Oratório
O que eu dizia?.. Dizia agora há pouco,mas não lembro mais
Esta minha juventude adiantada brinca, só lembra com o que já se passou há muito tempo.
Os miolos parecem transbordar só de lembranças do passado que os meus oitenta anos incentivam a recordar
Os sinos da paroquia e do em torno parecem competir,uns tocam ao mesmo tempo,outros
separados. Uns,a primeira, outros a segunda ou terceira chamada, para assistir à Santa Missa, preceito para todos os paroquianos.
Domingo.Dia de tomar banho, de vestimenta melhor, calçar sapatos.
Perdoem vou me colocar lá, na época
Não havia banho, lavava-se o rosto na pia da cozinha.Fora da moradia, no terraço a privada turca era comunitária.
Vestimenta? As de sempre,mas limpas. Sapatos? Os da primeira comunhão.
Papai, mamãe, nós, éramos pobres?Não!Não havia pobres, ninguém sabia a diferença.
Éramos felizes.
Após a Santa Missa os paroquianos confraternizavam-se na pequena praça,
no piso calcado com brita, Brincavam os meninos,e conversavam os adultos até a hora da refeição.Após concluídos todos os preceitos a juventude tinha disponível toda a tarde até ao anoitecer, para brincadeiras e jogos.
Surge aqui o`Oratório.Esta palavra não tem relação nenhuma com oratória,eloquência ou casa de oração mas,de jogos, brincadeiras,leituras, teatros de marionete e muito mais.
Descrever?Impossível Era tudo! Tudo quanto possível dizer.As fotos melhores do mundo não podem revelar o que lá existe.Dos altos eucaliptos que determinam o perímetro do campo,
no outono caem grande quantidade de folhas,onde imaginários cavalos bípedes,pulam,deitam, e relincham envoltos em sonhos de cavalgadas em vastas pradarias
Em recinto reservado,no meio das árvores de amoreira, um carrossel impulsionado manualmente,roda em volta a um eixo tonteando a meninada.
Um grupo bem numeroso,gritando e correndo no perímetro do campo,tenta fugir seguido de quem, com a bola supostamente envenenada,tenta golpeá-lo.
Não sei das medida de um campo para o jogo de futebol,mas aquele campo,era com certeza oficial.O jogo era sério não simples pelada.Jogavam digo, porque,eu por ser a negação por este jogo, tinha contacto com a bola quando acidentalmente desferiam uma bolada na minha testa
Na sala de leitura após um tempo de ensino religioso, a leitura da História Sagrada para infância era,aceita com boca aberta e ouvido em pé Deliciava-nos.
Todas as atividades com mérito eram premiadas,ao findar do ano Na aproximação do Santo Natal eram entregues peças representando personagens que compunham o presépio em quantidade equivalente aos premios conquistados nos jogos.
Nos dias de forte calor, eram as barras de gelo que, moidas no valente moinho, temperavam o corpo, unido a adocicadas essências, licor de tamarindo,anis, ou não sei mais qual ingrediente.
Tenho muito mais a dizer daquele tempo, que manteve e mantém até hoje balizando o comportamento e a ética daquela meninada e juventude agora adulta.
Respeito,obrigação,tradição,dever,tudo parecia inato nos adultos, na juventude e nas crianças, aceitava-se sofrer mais,ter mais amor e compaixão na convivência.
Acredito e tenho fé que a ordem das coisas volte a se ordenar, como a água que vem do céu volta à terra, seu lugar
fran.