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domingo, 25 de abril de 2010

O escargot

Para leitores, amigos e inimigos chamo-lhes de Igos, nome que o pai de conhecido encontrou para todos.
Meus queridos Igos, venho a contar fatos e atos sem era nem beira, mas coisas verdadeiras da minha infância.
O último pedaço da rua a percorrer para a chegada na minha casa, era íngreme. Início da rua, (via Luera, ) dito e indicado na placa afixada na parede da casa à direita bem lá no alto.
Eu morava nos primeiros cem metros, onde na rua a curva continuava à esquerda. A rua tinha uns quinhentos metros
Alternando cinco curvas ora à direita ora à esquerda, acabando em uma pracinha, entrada do palácio.
Piso calçado com brita. De ambos os lados uma valeta
onde na chuva, a água corria. A rua, divisor de terreno o da direita, cercado de muro alto bem acabado que limitava a propriedade de Don Rodrigo. O da esquerda, muro centenário de um agricultor, composto de pedras sobrepostas.O que dificultava para transpô-lo era um emaranhado de espinhosa amora que a seu tempo produzia uma generosa quantidade de frutos.
No tempo nebuloso, úmido e chuvoso que se prolongava, não sei se era o tempo propício, ou por impossibilidade de trabalho e consequente necessidade ou vontade, costumava-se percorrer esses muros, onde velados por vegetação entre as frestas das pedras encontravam-se
Escargot em quantidade, que recolhido, davam apreciado alimento. Papai deixava o escargot ficar um tempo como a descansar, para expurgar-se Dias de divertimento meu. O que não entendia, por que expurgar-se.
Haviam-me ensinado, que expiava-se os pecados no purgatório para merecer o paraíso, mas eles iam na panela.Precisava uma explicação para esta confusão de palavras
Era pobre a minha inteligência ou pouca paciência para explicar?Esta era a questão: em tempo de carestia paciência também carecia.
Fran.

Um comentário:

  1. Com os seus textos posso perceber sua saudade da infância humilde e cheia de aventura...é com uma infância dessas que se faz um grande homem.

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