Vovó gente miúda, mãe de meu pai e mais quatro filhos:três homens e uma mulher.
Viúva,o marido havia morrido pelo tétano, doença infecciosa.
Morava em zona rural uma vila de nome Bulciago
Papai saiu de lá quando eu ainda era bebê,morávamos em Olate bairro do entorno de Lecco, cidade com indústrias de miudezas várias, derivados de arame e chapas.Isso por volta de mil e novecentos e trinta e quatro.
Tudo bem. Agora, vocês sabem mais ou menos.
Façam a imaginação trabalhar.
Uma vida pobre, simples, mas eu diria feliz.
No entorno havia um pouco de tudo nas hortas e nos campos.
Apanhava das hortas dos vizinhos, cenouras, colhia das parreiras uvas, tomates,cerejas, peras,o que dava na época, não furtava, me apropriava.
Quando nada havia nos campos,um capim de nome
"erva cuca" que eu mastigava e sugava o caldo ácido.
Era um pouco eremita,afastado,não tinha muitos amigos
era autodidata nas besteiras que dizia e fazia.
Conto agora uma experiência mal sucedida.
Período das férias,meninada solta,mamãe havia concordado com o convívio de Benito,cachorro de estimação, estima não tinha muita, mas
cúmplice de mais, Benito era inseparável seguidor e colaborador
dos meus feitos, herdeiro do nome do não ilustre(porque de tal não tinha nada)mas conhecido Benito Mussolini.
Mamãe, acredito eu que mais para seu sossego que naquele período passava por transtornos físicos, me levou para a casa da vovó Enrichetta com o legado explícito de bom comportamento, que não tolhia a total liberdade do estudo dos animais e vegetais das redondezas.
Nesta área eu era aplicada autoridade, fazia tudo sem saber nada.
Resolvi então que Benito deveria procriar..... mas como?Onde?
Casa grande, paredes grossas, muitos quartos, deveria ter um lugar que servisse como"cachorridade" (maternidade para cachorro)
Vovó criava galinhas, havia pintos soltos no quintal, deveria ter lugar para nascerem.
Uma tarde,ouvi uma galinha cacarejar em um quarto
do andar térreo,quarto de depósitos sempre fechado.
Como uma galinha estava lá ? Verifiquei.
Ela estava em uma cesta abaixo do parapeito da janela, agachada sobre uma duzia de ovos
Não tive dúvidas:amarrei as patas de Benito e fiz a troca,coloquei a galinha na cesta de roupa suja e me afastei pra dar tempo que o alegre evento se consumasse.
Quando vovó Enrichetta se deu conta da coisa,a coisa era horrorosa.
Benito de patas amarelas sacudia o emplasto e a galinha espantada pulava desesperada.
Imagine a situação. Tive que admitir que não seria por aí
que aconteceria o nascimento dos filhotes de Benito.
fran.