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segunda-feira, 5 de maio de 2014



Não chora?
Mamãe tanto fez e insistiu que conseguiu em colégio de irmã
a minha frequência gratuita nas aulas de reforços para o ano
vindouro recuperar o ano perdido
O colégio distanciava um seis quilômetros
As freiras eram exigentes, tinha que me apresentar bem trajado.
Eu não tinha muitas roupas deu-se um jeito. Os sapatos-tênis eram
Brancos de lona com sola de borracha flexível,  .
Dispersivo, aéreo, lá ia eu pelo caminho, Um furgão na passagem estreita em frente ao jardim da infância, passou lento e próximo a mim aproveitei e me agarrei, me deixei levar fui... fui...
Quando tentei me soltar, pondo levemente um pé no chão,
um esbarro violento golpeou a sola do pé, na dor forte soltei o furgão, rolei no chão. Pensei homem não chora, mas o que vou fazer agora?
Continuei o caminho. No pátio do colégio, cheguei cedo e deu tempo para jogar até Bola envenenada (Um jogo da minha infância) a tempo  de fazer outra trapalhada. A bola caiu em uma piscina  em forma de bacia que havia no meio do pátio, para recuperá-la, segurando a borda da piscina  tentei apanha-la mas com o lodo lá depositado, não consegui segurar e deslizei até o meio da piscina. Foi difícil até para sair.
Prestes a iniciar aula, só tive tempo de torcer a calca. Naquela aula houve o maior processo de secagem que teve duração prolongada pelo período do castigo  .Quando livre, maldade pura, a esta altura o pé não cabia onde devia e com sapato na mão, saltitando pelas vias ia como podia, cheguei à metade do caminho.
Uma rua chamada Relembrança divisa do bairro onde morava e o bairro vizinho. É uma rua ladeada à direita de árvores, distanciada uma da outra por três metros, cada uma tem proteção que sustenta também uma placa em bronze com  nomes e datas dos combatentes que morreram na primeira grande guerra.
Saltitei entre uma árvore e outra descansando encostado nelas  até o final da rua, mas o pé inchado latejava, parecia que o coração tinha deslocado para lá, coloquei a pasta no chão e nela sentei. O céu escurecia. Homem não chora, É mentira, o rosto estava molhado o nariz escorrendo. Na esquina via a praça, a porta da igreja. os santos Vitale e Valeria na fachada e pensava comigo: Eles não vão  ajudar?
A rua escura, a umidade da roupa não inteiramente seca, a dor persistente e o atraso para a chegada em casa, piorava a ansiedade.
Enfim uma tênue luz se aproximava, era a luz de uma bicicleta,
Parou, me olhou, era o filho do senador Ferrari, encostou a bicicleta ao tronco de uma árvore, me colocou  sentado no selim e empurrando subida acima me deixou em casa sentado na cadeira.
O começo  do martírio prolongou por semanas, até que o pus formado pelo processo infeccioso fosse interrompido e por uma incisão feita, uma limpeza  propiciou completo restabelecimento.
fran
 
 
 


2 comentários:












  1. Giulia mf
    22:45 (Há 9 horas)
    Vô, adoro ler suas histórias de lembranças da infância e tudo mais. São muito divertidas e também muito bonitas. Muito se pode aprender lendo esses casos de alguém que teve uma vida tão diferente da nossa e que tem tanto conhecimento a mais que nós pra nos transmitir, mesmo que em poucas palavras. Espero que continue escrevendo sempre. Beijo da sua neta Giulia.

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  2. Oi pai,
    eu adorei mas fiquei com com peninha! Mandei para os meninos lá de casa porque não sei se você envia para os emails deles e do ricardo.
    Pensei porque será que você era tão retraido; não expôs na escola a sua dor ou pediu ajuda! a Tia Camila não te "protegia"? Você era muito reprimido. mas toda criança tem ou elege o seu "porto seguro". Qual era o seu? O seu colo e consolo?
    Bjão
    Elisa

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