudo nas hortas e nos campos.
Apanhava das hortas dos vizinhos, cenouras, colhia das parreiras uvas, tomates,cerejas, peras,o que dava na época, não furtava, me apropriava. 
Quando nada havia nos campos,um capim de nome 
"erva cuca" que eu mastigava e sugava o caldo ácido.
 Era um pouco eremita,afastado,não tinha muitos amigos 
era autodidata nas besteiras que dizia e fazia.
Conto agora uma experiência mal sucedida.
Período das férias,meninada solta,mamãe havia concordado com o convívio de Benito,cachorro de estimação, estima não tinha muita, mas 
cúmplice de mais, Benito era inseparável seguidor e colaborador
dos meus feitos, herdeiro do nome do  não ilustre(porque de tal não tinha nada)mas conhecido Benito Mussolini.
Mamãe, acredito eu que mais para seu sossego que naquele período passava por transtornos físicos, me levou para a casa da vovó Enrichetta com o legado explícito de bom comportamento, que não tolhia a total liberdade do estudo dos animais e vegetais das redondezas.
Nesta área eu era aplicada autoridade, fazia tudo sem saber nada.
Resolvi então que Benito deveria procriar..... mas como?Onde?
Casa grande, paredes grossas, muitos quartos, deveria ter um lugar que servisse como"cachorridade" (maternidade para cachorro)
Vovó criava galinhas, havia pintos soltos no quintal, deveria ter lugar para nascerem. 
Uma tarde,ouvi uma galinha cacarejar em um quarto
do andar térreo,quarto de depósitos sempre fechado.
Como uma galinha estava lá ? Verifiquei.
Ela estava em uma cesta abaixo  do parapeito da janela, agachada sobre uma duzia de ovos
Não tive dúvidas:amarrei as patas de Benito e fiz a troca,coloquei a galinha na cesta de roupa suja e me afastei pra dar tempo que o alegre evento se consumasse.
Quando vovó Enrichetta se deu conta da coisa,a coisa era horrorosa.
 Benito de patas amarelas sacudia o emplasto e a galinha espantada pulava desesperada.
Imagine a situação. Tive que admitir que não seria por aí 
que aconteceria o nascimento dos filhotes de Benito. 
fran.

terça-feira, 26 de maio de 2015

Retorna


Retorna! Aqui é tua morada.
Retorna minha amada!
  A tua ausência é angústia que invade a gente.
Tu obcecas minha visão e 
acelera o bater do meu coração.
Retorna e fica amor.
O mundo é soturno, tristonho 
Aqui é teu lugar a alegrar e amar. 
O amor está aqui a te esperar 
fran

domingo, 24 de maio de 2015

O Cartaz


Talvez esteja errado ao posicionar no tempo os acontecimentos, nunca soube e agora falha a memória para me situar na história: foi entre mil novecentos quarenta e mil novecentos e quarenta e um.
O tempo demorava a passar naquela idade: oito ou nove anos
O Menino Jesus, ao chegar o Natal, determinava o espaço de tempo entre um ano e outro. Lá em casa mamãe dizia que de vez em quando Jesus menino perdia o caminho e demorava um pouquinho, às vezes não chegava e o ano alongava, o presente de Natal sumia ninguém o via. Não havia solução. Era esperar mais um tempão...
Mas, queria dizer, ou melhor, contar, o que aconteceu naquele tempo. Eu estudava, ou precisamente, frequentava sem estudar muito, num colégio na cidade di Lecco.
Era amigo meu Antonio Cameroni, morador do mesmo bairro,
Sujeito caxias, que entregava tudo o que eu fazia.
Apesar de ser uma distância boa, nós íamos a pé, chutando latas, tocando campainha das casas, fazendo o que dava na cuca. Coisas malucas.
O dia era bonito, um sol escaldante.
Nós vínhamos atravessando a praça em frente ao palácio municipal, quando me deparei com um cartaz na parede que, deslocado na parte superior, talvez pelo calor, caía como a fazer uma reverência ao meu passar. Eu logo reagi com veemência como quem não tem paciência e passando a mão de baixo para cima gritei: levanta a cabeça! E continuei o caminho, mas ao passar em frente ao portão, lá de dentro saiu uma mão que me pegou pelos panos e com um dedo no nariz queria saber por que fiz aquilo. Não soube dizer.
A infração constatada e a minha moradia anotada, apesar da mentira não vingar, porque o que estava anotado no diário me entregou. Liberado, saí angustiado e magoado: afinal o que teria feito? O que estava escrito naquele cartaz?
No meu saber não cabia tanto, sabia lá o que dizia?
Meu pai corria o risco de ser deportado para campos de concentração nazista.
A minha casa longe, as lágrimas que molhavam o rosto misturavam-se com a poeira, pareciam afetar a visão, não sabia se voltava para casa, ou fugia para os montes. Havia feito algo errado, alguém deveria me ajudar.
Fui para casa e contei tudo para mamãe.
Ciente do problema criado, mamãe procurou o conselho de um assessor municipal, morador vizinho e amigo, que a orientou para que meu pai, antes de voltar para casa após o serviço, se apresentasse aos sindicatos como trabalhador voluntário nas fábricas da Alemanha. Tal ato seria prova de fidelidade á causa
Alemã. Contrapondo a polícia alemã, que esperava a chegada de meu pai para a deportação por causa da rebeldia do filho ao proclame da propaganda nazista, meu pai teve como defesa a apresentação do pedido de trabalho voluntário na Alemanha.
Por vários anos ficou longe, muito sofrimento passamos todos nós.

Outro dia



Mais um dom que o Deus da vida nos presenteou.
De fronte a janela, o morro. 
Dia nublado e frio.
A janela fechada, além do vidro, arbustos e graminhas que nascem entre os barracos em pequenos espaços,
agitam ao vento.
Ainda cedo! Um menino na lage de pequena construção, solta papagaio ao vento. Mais outro de trás de um barraco também. Parecem a disputar espaço e altura, o papagaio dá mergulhos, em seguida sobe com mais vigor a conquistar altura até a vista não mais alcançá-lo. 
Em pequenos pedaços dos caminhos entre os barracos, avistam-se, pedestres que desaparecem, para reaparecerem mais adiante. Aparentam-se apressados, ou eu ainda estou sonolento?
Um revoar de pombos em círculos em volta de moradias, alternando o voar de umas e o descansar de outras, nos telhados de uma moradia.
O clarear além do morro aumentou. 
O sol parece lutar e vencer, aparecendo entre os barracos no cume do morro.Os raios aparecem e espalham tépido o calor e luz a iluminar o morro, salpicado de cores variadas. Há silêncio aqui, não há ronco de motor, nem sirene anunciando de sobressalto a dor . 

fran.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Mau elemento


Me colocaram nessa
estou andando sem querer, 
se parar vou cair.
Vou onde?
Não adianta perguntar,
não sei e não querem me  falar,
 um dia ao chegar vão sustar.  
Não importa onde,se na frente
ou a trás pouca importância faz.
Vou vos dizer!
Ei, cheguei,queiram ou não queiram,
vão ter que aguentar,
 por mais um tempo este elemento
fran.

Que Pena


Vai viajar,
volta, não fica lá solta. 
Lá, tu é bem vista porque turista,
ninguém te chama de meu amor.
Pensa, aqui as amizades ficam sós,
 na amargura e saudade.
   Aqui está tua vida,tua lida.
Aqui está teu ser o teu
 sofrer e querer de toda a vida.
fran.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Te amo



Longa demora a espera da tua chegada
O teu estar é luz do dia na vida minha
No decorrer do tempo,
sopra o vento, cai chuva,  brilha o sol,  
Mas firme no meu pensamento é 
querer estar  nós, a sós, para 
dizer te amo. 
fran

Posição Social e Profissional


Á vida dá-se um sentido de luta
Todos se aplicam para vencer
ter posição e recursos que se tornem 
frutos evidentes e reais de assíduo trabalho e 
perseverante conduta.
Ás vezes, quando a vitoria é alcançada e festejada.
Mas não é o que almejava-se, o lutador ganhou a luta,
caminhou na trilha certa, venceu dificuldades  
mas perdeu o seu querer
O herói cumpriu o seu papel,não o seu desejo,
nem seu desígnio querido, de ficar anônimo,
 a exercer a difícil arte de viver,cumprindo o dever e o afazer, 
com recursos talvez limitados, mas na paz 
do seu simples conviver e saber
fran

domingo, 10 de maio de 2015

Menino feliz


.Agora que mais ofegante tornou-me o caminhar,agora que diminuiu o impulso de querer tudo,
agora que me tornei involuntário, com mais tempo, posso ir longe e no pensar confuso,ás vezes fantasioso, vejo acontecimentos e fatos tidos hoje coisas do passado perdidas no tempo, que precisaríamos imitar.
 Menino acanhado mas atento,observador dos dizeres e fazeres,tinha de pronto comentários e resoluções inesperadas.
Por imposição pela sua inquietação, passava parte do dia em jardim da infância,com funções várias.
Alimentar galinha, recolher ovos, cortar ervas para alimentar coelhos,
 apanhar excremento de equinos nas ruas ao redor e dos bairros vizinhos, onde transitavam carroças com cargas de bobinas pesadas, de ferro, puxadas por filas de cavalos de proporções avantajadas.
O cavaleiro com o estalar do chicote, 
 instigava o conjunto a puxar a carroça.
 O transitar de tantos cavalos,
 facilitava, por limitar o tempo, 
 colher quantidade a contento.
Tudo armazenado em tambores e
 dosados com determinada quantidade de água. 
 No andar do tempo fermentava e distribuíam-se,  
quantidade certa em cada  pé
de tomate,de feijão,ou a qualquer  pé de não sei o que.
Controlava-se deste jeito as estripulias do sujeito. 
  Esta parte da infância é das mais felizes da minha  vida                  fran.                      

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Rotina



Na morada muito simples, de dois cômodos, vivia a família.
Composta de quatro pessoas: papai mamãe, eu, e Camilla minha irmã.
Cachorro, gato, zanzavam por lá,  o canário na gaiola pendurada acima da máquina de costura, modulava de vez em quando um canto.
Lá pernoitavam entre um móvel rústico e a parede de esquina do cômodo,
seis galinhas agrupadas no poleiro,um cabo de vassoura.Neste cômodo pequeno, muito havia!Mas se havia micróbios ou vírus, não eram tão sem vergonha como os de agora 
Ritual matutino, ritual de bom menino No afazer, eu era ajudante, nos eventos espectador.Está nevando! Tem que levar as galinhas no galinheiro?Sou eu! Presta atenção, a vermelha costuma quebrar o ovo , verifica se ela tem ovo a fazer, se tem,deixe-a na caixa, limpa a titica !
Mamãe doente na cama,dizia ser toda  arrebentada por dentro,
eu não sabia o significado. 
Dava-se início o dia.
Com dois ossos, quatro batatas descascadas, uma pitada de sal, um tanto de água aprovada por mamãe,no fogo tudo fervia, de tempo em tempo a escumadeira retirava a sujeira,ou o que eu achava que era 
Lá do quarto o comando:
Na espera tira a poeira dos móveis, não esqueça as cadeiras,
presta atenção ao fogo, pra não queimar a mão! 
Assim continuava o sermão:
Rala o queijo e corta em fatia o pão.
Enfim a refeição,água de carne a molhar o pão 
Não pense que é saudade ou coisas de velho que lembra 
das raízes e da seivas que o fez homem. 
Mas é a vida,o tempo e o andar do tempo 
que exauriram as forças
e somente em Deus agora espera.
fran

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Raízes


Quando me falavam de raízes me dei conta que também as tinha.
Não sei se profunda ou superficial mas sei que tinha seiva suculenta 
Certamente a planta estava em terreno de abundantes nutrientes,a família
Após oitenta anos, confirmo, certifico e agradeço.
Falando em raízes, saibam quanto contribuíam e contribuíram 
as raízes da família,a qual já não pertenço
Era época difícil,inverno de muito frio,o fogão precisava da lenha, era essencial.
Papai trabalhava,na Alemanha, os ganhos não chegavam.
Mamãe, sem recursos, não podia comprar lenha. 
Eu junto á molecada ia monte acima, bem acima dos campos áridos, onde iniciavam as pedras soltas nas encostas dos paredões dos montes.
Lá,arbustos criavam raízes não consistentes que um leve mover das pedras as deixava soltas a mercê dos fracos moleques que podiam apanhá-las secas, prontas para queimar 
Um feixe daquelas raízes secas e pontudas nas costas,era um calvário na descida dos montes, Mas quando ao crepitar do fogo,era calor e orgulho do moleque tímido, que sentia-se valente e partícipe no sofrimento e na solução dos problemas da família. 
Estes escritos a lembrar fragmento vivo,oculto do passado,lágrimas, correm na minha face.
Deus sabe,e queira,as minhas falhas amenizar, contabilizando esta angustia e sofrimento.  
fran.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Devanear- analogia
Semelhança funcional ou puro acaso 
entre o humano e o vegetal ?
Imprevistos acontecimentos se sucedem todos os momentos da vida
Independem da chuva,do sol, ou vento,
  é sempre o momento, de encarar com amor a vida.
 É a saída!
Este amor, amor, está sempre na berlinda.
 O que acha desta analogia?
A gente está sempre a procurar amor, 
Ás vezes sem saber de onde vem, aparece sem procurar.
  Quem é? Não sabemos, nos engabelamos com ele,
o acolhemos e recolhemos sem saber se é bom ou veneno.
O cogumelo é a mesma coisa,quem gosta está sempre à procura,
 é um petisco que vale o risco.
Surge onde não se espera, mas em geral o vegetal aparece em lugar a nos esperar, 
onde sabíamos achar. 
  Ninguém sabe como desponta,ninguém viu, 
surge entre a noite e o dia, quem saberia de onde vem?
A gente  engabela  ao vê-lo estar aí em frente, 
depois de ter andado tanto a procurar.
Ele está aí às soltas, é só colher e recolher.
 Precisa saber se é veneno! 
     Aí não se pode comer.        
fran.