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terça-feira, 17 de maio de 2011

O PÁTIO
Via Luera
. Nos primeiros cem metros que levam ao palácio de Don. Rodrigo, (Personagem do romance de Alessandro Manzoni Os esposos prometidos)
Lá, onde delimitando o pátio, um robusto portão de ferro, estava o meu viver.
Dez familias moravam.De uma meia duzia de crianças,duas eram meninas, o resto dos moradores, adultos e velhos.Tudo lá era velho, velho o curral, velha a vaca que havia nele, o casebre que era depósito de feno e abrigo anti aereo, também era.O pátio enorme, comportava todos e tudo. Novos, velhos, agricultor,e mais. Para cada morador,havia vinte metros quadrados reservados para horta. Um grande tanque comunitário, onde as mulheres lavavam a roupa e tornvam públicas as fofocas.Os meninos da redondeza divertiam-se correndo ao redor e no canal que conduzia a água à roda motora da filanda,as donas lavavam as panelas,talheres e tudo mais e os meninos soltavam barcos de papel.
E a filanda?Lá, onde o casulo do bicho da seda era manufaturado,um prédio grande com muitas janelas.Um barulho,um chiado monótono, arrastado.Nas tardes quentes, quando o sono parecia dominar e a produção fraquejar, propositadamente a fiadeiras entoavam cantigas.Cantos suaves, nostálgicos,de saudades do amor que partiu para a guerra Nessas tardes, que o sol projetava a sombras dos casarões no pátio, as velhas sentadas em rodas, tricotavam e rezavam o terço.Na corriqueira reunião, perambulavam frangos, galinhas e pintos que ciscavam no recinto A essa hora espalhava-se a meninada aproveitando a distração das velhas e iam satisfazer o apetite nas hortas, as cenouras e os tomates eram subtraídos.
Ao redor tudo era lindo.Além das hortas o terreno era levemente inclinado, passando a íngreme ao pé dos montes.Plantas frutíferas, parreiras de uvas diversas, dominavam parte do terreno.Nos campos abertos, nas pastagens, as flores em algum lugar, sobressaiam entre o verde do capim. As violetas que abundavam mais perto dos muros que delimitavam a propriedade, com o perfume determinavam o próprio lugar.Quando o descer do sol escurecia o vale e os perfis dos montes ressaltavam no azul do céu,as andorinhas cruzavam o ar com mil volteios.
Esse paraiso não existe mais,o progesso nos privou.O homem sempre procura o melhor, mas às vezes chega onde o sol não brilha, o trigo não germina, a flor não brota.E o tempo implacável já o deixou debilitado,saudoso do passado que não volta mais



Fran

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