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sexta-feira, 17 de abril de 2015

Desabafo e lamentos


 Em 1983 Acometido por isquemia cerebral .prontamente  percebida por Regina, minha esposa. Uma rápida intervenção evitou consequência graves Prolongava-se leve sequelas imperceptível mas de forte percepção psicológica  por vários anos causando sofrimento 
Em 1994 abandono o trabalho e assumo  a aposentadoria 
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Eu precisava falar dos meus sentimentos.
Vocês não conhecem meus sofrimentos e ansiedades, a princípio posso a não dizer nada, com mais insistência, soltar uma piada, provocar uma gargalhada Como todos os anos, passa mais um  
Nunca gostei de festas de ano novo. Rezo, agradeço os dias que Deus me concede, a refeição do dia, o sorrir das crianças todos os dias.
Ultimamente um dos meus poucos prazeres, o trabalho, limitou-me a constatar, ver, concordar. Aceitar tornou-se rotina. A falha lenta, mas implacável da vitalidade, o avanço da impaciência, a visão enfraquecida, a permanente obstinação de exigências não cabíveis, vão ceifando as possibilidades e isolando-me, sem querer deixá-lo.
Nos últimos tempos parece-me falhar a perna esquerda que deveria seguir a direita na contínua repetição, ajudando o bater do coração. Surge a vontade de voltar para o aconchego do lar.
No meu trabalho não há gritos de crianças, flores, ou perfumes, mas desconforto, suor e ruídos, lá estão a desejar limpeza, paz e bom ar, mas o meu viver permanece lá, a juventude lá se foi com ideais, princípios, projetos. Com esta voz agora sem brilho do comando, arranhada pela desconfiança, posso ainda dizer:  Eu quero é voltar para o meu trabalho que talvez não deu teto aos meus anseios, mas acalentou as minhas esperanças, os meus
sonhos e guarda o túmulo dos meus erros.
Comunicar-se vai se tornando difícil, alguma mensagem chega     distorcida aos meus ouvidos e o meu dizer, ás vezes é confuso.
Poucos perceber minha orientação e com esforço parecem entender, como se cada sílaba lhes doesse ao engolir. Eu choro em silêncio um choro triste e mudo, pois chorar de verdade não consigo volto para a rotina com o coração angustiado, trazendo na mente o que dói na garganta. Mas um dia espero estar respirado aliviado, dos feitos do passado.

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