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terça-feira, 7 de dezembro de 2010


Noite
Não tem como deter esta escuridão que consome o fim do dia.
A noite invade,mas não ofusca a alegria de ter o teu amor.
Não muda o meu ser, nem como tu me vês quando estou com você.
Boa noite amor !
Perder-se na escuridão, também é caminho, quando no tropeço se cai nos teus braços.
Difícil é clarear este tortuoso caminho, este atribulado amor
Entender é preocupar, viver é superar o entendimento.
A brisa do novo dia lava este amor.
O sol enxuga,limpa, revigora para preservá -lo entre nós.
Quando se ama, do por que, nada há para entender.
Tudo passa a acontecer dentro de nós.
Na multidão estamos sós e passamos a ser tudo o que o impossível é
Feitos de pressas,nos enchemos de alegria e tristeza extremas.
Engasgamos de falta e excesso, vazio e aperto que não nos contém
Só no infinito nós vivemos
Fran.
A chuva.
A chuva acontece, às vezes aborrece, abunda e inunda.
mas Deus a concede também por uma prece de quem pede,
merece e precisa de uma messe abundante,
premio de um trabalho constante.
Chuva chove não só para molhar.
Chuva chove também para lá do fundo aflorarem,
os nutrientes e vegetação que o sol ajudou a puxar.
Gente pequenina, é assim que produzem-se vitaminas,
folhas verdes,cenouras é assim, sim, senhoras.
E ainda, para quem náo sabe, da terra sai alimento em profusão,
batatas,beterrabas,alfaces, almerão e mais.
Por vontade divina, nos montes e campinas, flores germinam.
Esse Nosso Senhor que ordenou trabalho e suor,
nos dá tambem sustento e amor.
Fran.

domingo, 14 de novembro de 2010


O diaO céu está nublado
O chão molhado
A rua escorregadia
Decididamente não é o dia
Levantei cansado e amargurado
Não sei qual evento trará bons ventos
Se coisa boa não surgir, ai de mim
Pra aliviar o cansaço pulo nos teus braços
Não quero saber nem como vai ser
Seja o que Deus quiser
Fran

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Minha terra – Meus antepassados

Ao entrar na aldeia, deixando a estrada de terra, pisando no calçamento logo nota-se, odor, cheiro?Diria especificando, odor de raízes antigas curtidas. A terra dos meus pais e avós, do meu passado e antepassados. Ao lembrar lugares dessa terra, não há como não enumerar o turbilhão de fatos que se projetam na minha mente, às vezes um pouco turvos pelos anos que nos separam, mas que deixaram marcas indeléveis.
Aldeia?Vilarejo? Como quiser, o nome é Bulciago. Lá moram agricultores proprietários ou arrendatários de pequena quantidade de terra. Minha mãe era parte de uma dessas famílias, completa com mãe e dois irmãos, um casado e ainda lá residente.
Após o casamento, minha mãe transferiu-se para uma cidade grande, por assim dizer, onde papai tinha mais possibilidade de trabalho como pintor de broxa. Eu tinha dois anos, minha irmã quatro. Mamãe sempre manteve contato com a família, eu passava temporada na casa da avó, e para tio Giuseppe e sua esposa que tinham três filhos, eu era o quarto, quando lá hóspede.
A morada da avó, era em um pátio bem perto da praça da igreja, adentrava-se por um pórtico e logo à direita, um amplo estacionamento para carroça. Paredes de grande espessura e teto de tronco roliço sustentando prancha maciça. A mesma estrutura repetia-se no plano superior, onde havia os dormitórios.
No teto, repletos de espigas de milho, agrupadas em feixes, no pátio as andorinhas davam vôos rasantes e ensurdecedor gazear ao entardecer. Logo à esquerda, descendo dois degraus, uma porta, a tramela libera o acesso ao cômodo principal, tudo simples.
Uma grande mesa central, cadeiras em volta. Dois ferros salientes na parede a direita,sustentam baldes de cobre estanhado cheios de água, ladeados por concha esmaltada.
Uma enorme lareira, na parede em frente. Com certeza mais coisas havia, despensa, caixa tipo baú, não recordo bem. Mas nada levou da minha mente a gaveta da mesa.
Passava horas mexendo ali, nem tanto havia, mas tanto me cativavam o quebra-nozes, o saca-rolhas, a quantidade variada de rolhas, a crosta do queijo parmigiano ressecado. Os prendedores de roupa, sobra de lápis, dentes de alho, colheres, facas, garfos, tesoura, fósforos etc.
Porcaria? Nada porcaria! Cada coisa, seu lugar havia e tinha serventia.
O queijo ressecado da gaveta era substituto da atual chupeta,que com barbante era pendurado ao pescoço do babão, mesmo arrastado pelo chão, era santa solução.
A lareira e a avó. A lareira quase sempre acesa, a avó ao lado sentada no amplo espaço que o vão do assento proporcionava vigiava alternando a atenção ora ao fogo, ora às panelas, ora debulhava o rosário. Vovó Giuseppina, mulher de poucas palavras, um semblante cansado, mão carinhosa que deslizava na minha testa a sua mão toda hora.
Talvez, queria dizer-me coisas? Tempo! Tempo! Quantas palavras não ditas morrem sufocadas no peito?
Da lareira lembro o bater forte da panela de cobre, pendurada na corrente pendente da chaminé, quando tio Giuseppe tentando segurá-la com a mão esquerda para revolver a polenta com a direita, a panela batia forte na parede. A polenta já endurecida era tarefa árdua para virar.
Na casa da avó, a gente levanta ainda de madrugada e o dia acorda porque eles o espantam, e a sistemática do dia inicia: No estábulo, trocar a palha e retirar o esterco, conduzir os animais ao bebedouro, colocar no comedouro o feno, higienizar as tetas, ordenhar, e tantas coisas mais. Termina com a refeição da manhã Na mesa uma tigela com leite e uma fatia de polenta quente mergulhada nela. Era guloseima, aquela!
Havia coisas que não eram rotinas, mas inerentes à estação do ano, à cultura, ao clima, e ainda à necessidade quantitativa, cultural, ou financeira. Alguns afazeres não quotidianos eram tudo que adorava, quando tio Giuseppe saia do estábulo conduzindo o animal, no caso a vaca, para tracionar a carroça, era dia de trabalho no campo, cortar capim para se tornar feno secando ao sol, na espera para revolvê-lo, cochilar no casebre, arar, preparar a terra para plantar, plantar o milho e mais tarde, entre fileiras, abóbora, pepino, feijão.
Incontáveis lembranças desfilam no meu pensamento. Campos de capim dançando ao vento, trigais dourados brilhando ao sol.
A papoula entre o trigo parece esconder-se do procurar do menino, que dela quer o estame para gravar na própria testa a estrela que ela tem.
As amoreiras aqui e ali no campo, de folhas bem verdes não muito altas, (três metros). Não havia campos sem elas. Em um período do ano, tio Giuseppe em um cômodo, montava estrados com borda de madeira e fundo plano feito com canudos bem finos amarrados em paralelo.
Lá era berço do bicho da seda. Era junho?Julho?Não me lembro, mas com certeza sei que as amoras eram de um amarelado branco, maduras para degustar. O bicho da seda é guloso das folhas das amoreiras, tio Giuseppe alimentava-os todos os dias por um bom tempo. Após esse período, colocava nos estrados arbustos que permitissem a subida do bicho, afim de fazer o casulo que era mais tarde tirado e posto à venda. Havia um alternado uso do cômodo no período do inverno, quando não havia trabalho no campo,então montava-se ali um tear, máquina destinada ao fabrico de cobertas para camas. Artefato mastodonte, que por ser grande enchia o quarto de tamanho e barulho rítmico e cansativo Mas não deixava de ser interessante.
No meio de milhares de fios que enlouquecidos, saltavam ora para cima ora para baixo, com o impulso do pé. O tal bailarino corria ora pra direita ora para esquerda, entre eles arrastando uma linha, se puxar uma das duas cordas pendentes, do lado direito ou outra do lado esquerdo do operador. Agora imagine o operador gesticulando. Essa era a ginástica que o homem do campo, na hora de folga, praticava.
Quando choro estas lembranças... Este ser que fui que me fez ser assim agora. Penso que perdi tanto, para depois ser mais um pouco.
Agora que o Senhor acalma a minha mente e desacelera as batidas do meu coração e a visão da eternidade me dá tranqüilidade, aprendo a papear com amigo e afagar uma criança. Percebo Senhor, Tua presença constante no meu coração e no silêncio eu escuto a Tua voz. Obrigado Senhor, pela Tua presença entre nós.
Fran.








segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Olhar: Função ou tentação?
Saibam todos, filhos, netos, sobrinhos, parentes todos, amigos, e porque não dizer, compatriotas. Fizeram de vocês um monte de idiotas. É tudo batota!
Aqui estão os caras. Os caras de pau bonzinhos, mas que fazem vocês todos de cretinos. Os caras que parecem, mas não são. Olhem de frente, bem rente. Homens sem vacilo andam no trilho. Mas tudo tem frente e verso, é aí que aparece o avesso. O trilho acaba e com ele, a retidão.
Olhares que duram meses geram amores até então sem desfecho, não sem algum beijo, êxtase que dá significado à palavra eternidade, amor sem fim como aqueles amores que não lembram ter vivido, tão felizes estavam na ocasião. Mas o tempo passou.
O coração agora bate depressa... Tempos diferentes, o tempo da gente. Podemos dizer agora o que foi em outros tempos? Podemos sim, senhores! A vida para nós não foi um caminho, mas um rio caudaloso que ora lento, ora furioso, transportou-nos onde quis e no embalo passou o tempo, agora na chegada ao estuário, passa-se o tempo a recordar mal feitos, impossíveis de consertar.
Mas se quiserem nos reciclar pulem para nos salvar, não nos deixem afogar. Retornamos para recomeçar. Aprontamos muito? Uma maneira de ver a vida colorida, alegre, toda poesia. Tolos? Não! Tudo o que ficar de nosso é lembrança que envolve os nossos feitos. Observem se serve a uma vida melhor, aproveitem e vivam mais alegres. Guardem-nos na lembrança com justiça e amor, não sejam implacáveis.
Fran.

sábado, 28 de agosto de 2010


Homem também chora

Rua Espírito Santo 500. Até a essa rua o taxista me havia levado, agora estava parado, desamparado. O vasto espaço da entrada do prédio apresentava-me muitas portas dos elevadores que nunca havia enfrentado. Qual deveria escolher? Mas seja o que Deus quiser, vou entrar no primeiro que vier, na porta que abrir, entro, fingindo saber onde vou .Entrei e com um, não sei se gemido ou exclamação indiquei a qual andar iria, mas na verdade nem eu sabia, era a primeira vez que entrava em um elevador, aquele troço subiu veloz uma enormidade,onze andares. Por minha sorte, ao abrir da porta, no fundo do corredor, um grito forte, como grito da consorte vendo o marido ressuscitar da morte, gritou: É ele, é ele! Olhei em volta. Só eu estava á porta Todo este espanto, por esse evento?
Dulcinéia, secretária assistente da diretoria, dispensou-me toda a atenção e me conduziu à moradia, onde ela era filha da patroa, dona da pensão. Agora a sós no quarto, pensava: estou andando há mais de vinte e cinco dias, e agora? Onde estava com a cabeça para cair nessa, longe de tudo e de todos que eram meus e amava? Experimentava agora a ansiedade do mudo que não pode se expressar, porque não sabe o idioma, do cego, porque não sabe se orientar. Logo, a lembrança dos abraços e de todos os laços de parentesco e amizades veio à mente e um aperto na garganta me sufocava. Não era homem? Era, mas também deveria ter chorado. Agora essa lágrima guardada evapora pouco a pouco com o passar dos anos e no lugar persiste a saudade.
Fran.



terça-feira, 24 de agosto de 2010


QUERO-TE
Tinha um altar para rezar.
Uma santa para venerar.
E agora, José? Como vai ser?
Estou sem altar, sem dona para bajular.
Como vai ficar?
Agora que de gente, só tem esta sobra.
Que o joelho não dobra.
Difícil é te pedir perdão.
Querer-te de volta pra mim.
A vida te fez mais sabida.
Sabes que no sofrimento e na dor,
Auxilia o amor,
Não o amor paixão,
Mas o aconchego consolador.
Chamego que me faz.
Apego a ti.
Quero-te, para mim.
Fran.




terça-feira, 10 de agosto de 2010


Versos para virar um coração do avesso

Canta-se: a vida é bela.
Meu Deus do céu, porque tanta pressa no vivê-la
se devagar se nasce morrendo nela?
O morituro de cabeça dura saiba trilhar o caminho.
E deixa-me te amar um pouco
Truque à parte, viver é arte, coisa bela faça com a vida.
Do jeito que puder e seja o que Deus quiser
O meu passo é curto e lento,
O tempo veloz é como o vento, mas não
Leva de ti o meu pensamento
O coração acelerado só pensa no futuro
De felicidade e amor puro
Diga a todos que para mim sem o teu amor não há mais nada
A saudade que persiste me consome
O querer-te me desespera.
Fran.






quinta-feira, 22 de julho de 2010



Ontem Hoje Amanha


Como dizer? Queridos? Diria simplesmente andarilhos, vós que perambulais a procurar a trilha certa. A solidão entristece e fere profundamente o ser humano. A fé, a esperança e a caridade para consigo e o próximo alivia e nos dá meio para alimentar o espírito Não quero aqui vincular a fé à minha crença, nem faço referências, porque nela apóia quanto vos transmito da vivência pessoal. Eu acredito em Deus que vive e reina entre nós. A vossa fé, respeito. Eu espero em Deus, Sua ajuda. Eu tenho certeza da Sua benevolência para com as minhas falhas. Analisando agora algumas fases da vida, que sucedem à maioria de nós. Confiantes nos exemplos e orientações oferecidas, somos convidados a assumir nosso próprio caminho. No explosivo entusiasmo da juventude abrimos os braços ao amor, expressão mais pura do ser humano. Somos dois, nos espelhamos numa nota só, noivos a entrar na igreja no dia do casamento. Enfeitado o chão de tapetes, flores no cabedal dos bancos da capela escolhida a dedo entre as disputadas, dificilmente disponíveis. Amigos aprovam e saúdam (como o povo saudava Cristo na entrada triunfal em Jerusalém). Segue a recepção, freqüentada, barulhenta, interesseira, com o murmúrio dos convidados não sempre contidos, mas sempre fartos. Mas quantos casamentos são feitos sem a presença do verdadeiro Amor, Cristo? Com doação ao próximo, no prazer de servir para contribuir ao conceber novos sêres? Por isso imagino eu, que mais uma vez Ele olha e lamenta, como quando vendo Jerusalém, chorou dizendo: Ai de ti,não ficará pedra sobre pedra, porque tu não sabes reconhecer o tempo da visita de Cristo! Também desse casamento sem amor, não ficará pedra sobre pedra, porque não souberam aproveitar a chegada do Amor, Cristo, na união do casamento. A entrada solene de aparência, deixará a solenidade e fêmera, as flores murchas em pouco tempo. É como a entrada triunfal de Cristo em Jerusalém que se transformou em pedido de crucifixão, a saudação dos amigos se transformará em pedido de separação e divórcio, crucificando-vos. A vida a dois tem o seu Judas que pode vir em forma de ambição na conquista de poder e dinheiro ,proporcionando aparente bem-estar; O beijo traidor é a competição, o desejo do destaque entre amigos, a posição no trabalho, que leva a desavenças e no fim quando a humildade se fizer útil para desfazer mal entendidos, parece humilhante e difícil reconhecer as falhas e pedir desculpas. Nesta hora carente de compreensão esquece-se de servir um ao outro e que a dois, a vida é feita para doação recíproca. Cristo lavou os pés dos seus discípulos. O que devemos nós fazer, se não lavar os pés uns dos outros? Qual valor tem estima, valorização e fama, lá fora?As pequenas falhas de todos os dias vão se amontoando, alicerçadas na intolerância e impaciência,tornando-se espinhos como aqueles que perfuraram a cabeça de Cristo. As carências pessoais, o cruel e injusto julgamento mútuo do casal, a educação dos filhos numa constante e desigual competição de dimensionamento e princípios com a televisão que propicia desavenças e a contrariedade dos pais, leva até a separá-los. Esse injusto processo cruel é tal e qual o julgamento que Pilatos fez a Cristo Jesus, que culminou no sacrifício. A união do casal que não consegue carregar a pesada cruz que se torna tal, também porque não encontrou no caminho do seu calvário um Cirineu que ajudou, acaba desfeita pelo desamor. O arrependimento capaz de propiciar o perdão deve ser manifestado para ouvir a palavra da reconciliação e um dia do Cristo ouvir ”Hoje mesmo estarás comigo no paraíso.” Precisamos entender que a queda nos não leva definitivamente à morte,mas que da queda podemos levantar com mais determinação e experiência e de cabeça erguida, olhando um ao outro,ousando dizer: A minha falha é grande, mas tenho fé e esperança que a vossa caridade me acolha.
Fran

segunda-feira, 19 de julho de 2010



O futuro é nosso
Já se foi o tempo que fazer amor era um acontecimento, agora é um intento, mesmo assim a um leve soprar dos ventos, lá se vai o pensamento levando a razão do intento. Mas se, se fincar os pés e inspirar, é possível! Se as espadas dos heróis estão penduradas, é com as bainhas que se tem que fazer a guerra,é com o sofrimento e saudade que se expia todos os pecados. No acerto de contas tem a quem falta pecados e a quem sobra saudade. Alardear amores do passado, perder o bom, o belo, é dor de cotovelo. De tudo é feita a vida, coisas ganhas ou perdidas, de cada uma aprendi um pouco. Ciente, sou mais experiente.
Mas, vale ao fim do expediente?
Fran

quarta-feira, 7 de julho de 2010


Se souber
A vida é bela. Deixe-a correr do jeito dela.
Deixe-a andar do jeito que ela vai.
Se quiser viver, deixe-se levar.
Do jeito que ficar, vai se adaptar.
No andar do tempo, vai achar onde se acomodar.
Se a esperança e o amor souber cultivar.
Vai ter espaço maior
para guardar qualquer dor.
Fran

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Saber

SABER
O Osaber precisa tempo.
Precisa silêncio para ver e ouvir.
O saber não tem pergunta.
Só resposta,se consultado.
Julga-se o saber pelas perguntas
Elas podem ser evitadas.
As respostas não.
O saber não é de quem mai sabe
Mas de quem menos precisa saber para viver.
Quem saber muito sofre mais.
Quem não sabe, nada sofre.

quinta-feira, 1 de julho de 2010



Passarinho fora do ninho
Do idioma português não sou freguês, pouco sei de matemática e ainda menos de gramática.
Como vê, sou besta de quatro pés, mas lhe digo direitinho sem vacilar. Do pouquinho da minha vida atribulada faço quando puder uma piada, dela aproveito o que puder e seja o que Deus quiser. E enquanto uns caminham para manter o ego e aumentar o chamego, eu caminho com a ilusão de que me mantenho em forma a caminhar no tempo, por mais um tempo.
Fran.

domingo, 27 de junho de 2010


Paixão
Olha, presta atenção ao que digo.
Isto é castigo?
Durmo sonhando com ela.
Acordo pensando nela.
É bonita? É Bela? É?
Não tem nada disso nela.
Mas tem um não sei o que nela.
Que me vira bolha de sabão.
E tudo estoura na minha mão.
Salve quem puder.
Este pobre coração.
Que morre de paixão
.
Fran

quarta-feira, 16 de junho de 2010


FOI.
Qual despedida pode tirar o amor por ti?
Das muitas coisas que eram minhas, leva um pouco.
Ficou a vida a correr no tempo e o pensamento a vagar.
A quem locar este vasto lugar?
O que ficou de ti é pouco para o meu bangalô.
Onde cabe teu desejo e o teu amor.
Fran.

Flerte
Foi no balanço do andar que despertou olhar.
De tudo um pouco, agradou ao caboclo.
Que ao entrevê-la da fresta da janela.
Apaixonou-se por ela.
A insistente observação teve retribuição.
Desabrochou uma flor.
Rosas vermelhas.
Amor
Fran.

quarta-feira, 9 de junho de 2010



Tristeza-Solidão

Não estou nem bom, nem na pior.
Podia estar melhor, mas de tudo um pouco cansado
Amargurado, às vezes triste,
Na solidão no meio da multidão.
É saudade ou a idade?
Na lembrança está presente a falta.
De tudo um pouco, carecer um tanto.
E o dia perde o seu encanto.
Entorno só vazio onde há melancolia,
Retumbam sofrimento e dor na felicidade e no amor
E a espera se faz antiga
Para uma palavra amiga
Escuto o que diz o meu coração,
Os ombros caídos, as mãos trêmulas.
A mensagem oculta, entre palavras costumeiras e superficiais
Descubro a angústia e insegurança mascarada
A solidão escondida.
Valores sepultados pela rejeição e inconcebível falta de afeto.
Diário de expêriencia dura vivida no correr dos anos
Fran.

terça-feira, 8 de junho de 2010



Vida apos os sessenta.

Alem do limiar do tempo pequenina coisa tem grande valor.
Calam fundo os preconceitos.
Impressionante como a vida se organiza.
Vagarosamente, você vai se acostumando com aquilo
que é, aos setenta, oitenta o noventa.
Dorme-se, sou frouxo. Não durmo, sou velho.
Para tanta discriminação tive uma solução.
Sono breve, de leve, em qualquer situação, está de prontidão.
Haja saúde para boa exibição.
A vida é angu de fubá, é amarela.
Arde se comer quente.
Se não agitas, encaroça.
Frio, oxalá,vou te contar. Pode até engolir.
Mas não é tão bom assim.
Fran.

domingo, 6 de junho de 2010



La bambina
Risaltava il nero jabuticaba, degli occhi della bambina.
Ie lunghe ciglie ornamentavano,e proteggevano.
Il nero diamante della bella pelle.
Il tutto esuberante la faceva brillante.
Io l´ho vista, era lí, vicino, davanti, bem vicino a me, com il sorriso aperto.
Invano. Era illusione, io vicino di lei, lei lontana da me.


A menina.
Sobressaia o preto, jabuticaba, dos olhos da menina.
Os longos cílios os ornamentavam, e protegiam.
O negro diamante da linda pele.
O tudo exuberante a tornavam brilhante.
Eu a vi estava ali, perto, de frente, bem rente a mim, com sorriso aberto.
Em vão, era ilusão, eu perto dela, ela longe de mim.
Fran
.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Em Ghiaia di Bonate as aparições (Eu vi.Eu estava lá)
A mente corre no tempo, agora muito longe, como corre de mim o sono que encurta as noites e traz de volta o passado
Ghiaie di Bonate recebe o seu nome do terreno saibroso do Rio Brembo. Faz parte de Bonate Sopra e em pequena parte de Presezzo. Paróquia, eclesiasticamente, desde 1921, Ghiaie di Bonate, foi reconhecida civilmente, depois de muitas contestações, em 29 de março de 1944, na vigília das aparições. É a única paróquia da diocese consagrada à Sagrada família.
O Torchio é um pequeno bairro de Ghiaie que compreende algumas poucas casas perto do rio Brembo, entre uma extensão de campos e um viveiro de coníferas, dominado pelo planalto da Ilha que serviu de anfiteatro para as grandes multidões que estiveram presentes durante as aparições. De fato, entre 13 de maio até 31 de julho de 1944, nesta cidadezinha da região de Bergamo, vieram mais de três milhões de peregrinos, uma maré de pessoas que vieram a pé ou com outros meios colocando em perigo a sua vida por causa dos contínuos bombardeamentos e metralhamentos.
A Segunda Guerra Mundial afligia a Itália com lutas e ruínas. As pessoas viviam na angústiae com privações de todo tipo e o sonho de paz parecia inalcançável. Quando tudo parecia perdido para a Itália e para o mundo, quando o Papa corria o perigo de ser deportado para a Alemanha, a esperança voltou a nascer por milagre. Nesta cidadezinha desconhecida do mundo, no fim de tarde de 13 de maio de 1944, Nossa Senhora apareceu a uma menina de
sete anos.Como havia acontecido em Fátima em 13 de maio de 1917ao decorrer da Primeira Guerra Mundial, Nossa Senhora desce de novo para lançar ao mundo, despedaçado pela Segunda Guerra Mundial, as suas mensagens de esperança e de paz.As aparições de Ghiaie di Bonate foram definidas "O epílogo de Fátima”
Data: Domingo, 28 de maio de 1944.
Um dia de sol forte. Mamãe tinha o firme propósito de ir a Ghiaie di Bonate onde numerosos peregrinos iam animados de grande fé. A viagem de trem foi para mim uma experiência nova.
Na chegada, pessoas e mais pessoas, em cortejo sem fim, não havia espaço para nada,o caminhar foi longo sob o sol forte. Chegamos em um pequeno bairro de Ghiaie, uma extensão de campos e coníferas..
A minha impressão primeira,era de que uma invasão de gafanhotos havia devastado aqueles campos, as coníferas encontravam-se despidas de qualquer sinal que fosse tempo algum, sido um vegetal, o campo pisado em todas as direções. Em lugar cercado, uma pequena conífera determinava o ponto que em anteriores aparições a menina Adelaide via Nossa Senhora. Era o dia que Adelaide após uma semana de preparação em Bergamo, nas Irmãs Ursulinas, receberia a primeira comunhão; ela voltaria ao local das aparições no fim da tarde.
No decorrer do tempo, mais e mais gente reunia-se. A ânsia e o calor eram um tormento para toda aquela multidão calculada em 300.000. Não lembro de ter bebido ou de ter tido fome ou sêde, nem haveria como. Me aconcheguei em um galho de árvore, de pêssego. Lá de cima avistava parte do movimento. Aproximava-se a hora, os debilitados, doentes, enfermos impossibilitados de locomover-se eram transportados e situados perto do cercado. Ao redor não havia lugar para mais uma cabeça, nem sombra para protegê-la. O murmúrio se fez maior. Um pequeno grupo aproximava-se, entre eles, de vestes brancas a menina Adelaide. No cercado, ajoelhou-se. Um profundo silêncio calou na extensão do campo. Um militar fardado aproximou-se de Adelaide, um grito ecoou, não percebi a motivação, o murmúrio dizia da tentativa de, com um tiro na proximidade de Adelaide, assustá-la. Se tal era o propósito, nada valeu. Adelaide lá estava petrificada, com o rosto voltado para o alto da pequena conífera, onde Nossa Senhora manifestava-se pela décima vez. O silêncio voltou. De mãos postas como a rezar, os lábios imóveis, ela permaneceu. De improviso, outro murmúrio que virou grito dos fiéis: O sol está girando ! Tem mil côres ! A conífera ficou branca! Em fração de tempo agitou-se a multidão. Alguns dos enfermos se levantaram eufóricos dizendo-se restabelecidos, outros aos gritos de, milagres ! Milagres ! erguiam as mãos ao céu
Eu estava lá agarrado ao galho de pêssego, como a trucidá-lo de tanta ansiedade, não sei se por ver tanto, ou por espanto. Aos poucos a paz reinou. Conduziram Adelaide de volta,acredito eu,nas Irmãs Ursulinas em Bergamo. Eu olhei em volta, a multidão afastava-se muito vagarosamente, desci da árvore, não sem antes pegar um fruto, que mesmo longe de ser tal, por ser muito prematuro, poderia ser uma lembrança cravado em um coração de barro que mais tarde eu teria feito.O sol já deitou para lá do horizonte. A noite avança, nos deixando na escuridão, mamãe em vão procura um abrigo.Enfim, recolhidos ao pé de uma conífera,nos restava alimentar-nos consumindo um resto que mamãe havia trazido na viagem e descansar. O céu era repleto de estrelas muito brilhantes.( No hemisfério norte as estrelas são em menor quantidade, mas de maior brilho.) No campo um silêncio profundo,mas não por muito tempo; um ruído intenso, surdo, invadiu o céu. Aviões passavam a grande altura.Das bases nos arredores da cidade de Bergamo, potentes fachos luminosos varriam o céu e as balas das metralhadoras traçavam rabiscos brilhantes. Noite atípica que marcou toda uma vida. Mamãe aos quarenta anos tinha todo o vigor de uma camponesa, com recursos para o que desse e viesse.Começava o dia, nos estávamos a caminho para o retorno, mas muitos peregrinos faziam o inverso. Para mim ficou uma lição: A fé move montanhas, mas nada move o homen sem fé e sem esperança .
Fran.








segunda-feira, 31 de maio de 2010


Eu também
A vida precisa todos os dias,
nem que seja de um banal sorriso,
de um olhar, de um tocar,
de estar e ser.
Eu também preciso e quero.
Te amo!
(Para Regina)

domingo, 23 de maio de 2010

Hino nacional (italiano)
Fratelli d'Italia, l'Italia s'è desta, dell'elmo di Scipio s'è cinta la testa.
Irmãos da Itália, a Itália levantou-se, com o elmo de Cipião cobriu a cabeça.
Dov'è la Vittoria? Le porga la chioma, ché schiava di Roma Iddio la creò.
Onde está a Vitória? Que lhe sustém a cabeleira, porque foi como escrava de Roma que Deus a criou
CORO

Stringiamci a coorte, siam pronti alla morte. Siam pronti alla morte, l'Italia chiamò.
Cerremos fileiras, estejamos prontos para morrer. Estejamos prontos para morrer, a Itália chamou.
Stringiamci a coorte, siam pronti alla morte. Siam pronti alla morte, l'Italia chiamò!
Cerremos fileiras, estejamos prontos para morrer. Estejamos prontos para morrer, a Itália chamou.
Noi fummo da secoli calpesti, derisi, perché non siam popolo, perché siam divisi.
Há séculos que somos espezinhados, desprezados, porque não somos um povo, porque nos dividimos.
Raccolgaci un'unica bandiera, una speme: di fonderci insieme già l'ora suonò.
Reúnamo-nos sob uma única bandeira, uma esperança: de nos reunirmos, soou a hora.
CORO

Uniamoci, amiamoci, l'unione e l'amore rivelano ai popoli le vie del Signore.
Unimo-nos, amemo-nos, a União, e o amor revelam aos povos os caminhos do Senhor.
Giuriamo far libero il suolo natio: uniti, per Dio, chi vincer ci può?
Juremos tornar livre o solo natal: unidos por Deus quem pode nos vencer?
CORO
Dall'Alpi a Sicilia Dovunque è Legnano, Ogn'uom di Ferruccio Ha il core, ha la mano,
Dos Alpes à Sicília por toda a parte é Legnano, cada homem de Ferruccio tem o coração, tem a mão,
I bimbi d'Italia Si chiaman Balilla, Il suon d'ogni squilla I Vespri suonò.
As crianças da Itália chamam-se Balilla, o som de cada sino tocou às Vésperas.
CORO
Son giunchi che piegano Le spade vendute: Già l'Aquila d'Austria Le penne ha perdute.
São juncos que dobram as espadas vendidas: a Águia da Áustria já as penas perdeu.
Il sangue d'Italia, Il sangue Polacco, Bevé, col cosacco, Ma il cor le bruciò.
O sangue da Itália, o sangue Polonês, bebeu, com o cossaco, mas o coração as queimou.
CORO

A BANDEIRA NACIONAL (Italiana)
A bandeira italiana nasce na cidade de Reggio Emilia a 7 de Janeiro de 1797, quando o Parlamento da República Cispadana, com base na proposta do Deputado Giuseppe Compagnoni, decreta a utilização universal do estandarte tricolor cisalpino (branco, verde e vermelho), inspirado nas cores revolucionárias e napoleónicas, mas, enraizado desde há séculos em muitos governos locais do Norte. Napoleão, tinha acabado a conquista da Península e deixado muitas repúblicas jacobinas para trás. Ainda que apagadas pela momentânea Restauração austríaca, estas forneceram o impulso decisivo para a “compreensão” da bandeira, entendida não como sinal dinástico ou militar, mas como símbolo do povo, das liberdades conquistadas e, portanto, dessa mesma Nação. Deste modo, sufocado pelo Congresso de Viena, o “Tricolore” voltou a flutuar nos motins de 1831 e em todos os motins populares anteriores ao Risorgimento, até se tornar, após 1848, num símbolo inequívoco da reconquista nacional. Feito mesmo na Primeira Guerra de Independência, por Carlos Alberto de Sabóia (acompanhado pelo brasão d’armas da Casa de Sabóia) ficou em uso durante dezenas de anos, até assistir, com as próprias cores, à proclamação do “Regno d’Italia” (Reino de Itália), a 14 de Março de 1861.
Em 1925 deu-se a definição legislativa dos modelos da bandeira nacional e daquela de Estado (esta deveria ser usada nas residências dos soberanos, nas sedes dos parlamentos, nos escritórios e nas representações diplomáticas, acrescentando ao brasão a coroa real).
Por fim, após a criação da República, um decreto legislativo presidencial de 19 de Junho de 1946 estabeleceu a composição provisória da nova bandeira, confirmada pela Assembleia Constituinte na sessão de 24 de Março de 1947 e inserida no artigo 12.º da nossa Carta Constitucional, que recita: "La bandiera della repubblica è il tricolore italiano: verde, bianco e rosso, a bande verticali e di eguali dimensioni" (a bandeira da República é o Tricolor italiano, verde, branco e vermelho, com bandas verticais e de dimensões iguais).
“Fratelli d'Italia”
O Hino Nacional foi escrito durante o Outono de 1847, em Génova, por Goffredo Mameli e musicado pouco depois, em Turim, por um outro genovês, o músico Michele Novaro. O “Canto degli Italiani” (é este o seu título original) nasceu, portanto, na véspera da guerra com a Áustria. A espontaneidade dos versos e o ímpeto da melodia fizeram dele o mais amado canto da unificação, não só durante a época do Risorgimento, mas também nos anos sucessivos. Não foi por acaso que Giuseppe Verdi, no seu “Inno delle Nazioni” de 1862, confiou ao “Canto degli Italiani” - e não à “Marcia Reale” – o papel de representar a nossa Pátria, juntamente com “God Save the Queen” e “A Marselhesa”. Foi quase natural, que a 12 de Outubro de 1946, o “Inno di Mameli” se tornasse o hino nacional da República Italiana.






sábado, 8 de maio de 2010


Onde vivia
Vivia no norte da Italia, em Olate, nos arredores da cidade de Lecco. Um lugar de poucas moradas agrupadas no vale aos pés dos montes. Muito tempo passou, (mil novecentos e quarenta,) agora é reduzido o lembrar de tudo, Deus sabe das coisas! Reduziu o lembrar para amenizar a dor da saudade. A tecelagem, o pátio, os terraços, as escadarias que davam acesso ao campo e às hortas. Como esquecer ?
Do pátio dava-se entrada à moradia, ao corredor, que parecia afunilar todo o vento que descia dos montes e campos .Digo parecia , porque ao passar o corredor, o vento expandia no amplo terraço que havia em frente às portas de entrada, e permitia ver as moradias inferior e superior,dando acesso também ao banheiro comunitário para duas famílias.A primeira porta, de duas bandas, madeira de lei maciça, aberta de dia a mostrar outra de vidro, de uma banda só, fechada a preservar a privacidade. Abrindo da esquerda para direita, a porta de vidro era entrada para dois cômodos. Um ambiente retangular. Imagine a disposição a seguir. Ao abrir a porta para dentro ocultava-se a pia colocada na reentrância de um vão do tamanho da própria porta, onde também na parte superior estavam expostas as panelas; entre o marco da porta e o canto adjacente, o lixo e a vassoura No continuar à direita,à distância do dito vão um palmo,outra reentrância, a janela;dela e por ela via o meu mundo.Embaixo a funilaria, mais para frente do lado direito, a marcenaria, bem pertinho ao meu lado a janela de um vizinho e à esquerda, distanciada uns quatro metros a de outro. A tecelagem lá adiante a confinar com os campos, determinando uma linha onde bondes e carroças transitavam. Às vezes sumiam no nevoeiro, mas sempre passavam lá, como estava lá aquela montanha enorme e grisalha que imponente dava-me medo, pedra vulcânica, que desprendia pedaços que caiam. A continuar sempre à direita, uns quarenta centímetros acredito eu, o segundo canto do retângulo e o marco da porta do dormitório, ao lado um canapé estilo não sei qual, vamos dizer, Carlota ou coisa parecida.Em seguida o fogão a lenha revestido de ladrilhos verdes espinafre contidos com rebites de cabeça grande,redondas e douradas. Exuberante o conduto da fumaça, saía da parte superior da grossura de um pote de conserva de dois litros, cilíndrico, atravessava no ar o cômodo e chocava-se com a parede lateral bem sobre a lareira.Visual forte também o móvel do canto entre a parede do fogão e a lareira, especial a parte superior onde em cada plano, respeitando a hierarquia, pousavam em fotos os antepassados. Na parte inferior, o reinado de Baco, o vinho indispensável no quotidiano. A cristaleira e lareira dominavam a terceira parede do cômodo, na saliência superior da lareira, entre adornos, dois castiçais de bronze do tamanho de uma garrafa. Na parte inferior a lareira propriamente dita,sempre velada com painel de saco pintado a óleo retratando verdes campos.
A quarta parede em frente ao fogão tinha uma janela de onde via-se o terraço da entrada, à direita um móvel como cômoda , de duas portas, onde estava o fogão de duas bocas a gás, entre o móvel e a parede, no chão o medidor do gás. Á esquerda a máquina de costura, na parede a gaiola do canário junto ao marco da porta de vidro da entrada. Todo isto, rodeando a mesa retangular de perna roliça com o tampo de linóleo. Na descrição da entrada mencionei o terraço e o banheiro comunitário Este merece consideração singular. Por falta de água no local na instalação da privada turca pensou-se em aproveitar a água dos dias de chuvas, para limpeza, despejando em telha colonial a descarga pluvial da morada vizinha. Imagine-se agora no banheiro, agachado no processo a desenvolver,se também as nuvens resolvessem soltar a sua porção. A água misturando, a máquina molhando e lá do fundo do canudo o ronco agudo.
O quarto: Atrás da porta, na parede, um cabide repleto de roupa, uma janela, duas camas de solteiro separadas por cama de casal e criados mudos. Na cabeceira desta, um quadro: moldura larga, lisa madeira brilhante, ressaltando a escultura em bronze, alto relevo, da Virgem Maria com o Menino Jesus.
Completava um armário ladeado de duas cômodas, os móveis todos ornamentados em bronze Como em trono, sobre uma cômoda, protegida com uma redoma, estava: Convite a orar, a imagem da Virgem Maria.
Fran.


quinta-feira, 29 de abril de 2010


A Etiópia Italiana (maio 1936)
Lindo dia de céu azul, mamãe sentada na frente da maquina de costura, cantava e movimentava o pedal com ritmo de música acompanhada pelo canário. Agachado, eu estava ao lado, ora espiando pelo corredor, que dava para o pátio, ora a fuxicar nas gavetas, as bobinas, retroses e carretéis. De repente um estridente soar de sirene ecoou.Todos os campanários do vale juntaram o soar dos sinos.Olhei pelo corredor e assustado,vi uma multidão a gritar de felicidade: A guerra acabou! Toda aquela confusão modificou o meu quieto estar. Havia no pátio uma lixeira de tampa entreaberta.Via-se uma boneca de pano decapitada, apropriei-me e com entusiasmo e gritos de:eh-eh-eh, a arremessava no teto do corredor e por estar úmida, deixava marcas impressas. A costura da boneca não agüentou a tortura e o tronco soltou os braços que a fértil imaginação deu posição na frente do calção. Saltitando com isso entre as pernas, chamei a atenção materna.Se atualmente repressão às estripulias, com tapa é covardia,naquele tempo era sabedoria.Tive a dose do dia.
Fran.

Para Irene.
Hoje chorei um choro mudo pelo nó na garganta, mas estou feliz, feliz por você e com você, que pela perseverança e o saber chega ao fim do trabalho que você colocou como meta. Agradeço a Deus pelo seu saber e pelo reconhecimento que é dado ao seu trabalho.
Papai 26-08-1999

domingo, 25 de abril de 2010

O escargot

Para leitores, amigos e inimigos chamo-lhes de Igos, nome que o pai de conhecido encontrou para todos.
Meus queridos Igos, venho a contar fatos e atos sem era nem beira, mas coisas verdadeiras da minha infância.
O último pedaço da rua a percorrer para a chegada na minha casa, era íngreme. Início da rua, (via Luera, ) dito e indicado na placa afixada na parede da casa à direita bem lá no alto.
Eu morava nos primeiros cem metros, onde na rua a curva continuava à esquerda. A rua tinha uns quinhentos metros
Alternando cinco curvas ora à direita ora à esquerda, acabando em uma pracinha, entrada do palácio.
Piso calçado com brita. De ambos os lados uma valeta
onde na chuva, a água corria. A rua, divisor de terreno o da direita, cercado de muro alto bem acabado que limitava a propriedade de Don Rodrigo. O da esquerda, muro centenário de um agricultor, composto de pedras sobrepostas.O que dificultava para transpô-lo era um emaranhado de espinhosa amora que a seu tempo produzia uma generosa quantidade de frutos.
No tempo nebuloso, úmido e chuvoso que se prolongava, não sei se era o tempo propício, ou por impossibilidade de trabalho e consequente necessidade ou vontade, costumava-se percorrer esses muros, onde velados por vegetação entre as frestas das pedras encontravam-se
Escargot em quantidade, que recolhido, davam apreciado alimento. Papai deixava o escargot ficar um tempo como a descansar, para expurgar-se Dias de divertimento meu. O que não entendia, por que expurgar-se.
Haviam-me ensinado, que expiava-se os pecados no purgatório para merecer o paraíso, mas eles iam na panela.Precisava uma explicação para esta confusão de palavras
Era pobre a minha inteligência ou pouca paciência para explicar?Esta era a questão: em tempo de carestia paciência também carecia.
Fran.

quinta-feira, 22 de abril de 2010



Desejo
Deixa no passado o andar apressado do dia agitado.
Vem ao meu lado!
O agito acabou, a calma agora tornou a estimular e em
te olhar fundo, sentir-te e querer-te junto a partilhar carícias de amor.
A nos tocar leve, por momento breve, a face na face e no abraço apertado o lembrar de ser amado.
Dama, dona, e patroa deste amor adulto e devaneio oculto.
Fran. para REGINA


Dizer piada
A piada é um ramo do conviver, do trabalho, do amor, do contemplar e deduzir, que pode nos levar e elevar.
A vida é um encontro de tudo e todos, com você. Abra os braços e deixa que, amor e felicidade recicla o seu viver.
Fran.
O dia de Natal
A educação era na base do bastão e foi o bastão que recebi naquele Natal.
Naquele período do ano, estava em férias natalinas. O então diácono, Don Giuseppe, reuniu a molecada para visitar os presépios das paróquias do vale. Saiu um bando, a neve alta, a temperaOtura baixa e os ânimos exaltados
A pesar dos tempos difíceis, no início dos anos quarenta, a meninada não dava peso às dificuldades, e a alegria estava presente em tudo. Visitamos muitos presépios, mas, o tempo passou mais depressa que o planejado e, cansados, agora desanimados, voltamos, já atrasados para a refeição. Chegando em casa, mamãe, privada neste dia da presença de meu pai (por estar na Alemanha) por não ter como refeição nada a oferecer, a não ser polenta e queijo, por estar só e desconsolada, estava uma pilha e o bastão cantou. E eu, vítima neste altar de castigo, no quarto fui ficar. Não esquentei a cabeça. Mais do que depressa deitei no chão e no escuro, arrastando com os pés e as mãos, me joguei debaixo do leito. Lá era depósito de batatas que meu tio, agricultor, nos dava.Elas germinavam e não havia outra diversão: arrancar com as mão os chifres que davam, até a calma voltar.
Fran.

Encontro
Convite leve a um toque breve de mestria mão, vibração sonora, toque de mão na corda de um violão. Vibra inteiro, da terra ao céu, este enorme arranha-céu; tamanha intensidade é emoção para um só coração.
Divida comigo este amor amante, este amor titubeante.
Abraça-me só um instante.
Fran.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Solidão
Solidão, te percebo vento forte e frio,nesta estação
da minha vida, que preciso de aconchego e calor.
Ao passar do vento, presente sofrimento e dor.
Preciso de amor.
E se ao passar do tempo o furacão substituir o vento,
haja amor por tanta dor.
Amor, muito amor, a amenizar o que há de vir,
que quero viver superando a sina
com ajuda Divina,
oferecer esta solidão dolorida,
a redimir a vida.
Fran.

Digo a vocês, falo ao vento, as minhas palavras não caem aqui. Parece que não têm peso, mas quando observo melhor, o vento sopra em outra direção. Estou longe de vocês, no tempo e no espaço. Para quem semeei o trigo? As louras espigas agitam ao vento como saudação a quem agora parte.
O vento que sopra nas minhas costas já ultrapassou os montes, mas não venceu, ainda empurra o meu veleiro mais devagar e benévolo. Agora entre o céu e o mar tem mais paz e mais calma, vos amo mais

Fran.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Maria del Moro .
Sempre dizem que antigamente era diferente. Estou falando de um tempo, que passou faz tempo, quando referência para o passar do tempo era o banho semanal, a missa dominical, Natal de vez em quando e a Páscoa também.
Os dias todos azuis e luminosos, à noite com o céu cheio de estrelas e pirilampos, quando frio, o chão coberto de branco...
Eu corria, corria pelos campos... (não te esqueça de mim), era a flor que eu colhia, pequena e azul como dizem ser os olhos de Jesus. Mais violetas e margaridas havia nos campos, mais e mais cores e mais perfume de flores...
Eu tinha mais amigos, havia mais gente amiga em minha companhia...
As freqüentes incursões aéreas naquele tempo de guerra aumentavam e o pessoal que fugia das grandes cidades para se sentir mais protegida na nossa cidade, cercada de carinhos, protegida pelas montanhas e pelos vales, essa gente, na maioria era parente.
Dona Maria e seu filho Alfredo, antigos agricultores, nossos vizinhos, hospedavam o neto e respectivamente sobrinho, Mariolim, moleque de estatura menor, de esperteza superior, meu amigo da cidade grande.
Naquele tempo dividia as travessuras com ele, multiplicando os mal feitos em especial, subtraindo frutos e verduras alheias, das plantações vizinhas.
Quando a chuva nos limitava os movimentos, para todos éramos um tormento. Um dia, o desafortunado foi o tio Alfredo, que tinha o quarto no plano térreo e no superior havia o quarto da vó Maria. Para lá chegar, uma escada de madeira de degrau vazado que se iniciava no quarto do tio Alfredo, dando origem a um espaço que servia como depósito.
Ali era guardada a conserva de pepino no vinagre e como em toda construção antiga, todos os espaços tinham serventia e gatos também ali dormiam.
Um dia, precisamente este nós resolvemos subtrair pepinos de tio Alfredo. Estávamos nós no doce fazer nada, debaixo da escada, comendo pepinos...entrou a avó no quarto para ir descansar como todas as tardes fazia, subiu a escada, mas, na metade, cansada parou, levantou a longa saia e sentou...Nós, lá debaixo, vimos tudo, pensamos que ela tivesse sentado em cima do gato que estava ao lado Saímos correndo gritando: - A vó amassou o gato, ele nem miou...
Fran.











Pensamento – Reflexão
O tempo é frio.
Um neto está gripado.
Minha irmã quer mandar dinheiro, eu não queria.
Irene pediu ajuda ao irmão, e não me disse nada.
Giovanni procurou mamãe.
Teodoro está fechado no quarto, não diz nada.
Cristina quer construir, para fugir do aluguel, não aceita ajuda.
Estou com dor de cabeça.
Raffaello telefonou, o carro deu defeito.
São dois dias que levanto cêdo, mas não queria.
Elisa veio com os meninos, fez lanche.
Davide saiu e não disse onde.
Levei Telma à missa Como o passar do tempo nos limita!.
Regina, são dois dia que sai cêdo, volta à noite
O entusiasmo anima as pessoas.
Como uma viagem distancia!
Foi! Difícil sem!Voltou!Quanto tempo, parece eternidade!
Vou sair, não sei onde vou.Volto logo, cansado.
Um dia vão me levar. Demoro.
1998 Fran.
O passarinho

Quando dei fé, estava diante daquele amor trancado na gaiola. A dona o havia abandonado aos cuidados nossos, porque um gatinho chegou e não podia dividir o seu ninho com felino.
Na nova moradia onde passou a viver, hóspede inesperado, morador improvisado é pensionista bem tratado Foi o jeito de sair de mansinho das garras do felino. Por essa mudança brusca o passarinho nunca mais cantou, dizem ser normal pra o pequeno animal, mas o dono da morada quer que ele cante e a moral levante.
Dizem que para qualquer evento é só dar tempo ao tempo.
Agora o passarinho preso na gaiola, pula prá lá e prá cá
parece gostar, mas o dono da morada desesperado anda pra todos lados e das janelas, não sabe se olha desta ou daquela.
Fran.

Tempo de infância
Vovó Enrichetta, gente miúda, mãe de meu pai e mais quatro filhos: três homens e uma mulher.
Morava em zona rural, de nome Bulciago.
Papai havia saído de lá quando eu ainda era bebê, morava em Olate bairro do entorno da cidade de Lecco, cidade com uma indústria de miudezas várias, de derivados de arame e chapas.
Isso por volta de mil e novecentos e trinta e quatro.
Nos arredores da cidade, em um vale cercado de montes, eu cresci, freqüentei jardim de infância, as escolas públicas, a paróquia do lugar.
Tudo bem. Agora, vocês sabem mais ou menos.
Façam a sua imaginação trabalhar.
A infância era simples, vocês diriam pobre.
Mas eu era feliz. Comia cenouras que colhia das hortas dos vizinhos, comia uvas das parreiras, não furtava, apropriava-me de tomates, cerejas, peras, o que dava de época. Quando nada havia, mastigava um capim de nome “erva cuca,”que só sugava, era um caldo ácido. Enfim, era um pouco eremita, vivia afastado, não tinha muitos amigos, era autodidata nas besteiras que dizia e fazia.
Conto agora uma experiência mal sucedida:
Era época de férias, a meninada estava solta, mamãe havia aceitado o convívio de Benito,cachorro de estimação, estima não tinha muita, mas cúmplice era de mais, Benito era o inseparável seguidor e colaborador dos meus feitos,naquela época, herdeiro de nome, não digo ilustre porque de tal não tinha nada,mas famoso (Benito Mussolini)
Mamãe, acredito eu que mais para sossego dela, que naquele período passava por transtornos físicos,me levou para a casa da vovó Enrichetta com o legado explicito de bom comportamento, mas, subtendido não tolhia a total liberdade do estudo dos animais e vegetais do entorno.Nesta área eu era aplicado autodidata(Fazia tudo sem saber nada)resolvi então que Benito deveria procriar....mas como? Onde?
A casa grande, de paredes grossas, e muitos quartos. Deveria ter um lugar que servisse como
“ canilidade”(maternidade de cachorro)
Vovó criava galinhas, havia pintos soltos no quintal, deveria ter lugar apropriado para pintos nascerem.
Uma tarde ouvi uma galinha cacarejar em um quarto
no andar térreo, um quarto de depósito sempre fechado. Como uma galinha estava lá?Verifiquei.
Ela estava em uma cesta debaixo do parapeito da janela, esparramada sobre uma dúzia de ovos.
Não tive dúvidas: amarrei a patas de Benito e fiz a troca, coloquei a galinha no cesto da roupa suja, e de leve me afastei para dar tempo que o alegre evento se consumasse.
Quando vovó Enrichetta se deu conta da coisa, a coisa era horrorosa. Benito de pata amarela sacudia o emplastro e a galinha espantada pulava como danada. Imagine a situação, tive que admitir que não seria por aí que aconteceria o nascimento dos filhotes de Benito.
Fran





sexta-feira, 16 de abril de 2010


O cartaz.

Talvez esteja errado ao posicionar no tempo os acontecimentos, nunca soube e agora falha a memória para me situar na historia: foi entre mil novecentos quarenta e mil novecentos e quarenta e um.
O tempo demorava a passar, naquela idade: oito ou nove anos
O Menino Jesus, ao chegar o Natal, determinava o espaço de tempo entre um ano e outro. Lá em casa mamãe dizia que de vez em quando Jesus menino perdia o caminho e demorava um pouquinho, às vezes não chegava e o ano alongava, o presente de Natal sumia, ninguém o via..Não havia solução. Era esperar mais um tempão....
Mas, queria dizer, ou melhor, contar, o que aconteceu naquele tempo.Eu estudava, ou precisamente, freqüentava sem estudar muito,em colégio na cidade di Lecco.
Era amigo meu Antonio Cameroni, morador do mesmo bairro,
Sujeito caxias, que entregava tudo o que eu fazia.
Apesar de ser uma distancia boa, nós íamos a pé,chutando latas, tocando campainha das casas, fazendo o que dava na cuca. Coisas malucas.
O dia era bonito, um sol escaldante.
Nós vínhamos atravessando a praça em frente ao palácio municipal, quando me deparei com um cartaz na parede que, deslocado na parte superior, talvez pelo calor, caía como a fazer uma reverência ao meu passar. Eu logo reagi com veemência como quem não tem paciência e passando a mão de baixo para cima gritei: levanta a cabeça! E continuei o caminho, mas ao passar em frente ao portão, lá de dentro saiu uma mão que me pegou pelos panos e com um dedo no nariz queria saber porque fiz aquilo. Não soube dizer.
A infração constatada e a minha moradia anotada, apesar da mentira não vingar, porque o que estava anotado no diário me entregou. Liberado, saí angustiado e magoado: afinal o que teria feito? O que estava escrito naquele cartaz?
No meu saber não cabia tanto, sabia lá o que dizia?
Meu pai corria o risco de ser deportado para campos de concentração nazista.
A minha casa longe, as lágrimas que molhavam o rosto misturavam-se com a poeira, pareciam afetar a visão, não sabia se voltava para casa,ou fugia para os montes. Havia feito algo errado,alguém devia me ajudar.
Fui para casa e contei tudo para mamãe.
Ciente do problema criado, mamãe procurou o conselho de um assessor municipal, morador vizinho e amigo, que a orientou para que meu pai, antes de voltar para casa após o serviço, se apresentasse aos sindicatos como trabalhador voluntário das fábricas da Alemanha. Tal ato seria prova de fidelidade á causa
alemã .Contrapondo a polícia alemã, que esperava a chegada de meu pai para a deportação por causa da rebeldia do filho ao proclame da propaganda nazista, meu pai teve como defesa a apresentação do pedido de trabalho voluntário na Alemanha.
Anos ficou longe, muito sofrimento passamos todos nós.
A guerra gerou perda, fome e frio, mas amigos, vizinhos, todos ajudavam. Um dia papai voltou.
Era noite,quando lá no fundo,na escuridão da rua onde andava, alguém tossiu. Era papai, eu sabia.
Corri, pulei no seu colo, o abracei. As lágrimas acompanham as recordações até hoje.
Fran.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

.

experimentado
ESPERTO = entendido
experto
perito

Experto

Experto é (usualmente um profissional) que conhece princípios básicos fundamentais,e portanto está em condições de julgar uma situação difícil(tanto antes, quanto após acontecida)sabendo porque e como de um problema , onde se tenha passado por cima, descartado ou simplesmente ignorado certos princípios fundamentais.
Vamos dizer: é surpreendente que ao apresentar-se qualquer pessoa, esta possa exercer o experto em algum campo especial e ser qualificada com: uma habilidade em resolver problemas, uma mente bem acordada, muita imaginação, capacidade de concentração, boa memória, interesse profundo no assunto de que se trata.
O experto é aquela pessoa que sabe que a ciência não é nada mais que o sentido comum organizado.
FRAN.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Posição social e profissão
Á vida dá-se um sentido de luta. Todos se aplicam para vencer, ter uma posição e recursos, para que no decorrer do tempo, o fruto de perseverante conduta se torne evidente e real. Mas ás vezes quando a vitoria, posição e recursos são festejados a inata profissão foi abandonada.
O herói cumpriu um papel, não o seu desejo, nem seu desígnio.
Fran.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Para Regina.
Longa demora a espera da tua chegada.O teu estar é luminoso dia da vida minha
No decorrer do tempo, brilha o sol, sopra o vento,
mas firme és tu no meu pensamento e querer estar a sós para te dizer:
Te amo, nós nos amamos
Fran.
Menino feliz
Agora que mais ofegante se tornou o meu andar, agora que minguou o impulso de querer e tudo tornou-se involuntário, surge um spray de lembranças confusas,ás vezes fantasias, que a mente cria a misturar, em dizer coisas perdidas no tempo.
Menino acanhado, observador de dizeres e fazeres dos mais inesperados, funcionário voluntário por imposição, pela sua inquietação, a passar parte do tempo do dia, no jardim de infância com funções várias :Catar excremento de equinos na ruas dos bairros vizinhos, alimentar galinhas e colher ovos, alimentar coelhos, cortar ervas para alimentá-los. Sem restrição, fazia tudo com dedicação. Nas ruas transitavam carroças com cargas de bobinas pesadas puxadas por filas de cavalos de proporções avantajadas, diria, tamanho família ,que o cavaleiro com o estalar do chicote instigava a puxar.O transitar de tanta cavalaria facilitava em limitado tempo colher quantidade a contento, que armazenado em tambores, dava tempo de fermentar para distribuir como ração, um pouco em cada pé de tomate , de feijão,ou em qualquer pé de não sei o que.
Esta é parte da minha vida mansa, da infância feliz.
Fran.

quinta-feira, 8 de abril de 2010


Rotina
Era ritual matutino e comportamento de bom menino, nos acontecimento era co-ajudante e dos eventos espectador. -Está nevando! Tem que levar as galinhas? (Elas dormiam em um canto da cozinha). -Presta atenção! A vermelha quebra os ovos! Verifica com o dedo, se tem ovo a fazer, deixe-a na caixa e limpe a titica. Mãe, doente, dizia ser toda arrebentada por dentro; não sabia o que significava, mas o dia iniciava. Com dois ossos, quatro batatas descascadas, e uma quantidade de água que mãe aprovava,no fogo tudo fervia, fervia. De vez em quando, com a escumadeira retirava a sujeira, ou o que eu achava que era. -Aproveita e tira a poeira dos moveis e das cadeiras! Presta atenção a o fogão, para não queimar a mão! E lá ia o sermão. -Rala o queijo e corta em fatia o pão. Enfim a refeição: água de carne molhando o pão. Não pense que é saudade É coisa de velho que se lembra das raízes e da seiva que o fez homem, da vida, do tempo e do andar do tempo, que exauriram as suas forças e somente em Deus agora espera.
Fran.
Raiz
Quando me falavam de raiz de família me dei conta que também tinha; Não sei se profunda ou superficial, mas sei que tinha seiva suculenta. Certamente a planta estava em terreno de abundantes nutrientes. Após setenta anos, confirmo e agradeço.
Falando em raízes! Para saber, conto quanto contribuíam e contribuem as raízes da família, que já não pertenço:
Era um período difícil, um inverno de muito frio, o fogão precisava da lenha, o forno era essencial.
Mamãe não podia comprar, a molecada junta ia monte acima, bem acima dos campos áridos onde iniciavam as pedras soltas nas encostas dos paredões Lá, arbustos criavam raízes não consistentes, que um leve correr das pedras deixava soltas,a mercê do fraco moleque que tinha jeito de apanhá-los secos, prontos para queimar
Um feixe daqueles galhos secos e pontudos nas costas era um calvário na descida do monte, mas no crepitar do fogo era calor e orgulho para o moleque que, tímido, sentia-se valente e partícipe no sofrimento e na solução dos problemas.
Fran.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Brasileiro.

Um iletrado escreve bobagem.Todo mundo fica calado ?
A mídia tipo globo, fez vocês todos bobos?
Os meus seguidores também são omissos e sem compromisso?
Escevo há semanas e ninguém nem dá uma banana.
Fran.

terça-feira, 23 de março de 2010

A felicidade
Passo a passo percorro no tempo que passa o meu viver.
Cabisbaixo, ando, penso e acho que a felicidade está em mim. Não sabia! Não a preservei? Fugiu? Não. No retrovisor vejo a felicidade do passado que não identifiquei antes, ambiciono tê-la no futuro, e agora, porque ela está em tudo e em todos os lugares que se deseja. Primordial é aceitar e flexibilizar-se nos comportamentos com o próximo, nas palavras e regras, saber compreender as falhas alheias, compartilhar a nossa alegria com todos que nos circundam e ser participe da sua . Quantas, infinitas situações interrompem a felicidade! Como brisa que sopra leve, na face do pedestre, e o revigora, a brisa também pode soltar e levar aquelas sementes que poderiam dar frutos. Aceitar e contornar a alternância e a amargura da vida é segurar a felicidade.
Fran.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Modernidade

Qualidade e modernidade, sempre foram atualidade, não novidade. A coisa não é tão feia como a pintam, com mil caretas, só para ser pintor ou profeta.Tudo o que acontece é atualidade,agora como foi outrora, ou a qualquer hora. Fazer coisas, sem ter o conhecimento, fazê-las só para ser novidade, é insensatez. É preciso olhos abertos e mente evoluída para que no decorrer de uma tarefa se aja com sensatez e cautela. A popularização do conhecimento geral, a experiência e a participação do homem no processo de mudanças, aproveitando sua habilidade e informá-lo dos fins almejados pelas diretrizes estabelecidas é premente e primordial.

Chefe, coronel, sim senhor, dizia-se em tempo passado.

Precisamos agora: ordem, respeito, carinho, balizanento.

Isto na realidade é modernidade.

Fran.M.
Volta.
Voltou ao meu convívio novamente.
Voltaram a acontecer as coisas,
Floresceu uma rosa, uma só
Mas um buquê é união de rosas colhidas, uma a uma,
que se unem num feixe só.
Assim é o amor: persistência, doação que faz a união.
Fran.M. para Regina

sábado, 20 de fevereiro de 2010


Hoje sou Fran.
Teu amigo, se como tal me aceita, Um dia destes, em um "spray "poético saiu a frase: O decantado amor- uma palavra que não me era nova , mas com outro significado,( com o dicionário na mão, desfiz a dúvida.) Haviam duas palavras iguais para significado diferente, Decantar-engrandecer-exaltar-celebrar. Decantar-passar suavemente um líquido, dar tempo a fim de depositar o material suspenso.Interessante como muitas vezes eu não dei o tempo, não analisei e no ímpeto da paixão não soube ver a realidade. Aplicando na vida, dar o tempo ao tempo, faz- nos ver naquele material suspenso muito mal evitado.Agora sei. Vou sair para outra e outra e outra, Então vamos.
Fran.

Amigo.
Todos os dias são difíceis. Quando a juventude avançar tudo é difícil. Eu que o diga; difícil é virar na cama, dormir, levantar.Prevenir a queda é melhor, mas cair não é fracasso,é percalço na vida Cristo caiu quantas vezes? Você acha que o teu calvário vai ser pista de corrida?Vou dizer mais uma vez. Entrar de cabeça, só se tem certeza que tem a agua na piscina.Dizer que tudo serve como experiência, é sapato usado, não serve para velho que já tem calo,nem para novos que têm outras medidas. Às vezes do exemplo de outras pessoa, aproveita-se algumas coisas.O certo é agir, trabalhar o dia todo,um exemplo:as formigas. Eu sou doido?Elas trabalham o dia todo, andam para frente,para traz, param, parecem comunicar-se, organizadas em filas indianas, ficam dias, semanas, parecem nos dizer. Continuar, Perseverar, ecc ecc ecc.
Fran.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Vos digo
Queria contabilizar os "Deus lhe pague" merecidos, e que com Ele a meu favor tivesse pelas minhas imensas falhas, um indulto.
Amigos, apesar de não ter tanto a esperar dos meus feitos, tenho em quem confiar.
Por Ele fui feito, Ele vai perdoar. Na minha idade não dá para remediar.
Desde quando acreditei ser gente, pensava que a refeição na mesa do povo era proporcionada pelo trabalho A realidade é outra, amigos.Aperfeiçoem o antigo,para poupar trabalho.A aplicação da modernidade é coisa certa e sensata, sabedoria também dos nossos pais.
Mantendo as raízes no passado, abrindo os braços ao futuro, acolham o que de útil vem para melhorar e amenizar o trabalho. Mudar não sempre é moderno, todo um período de observações é preciso. É indispensável a valorização humana no que concerne a vontade, e o desejo de criação e participação Com estas metas a seguir, muitos povos traçaram o seu caminho.
Nos temos nosso passado e devemos ter o nosso caminho a percorrer.
Fran. M.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Os velhos capitães

O mar é o de sempre, não sempre calmo, o céu também. Não são os náufragos de velhos barcos que andam a inventar as coisas. O trabalhador tem um sexto sentido, tem a rádio pião:Vê,compara, tem as suas conclusões. De modo geral, não gosta de novidades.
O relacionamento não é fácil e sereno. O trabalhador estranha atitudes, e escolhas muito prematuras de idéias que ainda não tem passado pela peneira do tempo, e reflete naturalmente um outro tipo de formação, menos guiada que a do passado
O jovem tem oratória, boa memória, iniciativa pioneira a ser ouvida, analisada e aproveitada.
O trabalhador é acostumado a um comando mais disponível, mais fácil de encontrar.
O capitão caminhava entre eles, falava das tormentas no convés, os recebia em seu posto.
Agora correndo de uma reunião para outra, não pode dar a mesma atenção; para ser breve, dá a sua solução e o trabalhador é magoado por não ter sido ouvido e nada ter falado.Queixas chegam, mas não há vontade de comentar; valores estão rolando na enxurrada
Os problemas compartilhados dia a dia impulsionariam uma solução, e preencheriam o vazio do comando, abandonado às moscas.
Os mestres, agora encurralados nos seus cantos, entenderiam as faltas, e saberiam transmitir sua solução cada dia, transformada em linguagem que o trabalhador entenderia apesar do sotaque pernambucano, paraguaio ou italiano.
O novo é traído pelo espírito do moderno, o tempo das discussões quentes, é roubado por inúmeros avisos e procedimentos e até algumas repreensões. Sempre muito educadas.
No final o trabalhador sai com a sensação de que algo perdeu e o interêsse pelos acontecimentos cai. Percebe-se a evasão. O novo comando , afeito às dinâmicas de grupos coloca o assunto em pauta e parece divertir-se com os choques de opiniões. Enquanto o comando se omite, cresce quem pretende afirmar seu ponto de vista, sem base técnica ou ética. É fácil prever as consequências: Grupos dissolvidos, divisões, rancores fermentando. Alguns preferem se afastar, devolver o seu posto
Difícil conciliar interesses coletivos com orgulhos feridos e
interesses pessoais. São problemas complexos.Temos muito a pensar e mudar.

Fran.M.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Momento da despedida.

Queridos amigos, nos planos de Deus, sustentados pela determinação e vossa colaboração, percorremos juntos um caminho de trabalho, nesses últimos quarenta anos.
Poderia ter dado mais. Acalentei sonhos, talvez maiores. Tive grandes ilusões. Faltou fé?Esperança talvez.
Breve vos deixarei nesta encruzilhada. O Senhor há de ensinar-me a envelhecer e convencer-me de que não é nenhum agravo se a comunidade vai me exonerar das responsabilidades, se não solicita mais minha opinião, se escolhe outro para ocupar o meu lugar.
O Senhor há de ajudar a despojar-me do orgulho da experiência acumulada e da vaidade em me julgar insubstituível. Que eu saiba ver no gradativo desprendimento das coisas, apenas a lei do tempo. Que descubra nessa tranfêrencia de encargo, umas das palpitantes expressões da vida que se renova, sob o impulso da Providência.
Que eu consiga ser ainda útil, contribuindo com otimismo e com oração, para a alegria e a coragem de quem recebe as responsabilidades. Que eu viva sem perder o contato humilde e sereno com Deus, convosco e com o mundo em transformação, que não lamente o passado, mas saiba fazer dos meus sofrimentos pessoais, um dom de reparação social.
Que o meu afastamento do campo de trabalho seja tão simples e natural como um sereno, feliz e luminoso pôr do sol.
Fran. -09-1995-

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Desabafo e lamentos.
Como todos os anos,mais um passa.
Nunca gostei de festas de ano novo. Rezava, agradecia os dias que Deus me concedia, a refeição dos dias, o sorrir das crianças todos os dias.
Ultimamente um dos meus poucos prazeres, o trabalho, limitou-se a constatar, ver, concordar.
Aceitar tornou-se rotina. A falha lenta, mas implacável da vitalidade, o avanço da impaciência, a visão enfraquecida, a permanente obstinação de exigências não cabíveis,vão ceifando as possibilidades e isolando-me, sem querer deixá-los.
Nos últimos tempos parece-me falhar a perna esquerda que deveria seguir a direita na contínua repetição, ajudando o bater do coração. Dúbia a esperança. Surge a vontade de voltar para o aconchego do lar.
No meu trabalho não há gritos de crianças, flores, ou perfumes, mas desconforto, suor e ruídos, lá está a desejar limpeza , paz e bom ar, mas o meu viver permanece lá, a juventude lá se foi com ideais, princípios, projetos. Com esta voz agora sem brilho do comando, arranhada pela desconfiança, posso ainda dizer: Me enganar, não! Eu quero é voltar para o meu trabalho que talvez não deu teto aos meus anseios, mas acalentou as minhas esperanças, os meus sonhos e
guarda o túmulo dos meus erros.
Comunicar-se vai se tornando difícil, algumas mensagens chegam aos meus ouvidos distorcidas e o meu dizer, ás vezes chega confuso.
Eu precisava falar dos meus sentimentos.Vocês não conhecem meus sofrimentos e ansiedades,
a principio posso não dizer nada, com mais insistência, soltar uma piada, provocar uma risada.
Na verdade com qualquer fera quebra-se o gêlo passando a mão no pelo.
A custo percebem minha orientação e com esforço parecem absorver como se cada sílaba lhes doesse ao engolir. Eu choro em silêncio um choro triste e mudo, pois chorar de verdade não consigo, volto à rotina com o coração angustiado, trazendo na mente o que dói na garganta.Mas algum dias espero estar respirado aliviado, dos feitos do passado.

Fran. 1994

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010



Sexagenário

A princípio, acredito eu, parte de mim é estático, pouco flexivel. O resto da estrutura é elástica, variável, diria até, papel absorvente.
Um processo evolutivo, dinâmico, iniciou na minha vida; se você me conheceu ontem, aqui está outra pessoa. Da vida experimentei mais, encontrei mais coisas nas pessoas que amo e mais amigos ao redor. Estou diferente.
Atribuir valor ao meu ser, por favor, não o faça; estou mudando, aproveitando cada oportunidade, porque se não sabes, a vida é feita de mudanças, esperanças e amor, não perca agora este vento, este feliz momento.
Aproxime-se então, veja, pergunte a meu respeito. No meu rosto, voz e emoção, procure os sinais da mudança e verá que mudei.

Frn.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O dom do amor.
Se não tivesse nada, tenho eu, crente ou ateu, no dom de si, o Criador em mim.
No visão distorcida do contexsto da vida, identificam-se no termo amor, prazer e sexo feito de paixão, não afeto.
Pretenso amor, não como furacão avassalador que passa e deixa destruição e dor, mas quero que tu me invadas como lenta nevada, que mesmo gelada deixa o conforto do teu branco manto, que lembro e acalanto no meu solitário canto.
Adolescentes, jovems e velhos, reflitam como espelhos e sintam a vida aberta a horizontes de amor, alimento da felicidade humana.
Entendam a dinâmica que movimenta e dá sentido à vida, afim de que a tentativa de ser, e a procura da tua autenticidade não sofra, levando tudo ao engano e mágua.
Aspirando um encontro de comunhão, procurando entre grupos, quando convivendo com a diferença de sexo, encontrem o par e o amor, dividam a existência na paz.
Fran.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Vida
Vida é feita de coisas, plantas, bichos, e gentes.
Coisas que passam, bichos que às vezes, ameaçam quem por ganâncias não lhes dá espaço para viver
Vida é feita de coisas sem valor, mas o que lhe dá valor é o suor de quem a construiu com trabalho, fé, e amor.
Vida é feita de plantas que dão sementes, brotam se levantam, como gritos rumo ao infinito, frondosas, imponentes, respeitando os direitos de toda gente
Vida é feita por gente, que com abraço sincero, abraça o desconhecido transeunte, transbordando alegria à procura de companhia.
Triste a vida, quano é sem fé, sem esperança. Deus !-Tende piedade dessas vidas
vazias.
Fran

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Honestidade
Garantia e Qualidade.
Lá pelos idos de mil novecentos e quarenta, as coisas não eram moles para o meu lado.
Meu pai, pintor de paredes, trabalho mal remunerado e emprego prejudicado até pelo frio que congelava o cal, naquele tempo praticamente único material barato e o mais usado. Imperativo tornava-se o aproveitamento, quando possível, de todo o tempo da jornada.
Madrugada. Ainda escuro.Lá vou eu de carona, sentado no cano da bicicleta Bianchi, de olhos fechados, seguro no guidom. No solavanco das pedras, abria os olhos e via a areia puxada pela roda atravessar o feixe de luz gerado pelo dínamo, que lhe dava aparência dourada.
Casa velha,de paredes tortas, úmidas e sujas, que a dona, explicando, gesticulando, quer, limpa, lisa, de cor rosa, com flores vermelhas e o rodapé como grama, bem verde escuro.
-Trouxe o futuro pintor? Diz a madame.
- É o meu único filho,tem que aprender e ajudar, ele vai ficar para passar a primeira demão até onde ele vai alcançar, à tarde eu volto, depois das seis, e nós acabamos.
O segundo dia é mais trabalho,mais fiscalização. A flor, a côr, a dor de cabeça no controle da madame. Como combinado:
-Eu quero que ao encostar nas paredes a tinta não saia na minha saia.
Sai desta ! O velho tinha solução, borrifar solução de leite.
A madame, como combinado, conseguiu naquela carestia, onde faltava o pão de todos dias, sabem o quê ? Um litro de leite.
-Meu filho, agora é com você, sabe como fazer, eu acondiciono tudo nas latas, terminando vamos para casa.
Eu sabia. A bomba, grande, cilindrica como seringa, com peneira na ponta, absorvia o litro de leite diluido em um quarto de água e também comprimia e cuspia pelo bico ao simples toque de uma válvula, gerando uma rosa feito poeira úmida, que a parede absorvia e se tornava indelével.
Já era noite, a fome era tanta mas,Virgem Santa, era impossível esse crime.
O subscrito engoliu o leite.
-Vamos ver ! Disse o pai.
Passou o dorso da mão nas paredes, olhou, me encarou e disse:
-Tropeçou ? Entornou ? Amanhã volta com o litro de leite e faça como te ensinei,
a qualidade do meu serviço é garantida por eu ser honesto
Fran.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Lembranças.
Deitado no escuro, a mente não pára, flutua, uma sensação de levitar nas nuvens.
Ao longe: gritos de crianças, ruidos de carroça.
Abriram as nuvens. Há calma profunda ao redor.
Lembro agora. Claro na mente.
Mamãe me arrasta pela mão, eu choramingando, passando a mão da parede da ruela estreita que nos leva ao jardim da infância.
Uma imensa porta de madeira, cravada de pontiagudos rebites, delimitava para mim o sagrado
e o profano. Começava a vida pública .
O átrio, com o teto em fatias de arcos, me atraía sobremaneira e instigava a imaginação, e propiciava ecoar qualquer canto divino ou nitrido equino.
A seguir, uma passagem clara convida a uma ampla sala com lateral direita toda envidraçada,
predominando nas cabeceiras, de um lado, a imagem de Maria Imaculada e do outro, uma fonte semicircular, e a saída para o pátio.
Contígua, uma sala com amplas janelas de ambos os lados, uma cátedra ao centro sobre um plano elevado, em frente quatro filas de mesas.
Eu encolhido, as mãos sobravam sem saber onde enfiá-las, a calça curta sem bolsos não permitia
disfarçar, o feitio especial tinha um particular a lembrar, dois botões na parte traseira davam
eventual rápida vazão. Como biombo a separar, estava eu lá sentado no meio de uma fileira, divisor das contendas dos baixinhos falantes e provocadores da frente e as girafas, magras, de pernas tortas e desengonçadas da última fila.
A professora, irmã de caridade.A caridade era tanta a sustentar e sobrar para mais de uns quarenta retalhos de gente.
A freira Prescilla toda de hábito e touca pretos, alegre, falante, redonda e risonha, de vez em quando a via enfiar o dedo indicador na touca e coçar, não sei se pela paciência pouca ou pela vontade louca de resfriar a cuca. Se mexe com papel, se corta se cola, se fabrica chapéu.
Chegou o final, tocou o sinal, se lava as mãos, se toma refeição após uma simples oração.
No pátio, a nogueira robusta,de tronco avantajado, estende pelos lados sombras e paz.
Quem queria paz? Queriam confusão,correrias, gritos em profusão.
Bateram palmas ! Ora essa! A abadessa sempre tem pressa, tem sua razão, a hora é de oração.
Juntos, de pé,de mãos postas, eis Senhor! A prece, por este dia, nós agradecemos, e para esta infância invocamos proteção.
Estômago lotado, membros cansados, olhos não mais arregalados, calmos, sem mais estrilos,
prontos para o cochilo.
De braços cruzados, na mesa inclinada a cabecinha a sonhar, a boca a babar.
Para a freira Prescilla, essa hora certamente era o alívio da mente e nessa calma aparente podia rezar calmamente. Que sono restaurador, mas quanto suor, havia mosquitos safados sempre a perturbar, lá fora galinhas apressadas, para a chegada dos ovos anunciar. Ao acordar,
se visitava a capela, ela à frente da fila, Prescilla, a entoar a cantoria: Ô Madre Pia ô Regina Tu del ciel, stendi il manto tutto santo sul tuo popolo fiel. A procissão acabava no portão.
A lição assim era dada, doses poucas mas concentradas. Se o tempo consegue desgastar....
A marca vai ficar.
Fran.