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sexta-feira, 2 de maio de 2014

 
 
As hortênsias

 
Eu morava em um amontoado de construções antigas ao pé de um promontório.
Bem no começo da rua tortuosa que delimitava e cercava com muro o chamado castelo de Dom Rodrigo (Personagem do romance, Os noivos  De Alessandro Manzoni).
O proprietário, na época ocupava uma construção ao pé da colina  onde ao lado morava também o zelador e agricultor das terras da propriedade.
A construção em formato de U com  frente delimitada a direita e a esquerda por  muros de três metros e altura de um, tinha ao centro uma grade ornada em ferro batido de dois por  dois metros. Atrás dos muros, uma cerca viva composta com arbustos de hortênsias que em flor, escondiam o lindo jardim e disputavam com o azul do céu  ornamentando a rua em frente
Sombria e larga a rua era onde  a turma costumava brincar.
Aquele dia estava só, as flores me  seduziram, subi no muro e arranquei uma
Não pergunte por que, não saberia dizer, só sei que foi a causa do problema.
No mesmo instante que pulei do muro o neto do zelador apareceu.
 Moleque da minha idade, bem mais robusto querendo tomar a  hortênsia da minha mão.
 Logo passamos a vias de fato, ele tinha braços maiores eu não tinha possibilidade nem de chegar  perto,
 Desesperado baixei a cabeça e como cabrito o golpeei no peito e o menino caiu imóvel.
Neste instante o avô dele apareceu, eu sai correndo acreditando ter matado o menino. O avô me perseguiu eu corria e olhava para trás, 
me pareceu ter visto um(carabiniere) policial correndo também atrás de nós.
Eu tinha uma boa vantagem.
 Um casebre antigo, um estábulo destinado agora a refúgio  antiaéreo estava perto.
 Lá me escondi no cocho, parecido um canal de cimento e ali  fiquei uma eternidade,
Acredito ter dormido
Presumindo que a calma tinha voltado e nem pensando o que ocorreu
com cara mais lavada fui para casa.
 Olha o acaso!
Mamãe tinha um irmão agricultor, morava uns cinquenta quilômetros da nossa moradia e neste período da guerra, que tinha falta de muitas coisas, de vez em quando  vinha  de bicicleta e trazia um pouco de batata  que ele cultivava, mamãe depositava em baixo da cama.
Aquele dia o tio chegou não pra trazer batata, mas para nos dizer que foi chamado pelo serviço militar na cidade
Ele era (carabiniere) policial. 
O uniforme muito bonito com componentes dourados e outros vermelhos, era imponente, impressionava
Por coincidência ele presenciou o velho correndo tentando me alcançar e o interpelou a respeito.
Sabia então do ocorrido
Quando cheguei em casa havia demorado e mamãe estava pensando as piores coisas, me vendo são e salvo com a proteção do tio, me safei da surra  
fran.




2 comentários:

  1. Teodoro Magni
    Boas lembranças. É bom ter esse registro, muito bem escrito

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  2. Claudia Magni
    Boa...que tio era esse? qual o nome dele? Tô adorando as his (es) tórias.. beijos


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