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segunda-feira, 28 de abril de 2014

 
Os inocentes

Vão longe. os anos. 
Quase três quartos de século.
Vocês acham que posso lembrar tudo ?
Outro dia os óculos colocados no pescoço oscilavam no dorso e eu os procurava.
Precisava lembrar? Não! Precisava ver onde estavam
É assim mesmo,
Não lembro tudo mas sei  que aquilo que vi com os meus olhos é o que vos conto
  Ainda menino, o que vi petrificou o meu ser e me fez insensível a muitas coisas na vida
Era cedo mas já tocara as seis na torre da igreja eu estava atrasado, ia servir a Santa Missa 
Um grupo de pessoas sussurrava  o acontecido .
Não passou muito tempo a praça ficou deserta. 
Quando a missa terminou, ao sair, a praça estava repleta de gente, uns com buquê de flores do campo, outro, garrafas de vinho, pães e muito mais.
Homens e mulheres iam em direção à cidade.
Eu os segui
de boca aberta como sempre e orelhas em pé, a ouvir e saber do acontecido
Chegamos na estação ferroviária, lá havia um comboio para transporte de gado, escoltado e
vigiado pela guarda da  Gestapo (policia secreta nazista)
A gente que lá chegava reagrupava ao longo do comboio a oferecer as dádivas que haviam trazido aos encarcerados nos vagões. 
Nesta hora, o que mal havia entendido ficou um pouco mais claro.   
Mais tarde me explicaram o ocorrido
Em uma pequena manufatura trabalhavam em períodos de três turnos um pequeno grupos de profissionais,
Não souberam me dizer com certeza, mas no período noturno houve uma interrupção do trabalho,uma greve. Quando o grupo saiu do trabalho e entrou o grupo da manhã, a Gestapo chegou e levou sem distinção quem ali estava e os colocou no comboio que o levaria para a Alemanha  nos campos de concentração
A razão da presença de muitas pessoa  era fingir  uma despedida com o propósito de entregar dádiva e  também escondidos no buquês de flores, nas garrafas, no guarda chuvas, na bengala. alavancas, alicate, facas, laminas de, serra e outros objetos no intuito que no percurso até o passo do Brennero, nos Alpes ao longo da fronteira entre a Itália e a Áustria, pudessem talvez, arrombar um vagão, pular e com sorte, vencer o  obstáculos das metralhadoras da escolta, e pudessem se salvar,talvez até ferido, para serem ajudados e recolhidos  por Partigianos, refugiados nas montanhas, facção que lutava contra os, nazifascisti  
Soube mais tarde que um ou dois tiveram a sorte de fugir.
A guerra acabou, não acabou a lembrança!
Nas noites quando o murmúrio cala, no silêncio aquelas lembranças afloram, a garganta aperta, as lágrimas escorrem a lembrar  aqueles inocentes. 
O passado é historia e experiência, se a ignoramos, não há  progresso no futuro.  

 




  









     


sexta-feira, 25 de abril de 2014

 
Um susto

Talvez o céu no hemisfério norte tenha menos estrelas,
mas certamente são mais  brilhantes
Aquela noite o céu era azul-escuro,salpicava de estrelas.
Papai pintor de brocha, depois do trabalho da fabrica,
executava trabalho a particulares pintando residências
 Acabara  de retornar de uma residência Eu o seguia.     
 Havia me atrasado por ter parado na fonte a lavar os pincéis, a peneira, as espátulas, enfim os apetrechos da profissão. 
Ele mais à frente empurrava a
bicicleta com uns baldes no guidão, lotados
 com resto do cal, outro com  latas e o resto de tintas Estávamos  cansados, já era noite
Na mesa mamãe havia preparado um prato com fatia de pão borrifado  com pimenta e uma pitada de queijo parmesão.
 Quando sentamos à mesa espargiu o
caldo do ossos que havia fervido 
Um aroma encheu o lugar e o tudo encheu o estomago .
Já terminara de acomodar as seis galinhas
no poleiro no canto da chaminé
 Não havia rádios, em casa a televisão estava bem longe de surgir, o certo era dormir
Tinha oito? Nove anos? Não tenho cabeça para pesquisar, sei que tinha uma briga chamada guerra que de dia não deixava brincar e de noite não deixava dormir.
Mas naquela noite a todos nós, mamãe, papai, Camilla eu também, um profundo sono envolveu e parece que ninguém percebeu o alarme de uma incursão aérea e no sono permanecemos.
Não demorou muito que um ronco forte que parecia de um desmoronamento de repente nos acordou, papai abriu a janela, toda a vizinhança
 estava nas janelas  a observar, então perguntou:
 O monte S. Martino desabou? 
A montanha S.Martino é um vulcão apagado há, séculos costuma de vez em quando soltar blocos de pedras devido a chuva que penetra nas fendas e congela, dilatando e forçando a queda.
Apesar do acontecimento ser coisa séria foi uma risada só
 Se constatou depois que um morador no sopé do monte esquecera as regras e acendeu uma lâmpada que foi a razão de um avião que sobrevoava a cidade soltar como
fosse um cacho de uva, mas eram explosivos que atingiram um campo de jogo de bochas, um cemitério,
outros explodiram felizmente mais além, nos campos  
                                                                         (1940-1941)
fran.

terça-feira, 22 de abril de 2014

 
Mentira
Jura verdade
 mas não dura é mentira pura
Mentira feita para confirmar amor é ainda pior
é evasão de uma difícil solução.
 Mentira desculpa evasiva
é tanta que a dizem santa.
Se resolver peneirar o que a vizinha contar
 só uma verdade vai ficar a confirmar o que
estou a contar.
A lua também é mentira, já era.
Ora é meia, ora é inteira .
Também não entendi a conclusão
porque o culpado é  Eva ou Adão
se a cobra fez a confusão?
 Adão só comeu a sobra que recebeu da cobra 
A mentirosa cobra tentadora
vai ficar de fora?
Castigo é rolar no chão?
 Parece que ela acha bom!
fran

 
Derradeiro

O amor, rosa bem ao centro
 Assim como o umbigo  aqui, comigo.
Ter estas  rosas sem haste, tem que se deixar que 
 pousem delicadamente as pétalas  na palma da mão
 e mante-las carinhosamente.
Variadas são as espécies, formas, perfumes, e cores
juntos trazem felicidades e dores
Por não ter sustento são frágeis ao vento,
Há momentos que são de entendimentos
e compreensão,dando-se a mão.
Outros momentos o vento dispersa o perfume.
  então queira Deus que como o azul
 centro  no espectro do sol entre o verde e o violeta
volte o amor a ocupar o centro
  entre  dignidade e esperança.   
fran.


segunda-feira, 14 de abril de 2014

 
Considerações

Amor! Dor cada um tem a sua.
Eu  tenho a minha, tu tens a tua
e devemos todos um ao outro consolar
Para a música  de teu agrado, o elogio é extremado
Se não de teu agrado, é mal pontuado
Tu atribuis a lua fases que vês, mas ela não as tem
Nos temos fases que não admitimos ter, mas temos
e não queremos reconhecer
Tem  modo de ser das coisas que acontecem ,que
 parecem não obedecer regras,
mas são  as consequências de atos
que determinam os fatos.
Lei, norma, regra, são para enquadrar
quem não quer pensar e o saber aproveitar.
Acorda Manuel! Deus deu para ti cabeça com miolo
Presidente, senador, deputado, vereador,
 só vivem do teu suor.
Deus é brasileiro, mas deste jeito vai ficar órfão
o Brasil inteiro 
**************
fran

sábado, 5 de abril de 2014

dia
 
Devagarinho surge.
 Aos pouquinhos clareia.
Queiras ou não queiras está ai um novo dia
a nós oferecido para dele fazer da vida um louvor ao Criador
No balançar para lá e para cá do pêndulo
As horas inexoráveis acumulam dias após dias.
 Sejam os nossos dias repletos de bons proveitos
Na convivência fraterna a igualdade
seja a verdade, a justiça, na realidade
 Quando diminuir a claridade no  fim do dia, reine
serena harmonia.
fran.