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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Desabafo e lamentos.
Como todos os anos,mais um passa.
Nunca gostei de festas de ano novo. Rezava, agradecia os dias que Deus me concedia, a refeição dos dias, o sorrir das crianças todos os dias.
Ultimamente um dos meus poucos prazeres, o trabalho, limitou-se a constatar, ver, concordar.
Aceitar tornou-se rotina. A falha lenta, mas implacável da vitalidade, o avanço da impaciência, a visão enfraquecida, a permanente obstinação de exigências não cabíveis,vão ceifando as possibilidades e isolando-me, sem querer deixá-los.
Nos últimos tempos parece-me falhar a perna esquerda que deveria seguir a direita na contínua repetição, ajudando o bater do coração. Dúbia a esperança. Surge a vontade de voltar para o aconchego do lar.
No meu trabalho não há gritos de crianças, flores, ou perfumes, mas desconforto, suor e ruídos, lá está a desejar limpeza , paz e bom ar, mas o meu viver permanece lá, a juventude lá se foi com ideais, princípios, projetos. Com esta voz agora sem brilho do comando, arranhada pela desconfiança, posso ainda dizer: Me enganar, não! Eu quero é voltar para o meu trabalho que talvez não deu teto aos meus anseios, mas acalentou as minhas esperanças, os meus sonhos e
guarda o túmulo dos meus erros.
Comunicar-se vai se tornando difícil, algumas mensagens chegam aos meus ouvidos distorcidas e o meu dizer, ás vezes chega confuso.
Eu precisava falar dos meus sentimentos.Vocês não conhecem meus sofrimentos e ansiedades,
a principio posso não dizer nada, com mais insistência, soltar uma piada, provocar uma risada.
Na verdade com qualquer fera quebra-se o gêlo passando a mão no pelo.
A custo percebem minha orientação e com esforço parecem absorver como se cada sílaba lhes doesse ao engolir. Eu choro em silêncio um choro triste e mudo, pois chorar de verdade não consigo, volto à rotina com o coração angustiado, trazendo na mente o que dói na garganta.Mas algum dias espero estar respirado aliviado, dos feitos do passado.

Fran. 1994

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