Não chora?
Mamãe
tanto fez e insistiu que conseguiu em colégio de irmã
a minha
frequência gratuita nas aulas de reforços para o ano
vindouro recuperar
o ano perdido
O colégio
distanciava um seis quilômetros
As freiras
eram exigentes, tinha que me apresentar bem trajado.
Eu não
tinha muitas roupas deu-se um jeito. Os sapatos-tênis eram
Brancos de
lona com sola de borracha flexível, .
Dispersivo,
aéreo, lá ia eu pelo caminho, Um furgão na passagem estreita em frente ao
jardim da infância, passou lento e próximo a mim aproveitei e me agarrei, me
deixei levar fui... fui...
Quando
tentei me soltar, pondo levemente um pé no chão,
um esbarro
violento golpeou a sola do pé, na dor forte soltei o furgão, rolei no chão.
Pensei homem não chora, mas o que vou fazer agora?
Continuei
o caminho. No pátio do colégio, cheguei cedo e deu tempo para jogar até Bola
envenenada (Um jogo da minha infância) a tempo
de fazer outra trapalhada. A bola caiu em uma piscina em forma de bacia que havia no meio do pátio,
para recuperá-la, segurando a borda da piscina tentei apanha-la mas com o lodo lá depositado,
não consegui segurar e deslizei até o meio da piscina. Foi difícil até para
sair.
Prestes a
iniciar aula, só tive tempo de torcer a calca. Naquela aula houve o maior
processo de secagem que teve duração prolongada pelo período do castigo .Quando livre, maldade pura, a esta altura o
pé não cabia onde devia e com sapato na mão, saltitando pelas vias ia como
podia, cheguei à metade do caminho.
Uma rua
chamada Relembrança divisa do bairro onde morava e o bairro vizinho. É uma rua
ladeada à direita de árvores, distanciada uma da outra por três metros, cada
uma tem proteção que sustenta também uma placa em bronze com nomes e datas dos combatentes que morreram na
primeira grande guerra.
Saltitei
entre uma árvore e outra descansando encostado nelas até o final da rua, mas o pé inchado latejava,
parecia que o coração tinha deslocado para lá, coloquei a pasta no chão e nela
sentei. O céu escurecia. Homem não chora, É mentira, o rosto estava molhado o
nariz escorrendo. Na esquina via a praça, a porta da igreja. os santos Vitale e
Valeria na fachada e pensava comigo: Eles não vão ajudar?
A rua
escura, a umidade da roupa não inteiramente seca, a dor persistente e o atraso para
a chegada em casa, piorava a ansiedade.
Enfim uma
tênue luz se aproximava, era a luz de uma bicicleta,
Parou, me
olhou, era o filho do senador Ferrari, encostou a bicicleta ao tronco de uma árvore,
me colocou sentado no selim e empurrando
subida acima me deixou em casa sentado na cadeira.
O começo do martírio prolongou por semanas, até que o
pus formado pelo processo infeccioso fosse interrompido e por uma incisão
feita, uma limpeza propiciou completo
restabelecimento.
fran
ResponderExcluirGiulia mf
22:45 (Há 9 horas)
Vô, adoro ler suas histórias de lembranças da infância e tudo mais. São muito divertidas e também muito bonitas. Muito se pode aprender lendo esses casos de alguém que teve uma vida tão diferente da nossa e que tem tanto conhecimento a mais que nós pra nos transmitir, mesmo que em poucas palavras. Espero que continue escrevendo sempre. Beijo da sua neta Giulia.
Oi pai,
ResponderExcluireu adorei mas fiquei com com peninha! Mandei para os meninos lá de casa porque não sei se você envia para os emails deles e do ricardo.
Pensei porque será que você era tão retraido; não expôs na escola a sua dor ou pediu ajuda! a Tia Camila não te "protegia"? Você era muito reprimido. mas toda criança tem ou elege o seu "porto seguro". Qual era o seu? O seu colo e consolo?
Bjão
Elisa