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quarta-feira, 23 de julho de 2014

Por que ?
Do seu querendo, eu ia vivendo.
 O seu querer findou sem querer?
Do semblante seu
Você me afastou.
Com escusa se antepôs a dizer:
 O que era bom se foi.
O que queria, não podia.
O que era esperança, esvaiu.
Como se explica? Há uma dica ?
 É assim que fica ?
O amor não é mais a gota de
orvalho que sacia a sedenta união? 
Só onde há harmonia, há amor
e este  amor
é sol ao surgir do dia.
fran.  
 

O tempo urge
Dias após dias.
Como viver estes dias sem fazer?
O lembrar o passado ora sedimentado na mente
é pesar e tristeza de não mais realizar.
Quanto o tempo limitou o meu  fazer!
O que justifica o laborioso trabalho de uma vida
que reuniu experiência e saber?
 Desejo e vontade de oferecer, encontra
embaraço e recusa por um pensar e agir,
agora diferente, que desanima e nos inibe.
Já no escuro da noite, a mercê do ócio
propício a pensar o passado 
O tempo é eterno a lembrar e fadigar a mente,
 espertando e negligenciando o sono,
 ruminando feitos meus e de parceiros, agora na vida eterna
Não é lamento, é o constatar  que o tempo passou e que  
 ninguém ouse desafia-lo.   
fran.



sábado, 12 de julho de 2014

 
 
 
Destino

Uma pequena fenda, deixa um fio de luz entrar e cortar a
escuridão do quarto, não só,
mas apressa o fim da noite e adianta o dia.
 O que vale se ajeitar de novo no tépido calor da cama?
O galo cantou, o cão latiu 
dever é sair deste doce fazer nada e enfrentar a jornada.
Não é barbada, lavar a cara com água gelada,
cortar a barba e deixar a cara pelada,
pentear os cabelos, pouquinhos, ralos e finos 
 escovar os dentes que estavam ausentes,
abandonados, em cima do criado,
  É o novelo da vida que o destino
desenrola aos pouquinhos
fran.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

 
Isto existe ?
Estou caminhando, melhor dizer, perambulando,
não sei se indo ou vindo,.
Onde estou é descampado, em plano elevado.
Para bem especificar, subida ou descida não é minha lida
Se for plano até que dá, em estrada asfaltada,
tarefa facilitada.
Aqui há cheiro de terra, mas impera a vegetação 
que esconde o serpentear dos riachos a correr por ai abaixo.
Andando para lá e para cá, a agua parece que para não tontear
no caminho descansa um pouquinho, faz bacias,
e os peixinhos nelas se deliciam
Não há páreo para tanta admiração,
nem tantas flores de iguais cores
É um mar de  coisas, para cantar em verso e prosa
No ar enfeita o estar, mil bichos alados a voar.
Até quando Tu Pai queiras ,assim vai ficar,
Acima deste céu azul. Tu estás, meu Pai,
Estás lá, não vais nos abandonar!
fran.







sexta-feira, 4 de julho de 2014

 
 
 
 
Pode ser você
Não é loura nem morena, amá-la vale a pena
Cabelo liso, duro, denso, gostoso o tatear 
Isto tudo que parece pouco, vale amar. 
Voluntariosa, caprichosa, obstinada, vale ser amada
 É mulher bondosa, toda rosa,
para quem ousa cantar em verso e prosa
fran
 
 
 

Amizade 2
Fazer amigo não é barbada,
mas complicação lascada,
Quanto mais exímia a amizade,
satisfação conquistá-la. 
Fica o dever de aconchegar, amparar, e abrigar.
Sendo assim digo, haja amigo, porque
nesse entendimento há corrente
 de reciprocidade, de compreensão e amor.
onde cada um é elo, que une e compõe 
fran.
 
 
Florear o passado

Sim ,é quando o pensar vaga no céu como nuvem entre sucessões de trovões, e clarão de relâmpagos intermitentes.
Vislumbro o campanário da igreja onde morei, as andorinhas a costurar vôos entre os sinos, filas de cavalos mais parecendo elefantes pelo porte, puxando carroças repletas de rolos de fios de ferro
O assoviar do chicote, o brado do carroceiro
Sim, estou longe distante no tempo, alheio ao meu querer, mas vinculado a florear o passado.
Lá todos vivem natureza, dela e nela, as flores, os vales, os rios, os montes que circundam a cidade, compõem a concha que agrega os rios formando o lago 
Por que estas claras evidencias do passado?.
É saudade, ou um choramingar repetido sem convicção, com poucas lágrimas?.
 Quando o pensar  pára de vagar no céu e volta à  terra, a rotina volta à real
 Aqui nesta terra há o meu estar, o meu querer, o meu viver, o meu amor. 
 
fran
 
 
Por quê?
Por que ninguém tinha feito esta pergunta?
Um dia talvez por curiosidade, interpelado, por saber do meu passado, surgiu esta pergunta.
Foi um sim, no despertar de um sono leve em madrugada quente. Feita de improviso e maldade, a reprovar o mal feito. Dormir no trabalho! Quer ir ao Brasil?
A pergunta às três da madrugada feita por um diretor não podia ser ignorada.
Ele havia visto uma luz no galpão e quis verificar.
Eu estava trabalhando, melhor, deveria estar, mas o sono das três me havia vencido.
A máquina funcionava e o trabalho prosseguia, ao terminar  da operação eu deveria ter acordado, mas tudo havia falhado e a pergunta feita. O diretor disse:
Vamos, passo perto da tua casa, te deixo  lá.
 Amanhã vai se apresentar à minha secretária que providenciará tudo para sua viagem!
Tinha vinte e um anos nunca tinha visto nada além daquele vale onde a infância passada entre dificuldade e guerra me havia privado de experiências, mas um inato saber que pertence ao ser dava-me a ousadia de fazer.
O desafio era grande: Estruturar em um país, para mim desconhecido, uma fábrica.
Tinha a responsabilidade na montagem do equipamento e manutenção, projeto e fabricação das ferramentas utilizadas  
Manter esse compromisso foi difícil.
Abandonava a mãe viúva já de idade e a irmã e porque não dizer os amores platônicos que pipocavam na cabeça?
A despedida da irmã de caridade, Priscilla, que desde pequeno me acompanhava, marcou-me;
Vai, Deus te abençoe, ganso feliz  no lago, nada sem te molhar.
Minucioso observador, tu quando menos se espera tens a solução!
Parece ter sido valiosa a benção e a previsão de êxito.
No Brasil, em 1954, muitos obstáculos a superar ou contornar:
Transporte, a comunicação telefônica e verbal, a adaptação aos costumes e alimentação.
O relacionamento com a direção que me havia contratado, emigrantes de um regime fascista incapazes de entender
as dificuldades de um empreendimento industrial nunca vivenciado, dificultava. A falta da convivência e o estímulo da família e amigos  nesta hora, aumentava a saudade de tempos passados
Agora, compreensão, aceitação, estima e confiança  merecidas, e avaliadas por amigos conquistados no trabalho e na convivência diária, era preciso.
Dei tudo o que pude dar de mim, recebi generosamente de volta, desses amigos feitos aqui.
Pétala de uma rosa chamada Brasil que me cedeu o perfume do seu povo e compartilhou comigo, os espinhos do viver
Saibam: cinquenta anos, meio século passou.
Quarenta anos de comprovado trabalho de diversificados projetos e fabricação em indústrias de estruturas, mecânica industrial, máquinas de mineração, agrícola, e elétricas, etc.
Belo Horizonte.
Quando o sol no horizonte aparecia longe já estava de vocês, meus filhos!
De volta ao anoitecer, o sono lhes havia quietado,
 privando-me dos seus abraços.
O tempo passou e ao descansar do meu cansaço relembro e digo. Preciso de abraço!
 


Sonho,
 O que a mente tem presente em si mesma, a imagem, o pensamento, o desejo, o fato do dia, lembrança do passado, nostalgia, saudade.
Tive um sonho Vislumbrava-se a idade, setenta, ou mais um pouco.
Subia devagar o pequeno aclive que unia a próxima rua á direita com a rua central onde estava .
 Na esquina quatro rapazes bem trajados conversam animados.
Com licença! Interrompendo  a conversa, fiz uma pergunta.
Vocês podem imaginar quem sou eu?
Os rapazes surpresos, desajeitados,mantiveram o silêncio.
Percebi o meu erro, como podiam supor quem eu era?
Para isso, teriam que ter setenta e oito, ou oitenta e quatro anos.  
Falei então: Desculpem!  Vocês poderiam me dizer,
se da minha idade, há muita gente aqui?
E qual a sua idade? Perguntaram em coro.
Oitenta e dois! 
A indagação  teve resposta direta. 
A resposta facilitava o devaneio e a meditação.
Olhei em volta, estava em frente a pequena praça da igreja. Um padre atravessa apressado.
Levantei o rosto olhei a frente da igreja. Não havia mudado nada, no nicho os Santos Vitale e Valeria,
 patronos da paroquia de Olate estavam lá
Completando os trinta passos que distanciavam da porta, entrei, fiz a reverência
 O silêncio parecia refletir paz e lembrança dos tempos que vivi ali.
Uma duvida. Eu estava ali?
Nos assentos mais á frente algumas pessoas, de joelhos rezavam, aproximei-me no intuito de reconhecer ou ser reconhecido por alguém, eram pessoas de mais idade, havia esta probabilidade.
 Desloquei-me à direita e esquerda da balaustrada na frente do altar, me viram e as vi mais de perto, não me reconheceram e não as reconheci.
Retornei à praça pensando comigo.
Aqui vivi tanto tempo,
as mil almas que aqui viviam foram todos pela vida eterna?
 E de Cechino? Nem um tênue rastro ficou de mim?
Estava triste, abaixei a cabeça e continuei andando na rua que ladeava a igreja
Virando levemente à esquerda bem na esquina da base do campanário,
 Inicia uma rua de terra batida, um pó cinza de calcário cobre o piso.
Não reconheço os palacetes, não são os que havia.
Neste casarão, Mario bem no alto, na frente pintava figuras de Santos.
 Para bem dizer pintava o sete com os Santos.
A construção foi reformada!
Pouco à frente cruza uma via asfaltada. Existe há muito tempo!
Mais adiante, a rua bifurca, viro a esquerda.
Ando vinte metros, uma minúscula capela lembra e convida a rezar
 em reparação a Deus nas Santas Espécies.
Um sacrilégio ocorrido.
Em lápide estão gravadas as frases
Qui dove mani scellerate la notte del 16 gennaio del 1921
al fango e al lezzo dela strada gettarono le Sante Especie,
 Lendo estas palavras acordei
 Estava sentado no degrau da minúscula capela,
Levantava para continuar o meu andar rumo à vila onde muito tempo morei.
Mas acordei, acordei repleto de saudade
e um tanto de tristeza.
 No sonho também ninguém me reconheceu
Por que tanta saudade de um lugar sepultura do meu passado
 dos meus pais e amigos ?


fran