O PÁTIO
Via Luera. Nos primeiros cem metros que levam ao palácio de Don. Rodrigo, (Personagem do romance de Alessandro Manzoni Os esposos prometidos)
Lá, onde delimitando o pátio, um robusto portão de ferro, estava o meu viver.
Dez familias moravam.De uma meia duzia de crianças,duas eram meninas, o resto dos moradores, adultos e velhos.Tudo lá era velho, velho o curral, velha a vaca que havia nele, o casebre que era depósito de feno e abrigo anti aereo, também era.O pátio enorme, comportava todos e tudo. Novos, velhos, agricultor,e mais. Para cada morador,havia vinte metros quadrados reservados para horta. Um grande tanque comunitário, onde as mulheres lavavam a roupa e tornvam públicas as fofocas.Os meninos da redondeza divertiam-se correndo ao redor e no canal que conduzia a água à roda motora da filanda,as donas lavavam as panelas,talheres e tudo mais e os meninos soltavam barcos de papel.
E a filanda?Lá, onde o casulo do bicho da seda era manufaturado,um prédio grande com muitas janelas.Um barulho,um chiado monótono, arrastado.Nas tardes quentes, quando o sono parecia dominar e a produção fraquejar, propositadamente a fiadeiras entoavam cantigas.Cantos suaves, nostálgicos,de saudades do amor que partiu para a guerra Nessas tardes, que o sol projetava a sombras dos casarões no pátio, as velhas sentadas em rodas, tricotavam e rezavam o terço.Na corriqueira reunião, perambulavam frangos, galinhas e pintos que ciscavam no recinto A essa hora espalhava-se a meninada aproveitando a distração das velhas e iam satisfazer o apetite nas hortas, as cenouras e os tomates eram subtraídos.
Ao redor tudo era lindo.Além das hortas o terreno era levemente inclinado, passando a íngreme ao pé dos montes.Plantas frutíferas, parreiras de uvas diversas, dominavam parte do terreno.Nos campos abertos, nas pastagens, as flores em algum lugar, sobressaiam entre o verde do capim. As violetas que abundavam mais perto dos muros que delimitavam a propriedade, com o perfume determinavam o próprio lugar.Quando o descer do sol escurecia o vale e os perfis dos montes ressaltavam no azul do céu,as andorinhas cruzavam o ar com mil volteios.
Esse paraiso não existe mais,o progesso nos privou.O homem sempre procura o melhor, mas às vezes chega onde o sol não brilha, o trigo não germina, a flor não brota.E o tempo implacável já o deixou debilitado,saudoso do passado que não volta mais
Via Luera. Nos primeiros cem metros que levam ao palácio de Don. Rodrigo, (Personagem do romance de Alessandro Manzoni Os esposos prometidos)
Lá, onde delimitando o pátio, um robusto portão de ferro, estava o meu viver.
Dez familias moravam.De uma meia duzia de crianças,duas eram meninas, o resto dos moradores, adultos e velhos.Tudo lá era velho, velho o curral, velha a vaca que havia nele, o casebre que era depósito de feno e abrigo anti aereo, também era.O pátio enorme, comportava todos e tudo. Novos, velhos, agricultor,e mais. Para cada morador,havia vinte metros quadrados reservados para horta. Um grande tanque comunitário, onde as mulheres lavavam a roupa e tornvam públicas as fofocas.Os meninos da redondeza divertiam-se correndo ao redor e no canal que conduzia a água à roda motora da filanda,as donas lavavam as panelas,talheres e tudo mais e os meninos soltavam barcos de papel.
E a filanda?Lá, onde o casulo do bicho da seda era manufaturado,um prédio grande com muitas janelas.Um barulho,um chiado monótono, arrastado.Nas tardes quentes, quando o sono parecia dominar e a produção fraquejar, propositadamente a fiadeiras entoavam cantigas.Cantos suaves, nostálgicos,de saudades do amor que partiu para a guerra Nessas tardes, que o sol projetava a sombras dos casarões no pátio, as velhas sentadas em rodas, tricotavam e rezavam o terço.Na corriqueira reunião, perambulavam frangos, galinhas e pintos que ciscavam no recinto A essa hora espalhava-se a meninada aproveitando a distração das velhas e iam satisfazer o apetite nas hortas, as cenouras e os tomates eram subtraídos.
Ao redor tudo era lindo.Além das hortas o terreno era levemente inclinado, passando a íngreme ao pé dos montes.Plantas frutíferas, parreiras de uvas diversas, dominavam parte do terreno.Nos campos abertos, nas pastagens, as flores em algum lugar, sobressaiam entre o verde do capim. As violetas que abundavam mais perto dos muros que delimitavam a propriedade, com o perfume determinavam o próprio lugar.Quando o descer do sol escurecia o vale e os perfis dos montes ressaltavam no azul do céu,as andorinhas cruzavam o ar com mil volteios.
Esse paraiso não existe mais,o progesso nos privou.O homem sempre procura o melhor, mas às vezes chega onde o sol não brilha, o trigo não germina, a flor não brota.E o tempo implacável já o deixou debilitado,saudoso do passado que não volta mais
Fran