Deem mais amor,compreensão !
Despejava o resto de papel,
que ficara no fundo de uma gaveta.
Reparei escrito sobre um retalho, o dizer:
Ontem me senti frustado! Em pé, calado, parado,
frente a uma vitrine enfeitada, vi além do vidro,
aquele brinquedo que tanto queria.
Poucas palavras que podem limitar toda uma vida.
Nos educaram assim.
A privação era dita aceitação do destino,
para alcançar recompensa no mundo futuro.
Eramos novos, jovens, burros, ou feitos tais.
Vim para o Brasil em mil novecentos e cinqüenta e quatro
Havia carência de tudo um pouco.
Agora, eletricidade, microondas, passam nas torres
que calejaram as minhas mãos
Em muitos lugares no mundo, há trabalhos feitos por nós.
Velho, cansado, após quarenta anos de serviços neste pais,
casado com brasileira, pai de oito filhos,
Aposentado dei o que pude.
Não importa se não cidadão brasileiro.
Eu quis assim!
Chega ao meu ouvido o dizer de um tal Fernando
chamando-me vagabundo ?
Diante de uma visão tão frustante, aquele brinquedo
que seria prêmio, realização, amor, compreensão,
ainda continua atrás do vidro?
Continua a inexistência até de um parabéns?
O que deviam para nós, não há.
Sobrevivemos
Muitos trabalhadores precisam de trabalho e generosidade
Deus queira que o capital produtivo seja disponível
para proveito de muitos
fran.
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