Sonho,
O que a mente tem presente em si mesma, a imagem, o pensamento, o desejo, o fato do dia, lembrança do passado, nostalgia, saudade.
Tive um sonho Vislumbrava-se a idade, setenta, ou mais um pouco.
Subia devagar o pequeno aclive que unia a próxima rua á direita com a rua central onde estava .
Na esquina quatro rapazes bem trajados conversam animados.
Com licença! Interrompendo a conversa, fiz uma pergunta.
Vocês podem imaginar quem sou eu?
Os rapazes surpresos, desajeitados, mantiveram o silêncio.
Percebi o meu erro, como podiam supor quem eu era?
Para isso, teriam que ter setenta e oito, ou oitenta e quatro anos.
Falei então: Desculpem! Vocês poderiam me dizer,
se da minha idade, há muita gente aqui?
E qual a sua idade? Perguntaram em coro.
Oitenta e dois!
A indagação teve resposta direta.
A resposta facilitava o devaneio e a meditação.
A resposta facilitava o devaneio e a meditação.
Olhei em volta, estava em frente a pequena praça da igreja. Um padre atravessa apressado.
Levantei o rosto olhei a frente da igreja. Não havia mudado nada, no nicho os Santos Vitale e Valeria,
Levantei o rosto olhei a frente da igreja. Não havia mudado nada, no nicho os Santos Vitale e Valeria,
patronos da paroquia de Olate estavam lá
Completando os trinta passos que distanciavam da porta, entrei, fiz a reverência
O silêncio parecia refletir paz e lembrança dos tempos que vivi ali.
Uma duvida. Eu estava ali?
Uma duvida. Eu estava ali?
Nos assentos mais á frente algumas pessoas, de joelhos rezavam, aproximei-me no intuito de reconhecer ou ser reconhecido por alguém, eram pessoas de mais idade, havia esta probabilidade.
Desloquei-me à direita e esquerda da balaustrada na frente do altar, me viram e as vi mais de perto, não me reconheceram e não as reconheci.
Retornei à praça pensando comigo.
Aqui vivi tanto tempo,
as mil almas que aqui viviam foram todos pela vida eterna?
E de Cechino? Nem um tênue rastro ficou de mim?
Estava triste, abaixei a cabeça e continuei andando na rua que ladeava a igreja
Virando levemente à esquerda bem na esquina da base do campanário,
Inicia uma rua de terra batida, um pó cinza de calcário cobre o piso.
Não reconheço os palacetes, não são os que havia.
Neste casarão, Mario bem no alto, na frente pintava figuras de Santos.
Para bem dizer pintava o sete com os Santos.
A construção foi reformada!
Pouco à frente cruza uma via asfaltada. Existe há muito tempo!
Mais adiante, a rua bifurca, viro a esquerda.
Ando vinte metros, uma minúscula capela lembra e convida a rezar
em reparação a Deus nas Santas Espécies.
Um sacrilégio ocorrido.
Em lápide estão gravadas as frases
Qui dove mani scellerate la notte del 16 gennaio del 1921
al fango e al lezzo dela strada gettarono le Sante Especie,
Lendo estas palavras acordei
Estava sentado no degrau da minúscula capela,
Levantava para continuar o meu andar rumo à vila onde muito tempo morei.
Mas acordei, acordei repleto de saudade
e um tanto de tristeza.
No sonho também ninguém me reconheceu
Por que tanta saudade de um lugar sepultura do meu passado
dos meus pais e amigos ?
fran
claudia magni
ResponderExcluir16:55 (Há 4 horas)
tudo que vivemos faz parte da gente, do que a gente é....mesmo lá dentro escondidinho é parte da gente, nunca sai, nunca é esquecido, fica guardado. saudade da gente mesmo e do que fomos...é estranho, mais existe. hoje somos o que somos + o que fomos um dia. de vez em quando, acho q esses dois, o que éramos e o que somos se encontram e um pode ter saudade do outro. LINDO, E EMOCIONANTE, BOM ESCREVER..SONHAR ENTÃO, UMA BELA OPORTUNIDADE.
Francesco,
ResponderExcluirAs cenas de infância, os pais os amigos e os lugares estão para sempre gravados no nosso coração e na memória.
Não há como esquece-los, os sonhos os trazem à consciência.
Grata, boa noite.
Iara
cristina.magni@bol.com.br
ResponderExcluir20:09 (Há 1 hora)
para mim
Parabens!!Ficou li, ótimo!!
Oi pai!
ResponderExcluiradorei seus escritos! Você se supera! E quem te vê nem imagina que você pensa e sente essas coisas. Acho que é assim um pouco com todos nós! Quem nos vê muitas vezes quase sempre nos conhece pouco!
Mas que bom que vc consegue se exprimir nos seus escritos!
Beijo Elisa
Que nostalgia! É impressionante como as imagens da infância e da juventude ficam marcadas em nossa mente e na maior parte da vida não temos consciência disso....já ouvi várias pessoas de mais idade relatarem o que acontece com vc, pai...! À medida que ficamos mais velhos vamos nos lembrando de coisas cada vez mais
ResponderExcluirantigas...de nossa primeira infancia...não é incrível?!!!!
bj
Irene
Teodoro Magni
ResponderExcluir12:52 (Há 1 hora)
Também achei essa crônica, incomparavelmente, a mais bonita que ja escreveu!
ResponderExcluirNossa Cristininha, encaminhei para meus irmãos, achei tão profundo e lindo!!! Eu sempre gostei de literatura na escola, adora ler textos profundos de períodos literários, e cada linha me encantava mais.... Este texto me lembrou meus períodos de escola que ficava vidrada em algumas textos de obras literárias, amei...Eu lia e caminhava com seu pai.... impressionante..
Parabéns para Fran!!
Bjo!