Pesquisar este blog

quinta-feira, 29 de abril de 2010


A Etiópia Italiana (maio 1936)
Lindo dia de céu azul, mamãe sentada na frente da maquina de costura, cantava e movimentava o pedal com ritmo de música acompanhada pelo canário. Agachado, eu estava ao lado, ora espiando pelo corredor, que dava para o pátio, ora a fuxicar nas gavetas, as bobinas, retroses e carretéis. De repente um estridente soar de sirene ecoou.Todos os campanários do vale juntaram o soar dos sinos.Olhei pelo corredor e assustado,vi uma multidão a gritar de felicidade: A guerra acabou! Toda aquela confusão modificou o meu quieto estar. Havia no pátio uma lixeira de tampa entreaberta.Via-se uma boneca de pano decapitada, apropriei-me e com entusiasmo e gritos de:eh-eh-eh, a arremessava no teto do corredor e por estar úmida, deixava marcas impressas. A costura da boneca não agüentou a tortura e o tronco soltou os braços que a fértil imaginação deu posição na frente do calção. Saltitando com isso entre as pernas, chamei a atenção materna.Se atualmente repressão às estripulias, com tapa é covardia,naquele tempo era sabedoria.Tive a dose do dia.
Fran.

Para Irene.
Hoje chorei um choro mudo pelo nó na garganta, mas estou feliz, feliz por você e com você, que pela perseverança e o saber chega ao fim do trabalho que você colocou como meta. Agradeço a Deus pelo seu saber e pelo reconhecimento que é dado ao seu trabalho.
Papai 26-08-1999

domingo, 25 de abril de 2010

O escargot

Para leitores, amigos e inimigos chamo-lhes de Igos, nome que o pai de conhecido encontrou para todos.
Meus queridos Igos, venho a contar fatos e atos sem era nem beira, mas coisas verdadeiras da minha infância.
O último pedaço da rua a percorrer para a chegada na minha casa, era íngreme. Início da rua, (via Luera, ) dito e indicado na placa afixada na parede da casa à direita bem lá no alto.
Eu morava nos primeiros cem metros, onde na rua a curva continuava à esquerda. A rua tinha uns quinhentos metros
Alternando cinco curvas ora à direita ora à esquerda, acabando em uma pracinha, entrada do palácio.
Piso calçado com brita. De ambos os lados uma valeta
onde na chuva, a água corria. A rua, divisor de terreno o da direita, cercado de muro alto bem acabado que limitava a propriedade de Don Rodrigo. O da esquerda, muro centenário de um agricultor, composto de pedras sobrepostas.O que dificultava para transpô-lo era um emaranhado de espinhosa amora que a seu tempo produzia uma generosa quantidade de frutos.
No tempo nebuloso, úmido e chuvoso que se prolongava, não sei se era o tempo propício, ou por impossibilidade de trabalho e consequente necessidade ou vontade, costumava-se percorrer esses muros, onde velados por vegetação entre as frestas das pedras encontravam-se
Escargot em quantidade, que recolhido, davam apreciado alimento. Papai deixava o escargot ficar um tempo como a descansar, para expurgar-se Dias de divertimento meu. O que não entendia, por que expurgar-se.
Haviam-me ensinado, que expiava-se os pecados no purgatório para merecer o paraíso, mas eles iam na panela.Precisava uma explicação para esta confusão de palavras
Era pobre a minha inteligência ou pouca paciência para explicar?Esta era a questão: em tempo de carestia paciência também carecia.
Fran.

quinta-feira, 22 de abril de 2010



Desejo
Deixa no passado o andar apressado do dia agitado.
Vem ao meu lado!
O agito acabou, a calma agora tornou a estimular e em
te olhar fundo, sentir-te e querer-te junto a partilhar carícias de amor.
A nos tocar leve, por momento breve, a face na face e no abraço apertado o lembrar de ser amado.
Dama, dona, e patroa deste amor adulto e devaneio oculto.
Fran. para REGINA


Dizer piada
A piada é um ramo do conviver, do trabalho, do amor, do contemplar e deduzir, que pode nos levar e elevar.
A vida é um encontro de tudo e todos, com você. Abra os braços e deixa que, amor e felicidade recicla o seu viver.
Fran.
O dia de Natal
A educação era na base do bastão e foi o bastão que recebi naquele Natal.
Naquele período do ano, estava em férias natalinas. O então diácono, Don Giuseppe, reuniu a molecada para visitar os presépios das paróquias do vale. Saiu um bando, a neve alta, a temperaOtura baixa e os ânimos exaltados
A pesar dos tempos difíceis, no início dos anos quarenta, a meninada não dava peso às dificuldades, e a alegria estava presente em tudo. Visitamos muitos presépios, mas, o tempo passou mais depressa que o planejado e, cansados, agora desanimados, voltamos, já atrasados para a refeição. Chegando em casa, mamãe, privada neste dia da presença de meu pai (por estar na Alemanha) por não ter como refeição nada a oferecer, a não ser polenta e queijo, por estar só e desconsolada, estava uma pilha e o bastão cantou. E eu, vítima neste altar de castigo, no quarto fui ficar. Não esquentei a cabeça. Mais do que depressa deitei no chão e no escuro, arrastando com os pés e as mãos, me joguei debaixo do leito. Lá era depósito de batatas que meu tio, agricultor, nos dava.Elas germinavam e não havia outra diversão: arrancar com as mão os chifres que davam, até a calma voltar.
Fran.

Encontro
Convite leve a um toque breve de mestria mão, vibração sonora, toque de mão na corda de um violão. Vibra inteiro, da terra ao céu, este enorme arranha-céu; tamanha intensidade é emoção para um só coração.
Divida comigo este amor amante, este amor titubeante.
Abraça-me só um instante.
Fran.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Solidão
Solidão, te percebo vento forte e frio,nesta estação
da minha vida, que preciso de aconchego e calor.
Ao passar do vento, presente sofrimento e dor.
Preciso de amor.
E se ao passar do tempo o furacão substituir o vento,
haja amor por tanta dor.
Amor, muito amor, a amenizar o que há de vir,
que quero viver superando a sina
com ajuda Divina,
oferecer esta solidão dolorida,
a redimir a vida.
Fran.

Digo a vocês, falo ao vento, as minhas palavras não caem aqui. Parece que não têm peso, mas quando observo melhor, o vento sopra em outra direção. Estou longe de vocês, no tempo e no espaço. Para quem semeei o trigo? As louras espigas agitam ao vento como saudação a quem agora parte.
O vento que sopra nas minhas costas já ultrapassou os montes, mas não venceu, ainda empurra o meu veleiro mais devagar e benévolo. Agora entre o céu e o mar tem mais paz e mais calma, vos amo mais

Fran.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Maria del Moro .
Sempre dizem que antigamente era diferente. Estou falando de um tempo, que passou faz tempo, quando referência para o passar do tempo era o banho semanal, a missa dominical, Natal de vez em quando e a Páscoa também.
Os dias todos azuis e luminosos, à noite com o céu cheio de estrelas e pirilampos, quando frio, o chão coberto de branco...
Eu corria, corria pelos campos... (não te esqueça de mim), era a flor que eu colhia, pequena e azul como dizem ser os olhos de Jesus. Mais violetas e margaridas havia nos campos, mais e mais cores e mais perfume de flores...
Eu tinha mais amigos, havia mais gente amiga em minha companhia...
As freqüentes incursões aéreas naquele tempo de guerra aumentavam e o pessoal que fugia das grandes cidades para se sentir mais protegida na nossa cidade, cercada de carinhos, protegida pelas montanhas e pelos vales, essa gente, na maioria era parente.
Dona Maria e seu filho Alfredo, antigos agricultores, nossos vizinhos, hospedavam o neto e respectivamente sobrinho, Mariolim, moleque de estatura menor, de esperteza superior, meu amigo da cidade grande.
Naquele tempo dividia as travessuras com ele, multiplicando os mal feitos em especial, subtraindo frutos e verduras alheias, das plantações vizinhas.
Quando a chuva nos limitava os movimentos, para todos éramos um tormento. Um dia, o desafortunado foi o tio Alfredo, que tinha o quarto no plano térreo e no superior havia o quarto da vó Maria. Para lá chegar, uma escada de madeira de degrau vazado que se iniciava no quarto do tio Alfredo, dando origem a um espaço que servia como depósito.
Ali era guardada a conserva de pepino no vinagre e como em toda construção antiga, todos os espaços tinham serventia e gatos também ali dormiam.
Um dia, precisamente este nós resolvemos subtrair pepinos de tio Alfredo. Estávamos nós no doce fazer nada, debaixo da escada, comendo pepinos...entrou a avó no quarto para ir descansar como todas as tardes fazia, subiu a escada, mas, na metade, cansada parou, levantou a longa saia e sentou...Nós, lá debaixo, vimos tudo, pensamos que ela tivesse sentado em cima do gato que estava ao lado Saímos correndo gritando: - A vó amassou o gato, ele nem miou...
Fran.











Pensamento – Reflexão
O tempo é frio.
Um neto está gripado.
Minha irmã quer mandar dinheiro, eu não queria.
Irene pediu ajuda ao irmão, e não me disse nada.
Giovanni procurou mamãe.
Teodoro está fechado no quarto, não diz nada.
Cristina quer construir, para fugir do aluguel, não aceita ajuda.
Estou com dor de cabeça.
Raffaello telefonou, o carro deu defeito.
São dois dias que levanto cêdo, mas não queria.
Elisa veio com os meninos, fez lanche.
Davide saiu e não disse onde.
Levei Telma à missa Como o passar do tempo nos limita!.
Regina, são dois dia que sai cêdo, volta à noite
O entusiasmo anima as pessoas.
Como uma viagem distancia!
Foi! Difícil sem!Voltou!Quanto tempo, parece eternidade!
Vou sair, não sei onde vou.Volto logo, cansado.
Um dia vão me levar. Demoro.
1998 Fran.
O passarinho

Quando dei fé, estava diante daquele amor trancado na gaiola. A dona o havia abandonado aos cuidados nossos, porque um gatinho chegou e não podia dividir o seu ninho com felino.
Na nova moradia onde passou a viver, hóspede inesperado, morador improvisado é pensionista bem tratado Foi o jeito de sair de mansinho das garras do felino. Por essa mudança brusca o passarinho nunca mais cantou, dizem ser normal pra o pequeno animal, mas o dono da morada quer que ele cante e a moral levante.
Dizem que para qualquer evento é só dar tempo ao tempo.
Agora o passarinho preso na gaiola, pula prá lá e prá cá
parece gostar, mas o dono da morada desesperado anda pra todos lados e das janelas, não sabe se olha desta ou daquela.
Fran.

Tempo de infância
Vovó Enrichetta, gente miúda, mãe de meu pai e mais quatro filhos: três homens e uma mulher.
Morava em zona rural, de nome Bulciago.
Papai havia saído de lá quando eu ainda era bebê, morava em Olate bairro do entorno da cidade de Lecco, cidade com uma indústria de miudezas várias, de derivados de arame e chapas.
Isso por volta de mil e novecentos e trinta e quatro.
Nos arredores da cidade, em um vale cercado de montes, eu cresci, freqüentei jardim de infância, as escolas públicas, a paróquia do lugar.
Tudo bem. Agora, vocês sabem mais ou menos.
Façam a sua imaginação trabalhar.
A infância era simples, vocês diriam pobre.
Mas eu era feliz. Comia cenouras que colhia das hortas dos vizinhos, comia uvas das parreiras, não furtava, apropriava-me de tomates, cerejas, peras, o que dava de época. Quando nada havia, mastigava um capim de nome “erva cuca,”que só sugava, era um caldo ácido. Enfim, era um pouco eremita, vivia afastado, não tinha muitos amigos, era autodidata nas besteiras que dizia e fazia.
Conto agora uma experiência mal sucedida:
Era época de férias, a meninada estava solta, mamãe havia aceitado o convívio de Benito,cachorro de estimação, estima não tinha muita, mas cúmplice era de mais, Benito era o inseparável seguidor e colaborador dos meus feitos,naquela época, herdeiro de nome, não digo ilustre porque de tal não tinha nada,mas famoso (Benito Mussolini)
Mamãe, acredito eu que mais para sossego dela, que naquele período passava por transtornos físicos,me levou para a casa da vovó Enrichetta com o legado explicito de bom comportamento, mas, subtendido não tolhia a total liberdade do estudo dos animais e vegetais do entorno.Nesta área eu era aplicado autodidata(Fazia tudo sem saber nada)resolvi então que Benito deveria procriar....mas como? Onde?
A casa grande, de paredes grossas, e muitos quartos. Deveria ter um lugar que servisse como
“ canilidade”(maternidade de cachorro)
Vovó criava galinhas, havia pintos soltos no quintal, deveria ter lugar apropriado para pintos nascerem.
Uma tarde ouvi uma galinha cacarejar em um quarto
no andar térreo, um quarto de depósito sempre fechado. Como uma galinha estava lá?Verifiquei.
Ela estava em uma cesta debaixo do parapeito da janela, esparramada sobre uma dúzia de ovos.
Não tive dúvidas: amarrei a patas de Benito e fiz a troca, coloquei a galinha no cesto da roupa suja, e de leve me afastei para dar tempo que o alegre evento se consumasse.
Quando vovó Enrichetta se deu conta da coisa, a coisa era horrorosa. Benito de pata amarela sacudia o emplastro e a galinha espantada pulava como danada. Imagine a situação, tive que admitir que não seria por aí que aconteceria o nascimento dos filhotes de Benito.
Fran





sexta-feira, 16 de abril de 2010


O cartaz.

Talvez esteja errado ao posicionar no tempo os acontecimentos, nunca soube e agora falha a memória para me situar na historia: foi entre mil novecentos quarenta e mil novecentos e quarenta e um.
O tempo demorava a passar, naquela idade: oito ou nove anos
O Menino Jesus, ao chegar o Natal, determinava o espaço de tempo entre um ano e outro. Lá em casa mamãe dizia que de vez em quando Jesus menino perdia o caminho e demorava um pouquinho, às vezes não chegava e o ano alongava, o presente de Natal sumia, ninguém o via..Não havia solução. Era esperar mais um tempão....
Mas, queria dizer, ou melhor, contar, o que aconteceu naquele tempo.Eu estudava, ou precisamente, freqüentava sem estudar muito,em colégio na cidade di Lecco.
Era amigo meu Antonio Cameroni, morador do mesmo bairro,
Sujeito caxias, que entregava tudo o que eu fazia.
Apesar de ser uma distancia boa, nós íamos a pé,chutando latas, tocando campainha das casas, fazendo o que dava na cuca. Coisas malucas.
O dia era bonito, um sol escaldante.
Nós vínhamos atravessando a praça em frente ao palácio municipal, quando me deparei com um cartaz na parede que, deslocado na parte superior, talvez pelo calor, caía como a fazer uma reverência ao meu passar. Eu logo reagi com veemência como quem não tem paciência e passando a mão de baixo para cima gritei: levanta a cabeça! E continuei o caminho, mas ao passar em frente ao portão, lá de dentro saiu uma mão que me pegou pelos panos e com um dedo no nariz queria saber porque fiz aquilo. Não soube dizer.
A infração constatada e a minha moradia anotada, apesar da mentira não vingar, porque o que estava anotado no diário me entregou. Liberado, saí angustiado e magoado: afinal o que teria feito? O que estava escrito naquele cartaz?
No meu saber não cabia tanto, sabia lá o que dizia?
Meu pai corria o risco de ser deportado para campos de concentração nazista.
A minha casa longe, as lágrimas que molhavam o rosto misturavam-se com a poeira, pareciam afetar a visão, não sabia se voltava para casa,ou fugia para os montes. Havia feito algo errado,alguém devia me ajudar.
Fui para casa e contei tudo para mamãe.
Ciente do problema criado, mamãe procurou o conselho de um assessor municipal, morador vizinho e amigo, que a orientou para que meu pai, antes de voltar para casa após o serviço, se apresentasse aos sindicatos como trabalhador voluntário das fábricas da Alemanha. Tal ato seria prova de fidelidade á causa
alemã .Contrapondo a polícia alemã, que esperava a chegada de meu pai para a deportação por causa da rebeldia do filho ao proclame da propaganda nazista, meu pai teve como defesa a apresentação do pedido de trabalho voluntário na Alemanha.
Anos ficou longe, muito sofrimento passamos todos nós.
A guerra gerou perda, fome e frio, mas amigos, vizinhos, todos ajudavam. Um dia papai voltou.
Era noite,quando lá no fundo,na escuridão da rua onde andava, alguém tossiu. Era papai, eu sabia.
Corri, pulei no seu colo, o abracei. As lágrimas acompanham as recordações até hoje.
Fran.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

.

experimentado
ESPERTO = entendido
experto
perito

Experto

Experto é (usualmente um profissional) que conhece princípios básicos fundamentais,e portanto está em condições de julgar uma situação difícil(tanto antes, quanto após acontecida)sabendo porque e como de um problema , onde se tenha passado por cima, descartado ou simplesmente ignorado certos princípios fundamentais.
Vamos dizer: é surpreendente que ao apresentar-se qualquer pessoa, esta possa exercer o experto em algum campo especial e ser qualificada com: uma habilidade em resolver problemas, uma mente bem acordada, muita imaginação, capacidade de concentração, boa memória, interesse profundo no assunto de que se trata.
O experto é aquela pessoa que sabe que a ciência não é nada mais que o sentido comum organizado.
FRAN.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Posição social e profissão
Á vida dá-se um sentido de luta. Todos se aplicam para vencer, ter uma posição e recursos, para que no decorrer do tempo, o fruto de perseverante conduta se torne evidente e real. Mas ás vezes quando a vitoria, posição e recursos são festejados a inata profissão foi abandonada.
O herói cumpriu um papel, não o seu desejo, nem seu desígnio.
Fran.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Para Regina.
Longa demora a espera da tua chegada.O teu estar é luminoso dia da vida minha
No decorrer do tempo, brilha o sol, sopra o vento,
mas firme és tu no meu pensamento e querer estar a sós para te dizer:
Te amo, nós nos amamos
Fran.
Menino feliz
Agora que mais ofegante se tornou o meu andar, agora que minguou o impulso de querer e tudo tornou-se involuntário, surge um spray de lembranças confusas,ás vezes fantasias, que a mente cria a misturar, em dizer coisas perdidas no tempo.
Menino acanhado, observador de dizeres e fazeres dos mais inesperados, funcionário voluntário por imposição, pela sua inquietação, a passar parte do tempo do dia, no jardim de infância com funções várias :Catar excremento de equinos na ruas dos bairros vizinhos, alimentar galinhas e colher ovos, alimentar coelhos, cortar ervas para alimentá-los. Sem restrição, fazia tudo com dedicação. Nas ruas transitavam carroças com cargas de bobinas pesadas puxadas por filas de cavalos de proporções avantajadas, diria, tamanho família ,que o cavaleiro com o estalar do chicote instigava a puxar.O transitar de tanta cavalaria facilitava em limitado tempo colher quantidade a contento, que armazenado em tambores, dava tempo de fermentar para distribuir como ração, um pouco em cada pé de tomate , de feijão,ou em qualquer pé de não sei o que.
Esta é parte da minha vida mansa, da infância feliz.
Fran.

quinta-feira, 8 de abril de 2010


Rotina
Era ritual matutino e comportamento de bom menino, nos acontecimento era co-ajudante e dos eventos espectador. -Está nevando! Tem que levar as galinhas? (Elas dormiam em um canto da cozinha). -Presta atenção! A vermelha quebra os ovos! Verifica com o dedo, se tem ovo a fazer, deixe-a na caixa e limpe a titica. Mãe, doente, dizia ser toda arrebentada por dentro; não sabia o que significava, mas o dia iniciava. Com dois ossos, quatro batatas descascadas, e uma quantidade de água que mãe aprovava,no fogo tudo fervia, fervia. De vez em quando, com a escumadeira retirava a sujeira, ou o que eu achava que era. -Aproveita e tira a poeira dos moveis e das cadeiras! Presta atenção a o fogão, para não queimar a mão! E lá ia o sermão. -Rala o queijo e corta em fatia o pão. Enfim a refeição: água de carne molhando o pão. Não pense que é saudade É coisa de velho que se lembra das raízes e da seiva que o fez homem, da vida, do tempo e do andar do tempo, que exauriram as suas forças e somente em Deus agora espera.
Fran.
Raiz
Quando me falavam de raiz de família me dei conta que também tinha; Não sei se profunda ou superficial, mas sei que tinha seiva suculenta. Certamente a planta estava em terreno de abundantes nutrientes. Após setenta anos, confirmo e agradeço.
Falando em raízes! Para saber, conto quanto contribuíam e contribuem as raízes da família, que já não pertenço:
Era um período difícil, um inverno de muito frio, o fogão precisava da lenha, o forno era essencial.
Mamãe não podia comprar, a molecada junta ia monte acima, bem acima dos campos áridos onde iniciavam as pedras soltas nas encostas dos paredões Lá, arbustos criavam raízes não consistentes, que um leve correr das pedras deixava soltas,a mercê do fraco moleque que tinha jeito de apanhá-los secos, prontos para queimar
Um feixe daqueles galhos secos e pontudos nas costas era um calvário na descida do monte, mas no crepitar do fogo era calor e orgulho para o moleque que, tímido, sentia-se valente e partícipe no sofrimento e na solução dos problemas.
Fran.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Brasileiro.

Um iletrado escreve bobagem.Todo mundo fica calado ?
A mídia tipo globo, fez vocês todos bobos?
Os meus seguidores também são omissos e sem compromisso?
Escevo há semanas e ninguém nem dá uma banana.
Fran.