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domingo, 12 de agosto de 2012




Bola de papel
Embolei, joguei no cesto,saí. Voltei, não sei porque,
olhei para aquela bola de papel e um arrepio correu o meu corpo
Fiquei ali parado, pensando.Sabia o motivo? Sabia! 
Vou contar.
Será que este país que dizem ser o país da bola,não dá bola 
para a bola de papel que me esquentou no frio ?
Lá em casa, não éramos pobres, porque pobre é o rico quando
tem pouco dinheiro no bolso.Mamãe dizia que nós éramos ricos da
graça de Deus.
Quando menino, o inverno é mais frio?Talvez ao encolher-se pelo frio.
nos  dava a sensação que ao lado de tanta neve branca, éramos menores 
e o frio maior. 
Papai no inverno, pela sua profissão ficava sem trabalho.
Era pintor de brocha.As pinturas das paredes eram feitas com cal, sujeita
a congelar.Ninguém pintava casas no frio,esta a razão do desemprego
O fogão a lenha tinha duas funções: espantar o frio e cozinhar.
A lenha era a vilã e o carvão, fora de cogitação.Não haviam
meios financeiros  para adquiri-lo.Em todos os períodos do ano quando
possível, subíamos aos montes, percorríamos os leitos dos rios recolhendo
as raízes, galhos, restos de madeira,cascas e serragem, quando havia.
 Armazenava-se tudo em um casebre rústico comum a toda a comunidade
onde cada qual tinha um espaço determinado
 Cercado com tábua o canto reservado para a bola de papel que
o vô Francesco instruiu a Davide, meu pai como fazer, 
E haja papel! De molho no tambor onde papai o depositava, a água degradava,
a robusta mão comprimia e o sol secava, Nada iria sobrepôr a tanto
querer. A bola queimando, vence e substitui o carvão e a lenha. O frio ?
Ninguem mais sentia.    
                                             fran.



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