Chorando
Mamãe !...Mamãe ! Não responde ?
Não importa, sei que você me ouve.
Lembra aquele dia? Era Natal
Não sai da minha cabeça.
Demorei a voltar,
Naquele tempo de Natal, o diácono Giuseppe em férias,
levou os meninos para visitar os presépios.
Agora entendo...
Você só, na janela da copa, ambiente frio,
lá fora, caía neve.
Camilla minha irmã ? Não lembro. Onde estava ela ?
Mamãe, o teu pensamento estava só com papai,
longe da casa, na Alemanha, sem comunicação
Quando da minha volta, a polenta com queijo já fria,
a minha vestimenta molhada e o meu atraso,
tinham levado ao máximo a sua inquietação.
Entendo, mamãe
Mamãe !..mamãe!..Que bobagem, pedir desculpas,
a punição naquela época era bem vinda e mais,
lembra que a gente guardava embaixo da cama as batatas que tio Giuseppe nos dava?
A cama era alta, eu costumava me esconder debaixo dela.
Lembra!
A penalidade,era a escuridão do quarto
Foi nesse Natal.
que por baixo da cama, na escuridão, arranquei todos
os brotos que nas batatas estavam nascendo.
Mamãe!..Mamãe!..
Porque você nunca disse que nós éramos pobres?
Você não fala, mas você vê,
não estou contando isto para você, você já sabe
Preciso falar !
No escrever, aqui onde estou, ninguém vê,
este choro ninguém entenderia, este choro é de saudade,
de um tempo difícil, mas feliz
Preciso distrair, caminhar, caminhar cansa,
a idade pesa, eu ando com a imaginação,
com o pensamento, ando descalço nos becos e riachos de Olate, que talvez não existam mais,
pensando nos amigos que o tempo levou.
Tempo, tempo !
Por que persiste em me penalizar com a saudade?
fran