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sábado, 16 de janeiro de 2010

A viagem.
Não lembro ter contado a vocês.Cheguei apressado ao porto de Genova, embarquei num navio que me trouxe entre balanços e por pirraça,numa constante ameaça. Carcaça de velho torpedeiro transformado em navio de passageiro. Embarcado sem despedida pra um novo mundo, feito vagabundo.Um desencontro na partida privou-me de saber o fim da minha ida, a agonia prolongou-se balançando e chacoalhando por 23 dias, mas afinal uma ideia brilhante teve o navegante,um radiograma me tirou do drama. No porto estava a me esperar o cunhado do amigo meu, para mim o Cireneu. Agora, no Rio de Janeiro, tomamos uma providência, rodamos de agência em agência a procurar o destino do baú enviado dias antes. Com a localização da carga efetivada, deu a minha ida outra virada. Belo Horizonte era a chegada. Na fila do embarque do avião, outra confusão:a aeromoça oferecia bala, cura preventiva (supunha eu ) aos solavancos que o avião daria.Mas para que servia aquele saco que também queria me presentear? O que poderia guardar no saco tão fino e comprido, de plástico transparente apreciado por tanta gente? No decorrer da viagem, descobri o enigma; por efeito da depressão, o que estava no interior da caneta veio a manchar a minha jaqueta, e o disfarçar era todo em vão.A tragédia do momento não abalou a teimosia que naquele dia era tanto do azar, quanto minha.Ao desembarcar, ou sair do ar, resolvi me reanimar.Com ar de descobridor sacudi na poeira o suor, procurei se havia um carregador ao redor, mas nada havia, por sorte minha apareceu um chofer de praça. Olhou, examinou, carregou e transportou-me e os meus pertences onde deveriamos ir, rua Espirito Santo. E tudo acabou em santa paz.
Fran.

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