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sexta-feira, 19 de junho de 2015

Maria Del Moro


Sempre dizem que antigamente era diferente. Estou falando de uma época em que a referência do passar do tempo era o banho semanal, a missa dominical, Natal de vez em quando e a Páscoa também.
Os dias todos azuis e luminosos, à noite com o céu cheio de estrelas e pirilampos.
Eu corria, corria pelos campos“Não te esqueça de mim” era a flor que colhia, pequena e azul como dizem ser os olhos de Jesus. Mais violetas e margaridas havia nos campos, mais e mais cores e mais perfume de flores...
Eu tinha mais amigos, havia mais gente amiga em minha companhia...
As frequentes incursões aéreas naquele tempo de guerra, aumentavam e o pessoal fugia das grandes cidades para se sentir mais protegido na nossa cidade, cercados de carinhos. Protegida pelas montanhas e pelos vales, essa gente, na maioria era parente.
Dona Maria e seu filho Alfredo, antigos agricultores nossos vizinhos, hospedavam o neto e respectivamente sobrinho, Mariolim, moleque de estatura menor, de esperteza superior, meu amigo da cidade grande.
Naquele tempo dividia as travessuras com ele, multiplicando os mal feitos, em especial subtraindo frutos e verduras alheias das plantações vizinhas.
Quando a chuva nos limitava os movimentos, para todos éramos um tormento. Um dia, o desafortunado foi o tio Alfredo, que tinha o quarto no plano térreo e no superior havia o quarto da avó Maria. Para lá chegar, uma escada de madeira de degrau vazado que se iniciava no quarto do tio Alfredo, dando origem a um espaço que servia como depósito.
Ali era guardada a conserva de pepino no vinagre e como em toda construção antiga, todos os espaços tinham serventia e gato também ali dormia.
Um dia, nós resolvemos subtrair pepinos de tio Alfredo. Estávamos nós no doce fazer nada, debaixo da escada, comendo pepinos... Entrou a avó no quarto para ir descansar como toda a tarde fazia, subiu a escada, mas, na metade, cansada parou, levantou a longa saia e sentou... Nós, lá debaixo, vimos tudo, pensamos que ela tivesse sentado em cima do gato que estava ao lado Saímos correndo gritando: A avó amassou o gato, ele nem miou...
fran.

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