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sexta-feira, 4 de julho de 2014

 
 
Por quê?
Por que ninguém tinha feito esta pergunta?
Um dia talvez por curiosidade, interpelado, por saber do meu passado, surgiu esta pergunta.
Foi um sim, no despertar de um sono leve em madrugada quente. Feita de improviso e maldade, a reprovar o mal feito. Dormir no trabalho! Quer ir ao Brasil?
A pergunta às três da madrugada feita por um diretor não podia ser ignorada.
Ele havia visto uma luz no galpão e quis verificar.
Eu estava trabalhando, melhor, deveria estar, mas o sono das três me havia vencido.
A máquina funcionava e o trabalho prosseguia, ao terminar  da operação eu deveria ter acordado, mas tudo havia falhado e a pergunta feita. O diretor disse:
Vamos, passo perto da tua casa, te deixo  lá.
 Amanhã vai se apresentar à minha secretária que providenciará tudo para sua viagem!
Tinha vinte e um anos nunca tinha visto nada além daquele vale onde a infância passada entre dificuldade e guerra me havia privado de experiências, mas um inato saber que pertence ao ser dava-me a ousadia de fazer.
O desafio era grande: Estruturar em um país, para mim desconhecido, uma fábrica.
Tinha a responsabilidade na montagem do equipamento e manutenção, projeto e fabricação das ferramentas utilizadas  
Manter esse compromisso foi difícil.
Abandonava a mãe viúva já de idade e a irmã e porque não dizer os amores platônicos que pipocavam na cabeça?
A despedida da irmã de caridade, Priscilla, que desde pequeno me acompanhava, marcou-me;
Vai, Deus te abençoe, ganso feliz  no lago, nada sem te molhar.
Minucioso observador, tu quando menos se espera tens a solução!
Parece ter sido valiosa a benção e a previsão de êxito.
No Brasil, em 1954, muitos obstáculos a superar ou contornar:
Transporte, a comunicação telefônica e verbal, a adaptação aos costumes e alimentação.
O relacionamento com a direção que me havia contratado, emigrantes de um regime fascista incapazes de entender
as dificuldades de um empreendimento industrial nunca vivenciado, dificultava. A falta da convivência e o estímulo da família e amigos  nesta hora, aumentava a saudade de tempos passados
Agora, compreensão, aceitação, estima e confiança  merecidas, e avaliadas por amigos conquistados no trabalho e na convivência diária, era preciso.
Dei tudo o que pude dar de mim, recebi generosamente de volta, desses amigos feitos aqui.
Pétala de uma rosa chamada Brasil que me cedeu o perfume do seu povo e compartilhou comigo, os espinhos do viver
Saibam: cinquenta anos, meio século passou.
Quarenta anos de comprovado trabalho de diversificados projetos e fabricação em indústrias de estruturas, mecânica industrial, máquinas de mineração, agrícola, e elétricas, etc.
Belo Horizonte.
Quando o sol no horizonte aparecia longe já estava de vocês, meus filhos!
De volta ao anoitecer, o sono lhes havia quietado,
 privando-me dos seus abraços.
O tempo passou e ao descansar do meu cansaço relembro e digo. Preciso de abraço!
 


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